quinta-feira, 14 de novembro de 2024

Lanceiros Negros - Porongos - A Emboscada

 

 

 

 

                                                  Lanceiros Negros 6           

 


 

 

 

 

 

 

 

 

 

A Batalha

      De

Porongos

 

A Emboscada

(Primeiro Livro)

 

Os Resistentes

(Segundo Livro)

 

O Desterro

(Terceiro Livro)

 

 

Linguagem Entre O Coloquial E O Culto

A Serviço Do Ritmo Em Redondilha Maior

 

 

 

 

 

              

                A Emboscada

 

 

Capitulo XV

 

 

Poema I

 

01-   Quem Da Serra Ali Chegasse,

Enquanto Se Aproximando,

Iria Logo Apontando,

As Divisões Em Transpasses:

 

02-  No Centro A Tropa De Elite,

Com Oficiais, E Os Mais Chegados,

Puxa Sacos, Paus-Mandados,

Espiões E Seus Palpites,

 

03-  Mais No Alto A Descoberto,

Os Homens Da Artilharia,

Pra Apoio À Cavalaria,

Nas Lutas A Campo Aberto.

 

04- À Direita Os Peões Campeiros

Ao Sul Os Índios Pampianos,

Ao Norte Os Guapos Mundanos,

E À Esquerda Os Lanceiros Negros.

 

05- Bem Às Costas Dos Lanceiros,

Com Guerreiros Uruguaios:

Negros De Outros Atalhos,

É Souza Neto, O Matreiro*.

.                               

    

                               

 

 

 

 

 

 

 

 

 

06-  E Pra Barrar  Incidentes,

Com As Tropas Do Barão:

Os Infantes Bem A Frente,

Vão De Bucha De Canhão:

 

07-  Negros Índios E Mulatos,

Com Os Brancos Maltrapilhos,

Vida Dura, Rude Trato,

Em Luta Buscando Auxílios.

 

08- Sem Uma Escolha  A Calhar:

A Mal Comer E Mal Dormir,

Na Guerra  Só Podem Entrar,

Sem Jamais Poder Sair.

 

09- Estas Eram Diferenças,

De Oficiais Pra Esses Soldados.

Os Primeiros Mudam Lado,

E Jamais Levam Sentenças.

 

10- Pros Segundos Não Há Jeito,

Se Desertarem Da Guerra,

Reservam-Lhes O Direito,

De Sete Palmos De Terra.

 

11- Estes Iam Bem A Frente:

À Vanguarda Da Vanguarda.

Direitos: Morrerem Antes,

Pra Dar Tempo A Toda Guarda.

 

12- Com Espingardas Primitivas

De Municiar Por Etapas:

Se Acertar... O Diabo Escapa,

Se Errar... Perdem A Vida...

 

13- Sempre A Pé, Diante A Estar,

E A Retaguarda A Cavalos,

Pra De Longe Avistá-los;

Não Deixá-los Desertar.

 

                                                                                          

 

 

 

 

 

 

 

 

14- Depois Do Primeiro Tiro

De Cada Arma Empunhada,

Surgem Os Lanceiros Na Alçada

Fazendo Frente Ao Perigo.

 

15- Isso... Porque A Demora

Pra Cumprir Todas As Etapas,

Precisa De Uma Penhora,

Qual Pegar Boi Pelas Aspas:

 

16- Vazar Pólvora No Cano,

Socar Bucha Com A Vareta,

Repetir Tudo Com O  Estanho,

Encaixar A Espoleta...

 

17- Então Neste Meio Tempo,

Os Lanceiros Quais Tornados,

Põe Imperiais Atordoados,

E Os Rechaçam Em Tormentos.

 

18- Eram Lutas Frente A Frente,

Trançadas A Campo Aberto,

No Perigo, Ao Descoberto:

Impávidos, Continentes...

 

19- Tilintar Do Ferro Branco,

E Centenas De Cavalos,

Relinchos, Berreiro, Estalos,

O Poeirão E O Solavanco...

 

20- Os Inimigos De Encontro,

Trombando As Cavalarias,

Um Cenário De Agonia,

Quem De Fora Vê O Confronto:

 

21- Terror Que A Visão Orvalha,

Quando Concentra O Combate,

Num Redondel Sem Escape,

Quem No Centro Da Batalha.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

22- Tropel Qual Longo Trovão,

E Quando Baixa A Poeira,

Por Visão Mais Que Certeira,

Corpos Caídos Ao Chão...!!!

 

23- Cem Por Cento Dos Combates

Que Os Infantes Empregavam,

Junto Os Lanceiros Peleavam,

Garantindo Lhes O Embate.

 

24- E A Retaguarda Na Espreita,

Pra Que Se Preciso O Apoio...,

Mas Houve Casos E Feitas,

Que Folgavam Em Pleno Aboio.

 

25- Então Levanta-se Um Pardo,

Mais Negro / Do Quê Charrua,

Caminha E Tilinta As Puas,

Pra Prosear É Qual Um Bardo.

 

26- E Busca Um Fecho De Lenha,

Rechega E Atiça O Fogo.

Depois Seva Um Mate Novo,

Enquanto Aquece A  Resenha:

 

27 - Pois Quem Manda Melhor Faz,

Quem Obedece É O Aprendiz,

E Quem Pretende Ser Feliz,

Que Viva Do Que É Capaz.

 

28 – Pois Assim É O Vivente,

Nunca Serviu Pra Peão,

Nem Tão Pouco Pra Patrão,

Peleia Em Razão Consciente:

 

29 - É Caldeira, Entre Os Lanceiros,

Guerreiro Cheio De Glorias:

Vai Nos Contando A História,

Mateando Em Volta Ao Braseiro:

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Poema II

 

 

 

1- Numa Quieta E Morna Noite,

Toda Aberta E Estrelada,

A Lua Nova Virada,

Todos Dormindo À Vontade.

 

2- E O Brilho À Fraternidade,

Ao Compasso De Espera,

 Anunciando A Nova Era,

Bálsamo Pra Insanidade:

 

3- Só Uma Questão De Tempo,

E Teria Fim A Guerra,

Campos Mares Rios E Cerras,

Pra Voar Solto Qual Vento.

 

4- A Liberdade A Chegar,

A Despontar Encilhada,

Só Montar E Cavalgar,

E Escolher Rumos E Estradas.

 

5- Dar Asas Ao Pensamento,

O Sonho De Um Bem Querer,

Rancho E Terra Pra Viver,

E A Criação A Contento.

 

6- Mulher E Filhos Por Perto,

Amigos Livres Também,

Caminhos Pra Ir Além,

A Campos E A Céus Abertos.   

  

 

                                            

 

                                               

 

 

 

 

 

 

 

 

07- Merecida Recompensa,

Por Anos De Empenho E Luta,

Que Venha Qualquer Labuta,

Na Livre Escolha Pra Senda.

 

08- Campos Lavouras Charqueadas,

Qualquer Trabalho Braçal,

O Esforço Não Fará  Mal,

Pra Sonhos De Asas Alçadas*.

 

09- Projetos De Liberdade,

Um Futuro Pra Pensar,

Sorrir, Cantar e  Dançar, 

A Bem Da Própria Vontade.

 

10- É Isso Que O Homem Quer,

Nada Mais Lhe É Preciso:

Que Escolhas Pro Bom Juízo:

Julgar O Que Lhe Convier...!!!

 

 

*Tupinambá Nascimento nos diz  em seu Livro – O Negro E A Revolução Farroupilha - que: (Os Lanceiros e os Infantes acreditaram nas negociações de paz e na trégua: a retirada das munições das espingardas: as armas, era o sinal: o fim da guerra, e lanceiros e infantes passaram a sonhar e projetar com a liberdade prometida em recompensa há anos de lutas empregados no fronte).

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

                                                                           

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 Poema III

 

 

 

 

01-  Sonhos Que A Noite Leva,

Angustias Que O Dia Trás,

Uma Esperança De Paz,

Pra Uma Emboscada De Guerra.

 

02- As Certezas Destroçadas,

A Traição, A Insanidade,

Repentina Tempestade

Assolando A Madrugada.

 

03- Se Acordar De Um Sonho Lindo,

E Cair Num Pesadelo,

Lanças,  Espadas,  Flagelos:

Portas Do Inferno Se Abrindo.

 

04- E Sobre Tudo O Castigo

De Se Ver Numa Emboscada,

Sem Ter Valência De Nada,

Em Meio A Mil Inimigos.

 

05- “Se Correr O Bicho Pega,

Se Ficar O Bicho Come”.

Quem Tem A Honra Dos Homens,

Em Pé Se Sustenta Às Cegas.

 

06- A Própria Morte Em Cruzeiro,

Faz Visita Repentina,

Feito Sombras Assassinas,

Pra Despertar Os Guerreiros.

 

 

 

                                                            

 

 

 

 

 

 

 

 

07- Negros Em Pontas De Choupas,

Sem Trincheiras, Acampados,

Sinistros Clarins  Rasgados,

Atirando À Queima-Roupa.

 

08- Não Há Tempo Pra Pensar.

Quem É Talhado Pra Guerra,

Num Salto Tem-se A Pelear,

No Terror Que Ali Se Encerra.

 

09- Correm Em Socorro Aos Infantes,

Os Lanceiros Pelo Atalho,

Mas O Ataque É Qual Um Raio,

Em Violência Fulminante.

 

10-  Os Confrontos Esperados,

Olho A Olho, Braço A Braço,

Na Empunhadura Do Aço,

São Pros Guerreiros Honrados.

 

11- Mas Assim: Infame Ardil,

Fruto De Um Covarde Engenho:

Pela Paz Fingir Empenho,

Armando Emboscada Vil:

 

12- Um Cenário Pra Ilusão,

Relaxamento Insolente,

Facilitando O Acidente:

Forte  Cheiro De Traição.

 

13- Entre O Vendaval Presente,

Muitos Não Intendem Nada,

Mas Se Alertam Os Mais Cientes:

Sentem A Carta Marcada:

 

14- Nas Contas De Um Calendário,

Conluio Medido À Régua,

Acenando Com A Trégua,

Quais Ribaltas Pro Cenário

                               

                                                                                           

 

 

 

 

 

 

 

 

 

15- De Um Satânico Rosário

Num Lirismo Comovente

Pausas, Falas Convincentes,

Pra Um Teatro Sanguinário!

  

16- Costuras De Espiões,

Uma Falsa Boa Nova,

Pra Nos Preparar A Cova,

E Extinguir Nossas Razões.

 

17-  Promessas, Negociações:

Não Haveria Combates:

Pra Nos Cevar Pro Abate,

E Nos Cortar Os Tendões!

 

18- Os Imperiais Em Estrondo,

Um Corte Rachando O Sono.

O Bichará* Revoando,

O Encontro Com O Abandono!

 

19- A Busca Do Próprio Corpo,

Em Socorro De Si Mesmo /

E A Busca De Si Mesmo,

Em Socorro Ao Próprio Corpo.

 

20- Na Peleia Quase Às Cegas

Quais Náufragos Sem Um Porto;

Ver Que O Tratado Está Morto

Na Violência Da Refrega...

 

21-  - É Nadar Na Tempestade,

Nas Ondas De Um Oceano,

Que Invadem O Barco Afundando

O Sonho E A Liberdade.

 

22- Então Saltam Os Lanceiros,

Que Iludidos Com A “Paz”,

Guerreiam Em Tempo Primaz,

Em Socorro Aos Companheiros:

 

 

                                                                                 

 

 

 

                                        

 

 

 

 

23- Que Os Infantes Vão No Braço,

Sem Cartuchos É O  Remédio,

Contra O Sanguinário Assédio,

Desferido A Fogo E Aço:

  

24- As Espingardas Sem Cargas,

Sobram  Coronhas,  Facões,

E O Luxo De Alguma Adaga,

Pra Buscar As Soluções.

 

25- Homens Da Linha De Frente,

 Primeiros Atocaiados.

 Todos Foram Massacrados,

Muitos Ainda Dormentes.

 

27-  Retaguarda Farroupilha:

Todos Sumiram No Ataque,

Os Lanceiros Sentem O Baque,

Em Socorro A Infantaria.

 

28- Um A Um Tombando Ao Chão,

Em Resistência Sem Igual,

Contra O Império Do Mal:

Torturas E Escravidão.

 

29- Batalha Em Desigualdade,

Covardes Na Madrugada,

Assassinos De Emboscadas,

Em Cruas Atrocidades.

 

30- Crueldades Aos Requintes,

Centenas Surgem Atacando,

Os Que Foram Se Acordando:

Era Um Pra Cada Vinte...

 

31- Imperiais Caem De Enxame  

Emboscando O Local,

Quais Mortos Vivos Do Mal,

Sobre Lanceiros E Infantes.

 

 

 

                                                                         

 

 

 

 

 

 

 

32- Quem Mostrou O Paradeiro...???

Quem Detalhou O Lugar...???

Justo Onde Estavam À Acampar

Os Infantes E Os Lanceiros...???

 

33- Hoje Ponho-me A Pensar,

Que Houve Um Traidor Maleva,

Guiando O Inimigo Nas Trevas,

Mostrando O Exato Lugar.

                                                                                      

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

                                                                                                                                                     

 

 

 

 

 

 

 

 

Poema IV

 

 

 

01 - O Coronel Gavião,*

Irmão De Igual Para Igual,

Consciente Em Sua Razão,

Desde Os Campos Do Seival.

 

Comandante Dos Lanceiros, O Coronel Teixeira Nunes, Carinhosamente Chamado De Gavião. Comia, Bebia, Mateava E  Acampava Junto Aos Negros, Foi Fiel, Amado E Respeitado Pelos Lanceiros.

 

02- Abolicionista Ferrenho,*

Guerrilheiro Americano,

Quis Unir Todas As Raças,

Num Sonho Republicano,

 

Fazia Parte da ala abolicionistas que, desejava e lutava por  uma República com todos livres.

 

03- Por Ser Leal A Os Lanceiros,

Desde O Começo  Ao Fim,

Foi Alvejado Primeiro,

Mas Se Boleou Pro Capim.

 

04- Rolou Pra Trás Dum Cupim.

Com A Lança Escorando O Tombo;

Rasgando, Lombos, Mondongos,

Buchadas, Goelas, Fucins”.*

  

 05- E Grita: Avancem Lanceiros,

Que O Contratempo É Gigante,

Peleando Pelos Infantes,

Peleamos Por Companheiros!!!  

 

 

                                            

 

 

 

 

 

 

 

 

06- Gavião: É A Própria Lança,

O Bichará No Contra Braço,*

Aparando Pontas De Aço,

Tem Pena De Quem Alcança.

 

07- Quando Alça A Lança No Espaço,

Em Um Alvo Em Claro Ataque,

Ao Ver O Tremor Do Baque,

Julgando O Estrago Do Aço:

 

08- Deseja Abandonar Tudo:

Em Sentimentos Profundos

Quer Ir Embora Do Mundo,

Mas Pensa Peleando Mudo:

 

09- “Não Há Outra Solução,

É O Corpo A Corpo Mortal,

Contra O Desmando Imperial:

“De Abusos E Escravidão”.

 

10- Se Dar Conta Do Engodo...

E Da Longa Trama Armada:

O Uso Da Paz Sonhada,

Pra Então Revelar O Lodo...

 

11- Depois De Um Jardim Eterno,

De... Em Luzis Vestir Um Véu:

É Como Sonhar Com O Céu,

E Se Acordar No Inferno.

 

12- Ver-se Pro Abate Na Ceva:

A Tropeçar Pro Abismo,

Qual Uma Peça Do Cinismo,

Então Se  Encontrar Nas  Trevas:

 

13- Cair Na Realidade:

Se Dar Conta Da Conversa,

Fazendo Trama Perversa,

Conspirando A Insanidade:

 

 

 

 

 

 

 

 

 

14- A Honra... Foge Ao Juízo:

Faz Gana Que Vem E Explode,

E A Lança Rasga A Quem Pode,

E Mata Porque É Preciso.

 

15- Na Raiva Tem-se Possesso,

E Violento  Qual Um Raio,

Retalha, Desfere Talhos,

Depois Sente-se Do Avesso:

 

16- O Coração Se Assusta,

Acusa E Condena O Feito,

Mas A Razão A Despeito,

Berra Que A Violência É Justa.

 

17- Fecham-se Olhos, Ouvidos,

Na Tentativa Extremada,

De Não Querer Sentir Nada,

Mas Nunca Dormem Os Sentidos.

 

18- E Mesmo Em Sonhos Atentos,

Nos Cobram Os Nossos Feitos:

Quem Tem Alma E Sentimentos,

Apertos Arrocham O Peito. 

 

19-  É O Julgamento Da Mente:

Mesmo Matando Em Batalhas,

Que Sejam Os Mortos Canalhas,

A Consciência Cobra E Sente: 

 

20-  É O Coronel Gavião,

Guerreiro Em Porte Titã,

Sonhando Com  Leviatã,

Mas Irmanado À Razão. 

 

21- Símbolo De Resistência,

Vontade De Todos Nós,

Contra O Império  Feroz,

Que Escraviza Às Existências...!!!

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

22- Empenhos Pela República:

Luta Contra O Escravismo,

Os Apartes Do  Racismo,

Na Identidade Gentílica...!!!  

 

23- Traído Em Quarenta E Dois*,

Na Vital Resolução,

Que Traria A Abolição...,

Vendida Aos Donos Dos Bois...!!!

*Gavião, Ferrador e Mariano defendiam uma resolução que entraria para os artigos da constituição Rio-Grandense legalizando a abolição da escravatura. Foram traídos por companheiros farroupilhas que venderam os próprios votos para o império a peso de ouro.   

*Gavião, Ferrador e Mariano defendiam uma resolução que entraria para os artigos da constituição Rio-Grandense legalizando a abolição da escravatura. Foram traídos por companheiros farroupilhas que venderam os próprios votos para o império a peso de ouro.   

 

24- A Lei Maior Rio-Grandense,

Pendeu Pra Aristocracia:

Direitos A Oligarquia,

Qual Uma Peça Circense.

 

25- E O Republicano Sério,

Teve Que Ver Frente A Frente,

Um Governo Indiferente,

Às Injustiças Do Império...!!!

 

26- Mas Seguiram Em Lealdade,

Representando Na Armada,

A Palavra Empenhada:

Que Haveria Liberdade...!!!.

 

27- Resistência Inabalável

Na Incansável Labuta

No Emprego Da Mortal Luta

Contra O Mal Inominável...!!!

 

 

 

 

                                   

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Poema V

 

 

 

01- É Feio Matar Pessoas,

Mas É Matar, Ou Morrer,

Não Há Outra Coisa A Fazer

Frente O Metal Que Ressoa:

 

02- Rebate, Corta E Retalha,

Em Legitima Defesa,

Com Urgência E Presteza,

Frente O Manto Da Mortalha.

 

03- Do Império Muitos Tombaram:

Disseram Ninguém  Perder,

Há Muito Por Se Dizer:

Se A história É Dos Que Venceram:

 

04- Contam  Só Os Mortos Negros,

Em Seus Lúgubres Exames,

Não Dizem Quem São Os Brancos,

Que Cheiravam A Sebo E Sangue,

 

05- “Não É O Sangue Lanceiro,

É O Cheiro Do Sangue Imperial,

Catinga De Carniceiros,

Cheira A Urubu E Chacal”.

 

06- E Se Ergue O Negro Bomani,

Um Corisco No Trabalho,

Deixou Um Ataque Passar,

Numa Manobra De Atalho.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

07- Virou-se E Viu De Soslaio,

Vindo Alguém Por Trás Qual Bruxo,

Numa Relampejar De Lança,

Sai Fora E Rasga lhe O Buxo.*

 

08- Vêm Outro Porco Em Repentes,

Guinchando Império Em Estrofes,

Bomani Deu-lhe O Costado...,

Passou, Mas Deixou Os Bofes.*

 

09- Um Terceiro Cruza A Risca ,   

Golpeando Qual Um Tinhoso,

Rosnando Qual Cão Furioso,

Saltou, Mas Deixou As Tripas.

 

10- E Logo Um Diabo Chinfrim,

Cheirando À Gente Imunda,

Veio Lavrando O Capim,

Cruzou, Mas Deixou A Bunda,

 

Vindo Por Trás De “Mansim”,

Contra Atacou Um Parceiro,

Cruzou Que Nem Boi Roceiro,

Pulou, Mas Deixou O “Fucim”.

 

11- E Mais Um Que Avança Aos Botes:

Gritando: Viva O Império...!!!,

Cortando, Peleando Sério,

Varou Passou, Mas Deixou Cangote.  

 

Atacavam De Enchurrada

Mas Pra Guerreiro Na Senda

Com Dez Anos De Contenda

Meia Dúzia É Quase Nada

 

12- E Somou- se Outro Berrando:

(Salve O Império / A Mornarquia,

Rasgou-lhe Do Beiço Às Virilhas,

Entrou, Mas Morreu Peidando.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

13- Bomani Se Pôs A Rir,

Isso Que Era Negro Sério,

Pois Lhe Pareceu Ouvir,

Que O Peido Gritou: -"Império"...!!!

 

14- Voltou À Luta Em Silêncio,

Olhos Nos Olhos Do Inimigo, 

Quando De Enxame Há Perigo,

Peleia Golpeando Cônscio.

 

15- Que Mate O Quanto Puder,

É O  Escravagismo Insano,

Que Caça Seres Humanos,

Pra Torturar E Abater.

 

16- A Lança Ataca De Ponta, 

Volteios, Cortes Cruzados,

Atendendo A Todo Lado,

Porque Matar Tá Na Conta.

 

17- Cerne De Lei, Braça E Meia,

No Extremo Ponta De Aço,

A Lança Alça E Golpeia,

Racha Ossos E Espinhaços:

 

18- Guajuvira  Nasce Às Mechas

Cresce Na Beira Das Sangas

Pra Guiadas, Canzis, Cangas...

 Pra Lanças, Arcos E flechas:

 

19- É A Madeira Que Celebra

O Rude Macio Dos Matos

Sem Falquejo, Ou Fino Trato:

Dobra, Verga E Não Se Quebra.

 

20- Numa Refrega Apreçada,

À Luz Da Boieira Tardia,

Vê Uma Lança Arremessada,

E Um Bichará Que O Protegia:

 

 

 

 

 

 

 

.

21- Kabinda Salvou-lhe A Vida,

E Emparelhou-se Ao Costado,

De Sobra Lanceou Um Outro,

Varando De Lada a Lado.

 

22- Pra Muitos Ainda Deu Tempo,

De Enrolar O Poncho Ao Braço,

Bichará De Lã Batida,

Que Apara Corte E Pontaço...!!!

 

23- Mas Pra Quem Perdeu O Compasso,

Sem Trincheiras Na Emboscada,

Pelearam Com As Mãos, Mais Nada,

Contra Espadas E Balaços:

 

24- Sombras Furtivas Na Noite,

Espadas Rasgando Em Cortes,

Balas Chovendo Em Açoites.

São Mensageiras Da Morte.

 

25- Avança  O Negro Kabinda,

Que De Um, Varou lhe  As Costelas,*

D’outros,   Cruzadas  De Adaga,

Cortam Orelhas, Beiços, Goelas.

 

26- Arromba Os  Lombos, Buchadas,

Panças, Caras  E Pescoços,

Em Defesa No Alvoroço,

Lado A Lado Na Emboscada.

 

27- Só Há Tempo Pra Esquiva,

E As Sobras Pro Contra-Ataque,

No Tremor  De Cada Baque,

Em Vagalhões De Ondas Vivas...!!!

 

28- Imperiais  Vindo De Enxame,

Mesmo - Fôssemos - Caindo,

Nossas Lanças Iam Abrindo

As Carcaças Vis Infames.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

27- Pecado... Pelear  Sem Lume,

Contra  Torpes De Armadilhas:

Se Tombam... Da Própria Encilha

Se Borram, Cheirando A Estrume...!!!

 

28- Quem Não Tem Honra Por Cina:

Vive Pra Matar, Mais Nada,

Rescendem A Fedentina,

Dentro Da Própria Emboscada...!!!

 

29- Covarde Que Vive A Esmo,

Sem Preparo Pra Morrer,

Quando O Fim Vem Pra Lhes Ter,

É Um  Tombo Sobre Si Mesmo. 

 

30- Foi Se Infestando O Mau Cheiro,

Daquelas Almas Doentes,

Que Matavam Nossa Gente...,

Buscavam Escravos Pro Império...!!!. 

 

31- Mas A Brisa À Nossas Costas,

Nos Liberou Pra  Sentir:

O Doce Aroma A Reagir,

Dos Campos Como Resposta...

 

 30- Peleamos No Contra Tempo,

Mas Na Essência Dos Capins,

À Aragem Da Pampa Em fim, 

Que Nos Chegava Aos Ventos...

 

Por Certo Foi Olorum

Que Perfumou O Lugar

Pra Quem Morreu A Lutar

Subindo Aos Campos De Orum:

 

31- E Fomos Partindo Em Viagem,

Fazendo O Passamento,

É Natural O Momento,

Pra Quem Tem Honra E Coragem...!!!

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

(Falo Assim, Isso Porquê,

Me Sinto Também Tombado

Como Parte Do Legado

Que Faz Lembrar E Sofrer),

 

32- E Qual Suave Falésia,

As Almas De Nossos Mortos,

Foram Subindo Dos Corpos,

Com A Fragrância Das Frésias...!!!

 

33- Perfume De Campo Em Flor,

Aroma Leve Na Aragem,

São As Almas De Passagens,

De Quem Morreu Por Amor:///

 

34-Por Amor À Própria Vida,

À Justiça, À Liberdade,

A Honra, A Dignidade...

Sem Se Ajoelhar Por Guarida...!!!

 

35- São As Leis Do Mundo Aiê,

Pra Quem Vive E Morre Honrado,

Olorum Do Outro Lado,

No Mundo Orum Vem Nos Ter...!!!

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Poema VI 

 

 

 

Em Seus Relatos Na História,

Nos Descrevem Assustados,

Surpresos Desorientados...

Arrastam Pra Si A Glória:

 

Que A Luta Foi Se Iniciando

 E Já  Estava Acabada,

Mas Desde Alta Madrugada,

Amanhecemos Peleando.

 

Ninguém Surge A Socorrer,

Muitos Fogem, Quais Selvagens,

Desertam, Partem Em Viagens:

Sequer Um Pra Nos Valer.

 

Honramos Os Farroupilhas,

Por Anos De Empenho E Luta,

Mas Na Prima Noite Bruta,

Sumiram Trás-Das-Coxilhas...!!!

 

01- Os Imperiais Vem Em Nuvens,

Fuzil E Espada À Vontade,

Em Nome Da Infâmia Servem,

Dizimando  A  Liberdade. 

 

02- São Quais Hienas Famintas,

Não Haveria Acordos,

Atiram Em Dominados:

Já Rengos, Manetas, Tortos,

 

 

 

                

 

                                                      

 

 

 

 

 

 

 

 

 03- Vão Nos Moendo Aos Poucos,

Qual Trigo Em Pedra De Mó,

A Razão Não É A Vitória,

É O Extermínio Sem Dó.

 

04- A Escuridão  Faz Alçada,

Pra Proteger Seus Ardis,

O Fogo Faz Lusco Fusco,

 Mostra O Alvo Dos Fuzis.

 

05- Então Bomani E Gavião,

Atraídos Pro Nascente,

Pruma Corja De  Imperiais,

Lhes Atacar Do Poente.

 

06- Pombo Grita, Eles Se Viram,

A Boieira Faz Favores,

A Tempo Deles Notarem,

Outros “Atocaiadores.”

 

07- Gavião Guarda O Nascente,

Kabinda Junto A Bomani,

Percebem A Cilada A Tempo,

 Braços E Lanças Se Expandem:

 

08-  Rumor De Novilhos Xucros,

Fazendo Escarcéu No Brete,

É Lança Que Puxa E Mete,

Zunindo Contra O Empuxo.

 

09- Urros, Bufos E Gemidos,

Entre Os Berros Desusados,

Quais Porcos E Bois Sangrados,

Morrem Guinchando E Mugindo.

 

10- Relampejares De Adagas,

Lanças Em Cortes Cruzados,

Não Dão Sequer Pra Partida,

São Dez Corpos Empilhados.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

11- Ombro A Ombro Braço A Braço,

Lutam Um Guardando Outro,

O Dorso Guardando O Dorso,

O Bichará Barrando O Aço.

 

12- E Os Assassinos Atacam

 Quais Mortos Vivos Penados,

Fazem Alvo Pelas Costas,

Matam Vencidos, Dobrados.

 

 13- Já Fazendo Lusco Fusco,

Aurora Crepuscular,

A Tênue Luz A Brilhar,

No Amanhecer Mais Que Brusco.

 

14- Uns Furtivos, Vem E Falham..

E A Os Tombos Fogem Corcundas,

Deu Pena:  Deixam Vazar,

Com Alvos De Lombo E Bunda...!!!

 

15- Pombo E Milonga Se Riem...,

Mas Não Dá Tempo Pra  Nada,

Gavião Chama Em Tenência,

Chegam  Quais Vacas Alçadas.

 

16- Nos Cercam Quais Fossem Entulhos,

Na Vil E Macabra Dança,

Vem Um Valentão E Avança,

Kabinda Lhe Abre O Pandulho.

 

17- Desse Eu Lembro A Visão:

Num Clarão Que Não Se Apaga,

Um Relâmpago De Adaga,

E O Tripório Todo Ao Chão:    

 

18 – Lanceiro Com Tempo Ao Ferro,

Que Arma-se Até Os Dentes,

Não Se Perde Nos Repentes,

E Jamais Dá Chance Ao Erro...!!!

                                      

 

 

 

 

 

 

 

 

19- Honra E Dignidade

Transbordam Na Luz Da Aura,

Um Vulcão Mantem-se Em Calma,

No Furacão De Insanidade...!!!

 

20- De Índole Mansa E Altiva,

Tem Coragem Aos Balaios,

E Ao Mesmo Passo É Um Raio,

No Ataque E Na Esquiva...!!!

 

21- Muito Depois Eu O Vi,

Livre E Solto Qual O Vento,

Senhor De Seu Pensamento,

Com Sua Amada Guarani...!!!

 

Lutei Ao Lado De Grandes,

Protegido - Em - Proteção,                                                                  

Dorso A Dorso, Lança Em Mãos,

E O Bichará Que O Aço Abrande...!!!.

 

Pra Que Viéssemos Honrar,

Com Maestria O Ofício,

E Executar O Artifício,

Da Maestria De Lutar...!!!

 

Em Busca Da Liberdade,

Que O Estado Prometeu,

Se Serviu E Se Valeu,

E Devolveu A Iniquidade...!!!

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Poema VII

  

 

 

01- Peleávamos Por Direito,

E Embora Em Resistência

Mantendo-nos Em Tenência

Tombávamos A Todo Jeito.

 

02- Sem Trincheiras, Estacadas,

Expostos À Varredura,

Lua Nova, Noite Escura,

Dormindo Na Madrugada...!!!

 

Como Foi Que Longe De Erros

Descobriram Onde Estávamos,

Entre A Todos  Que Acampavam,

Qual Um Alvo Ao Pé Do Cerro...???

 

03- Farrapos Brancos Servis,

Sumiram Ao Terror Da Luta,

Ficam Os Negros Na  Labuta,

Contra Um Dilúvio De Vis...!!!

 

04-  Muitos Infantes Sem  Armas,

À Morte Gritaram, Não!

E Tomaram De Imperiais,

As Armas De Suas Mãos.

 

05- Um Derradeiro Compasso,

De Um Justo Golpe Fatal,

Tomavam Armas No Braço,

Num Corpo A Corpo Mortal.

 

06-  “Peleando Contra O Eterno,

No Suplício Do Momento:

Num Interminável Tempo,

Que É A Lei De Todo O Inferno”...!!!

                                                    

 

 

 

 

 

 

 

 

07- Mas O Fuzil Do Inimigo

Tem Bala No Atirador*

Mesmo Em Mãos, Gastando A Bala,

Não Há Bala Para Repor.

 

08- O Cartuchame Do Rival,

Está Em Sua Cintura,

Mas Curvar-se Pra Pega-lo,

É Cavar A Sepultura.

 

09- Atacam Quais Gafanhotos,

Em Nuvem De  Aluvião,

Não Há Tempo Pra Lutar,

Nem Centelhas Pra Razão. 

 

10- Ceifam Vidas Às Dezenas,

As Matam Sem Compaixão,

Visam Mais Do Que A Vitória,

É A Morte, Ou A Escravidão.

 

11-  Entre A Covarde Refrega,

Foi Vital Se Por A Salvo:

As Costas São Sempre Alvos,

Pros Assassinos Chumbregas.

 

12- Um De Costas Pro Outro,

Num Lampejo De Consciência,

Desse Jeito A Resistência,

Mas Fomos Tombando Aos Poucos,

 

13- Foi Assim O Insano Tombo,

O  Desigual Dos Desiguais,

Contra  Covardes, Hediondos:

Vis A Não Poder Mais...

 

14- Cada  Lanceiro Peleava,

Com Vinte  Imperiais Sem Dó,

Os Companheiros Caiam,

Quais Pedras De Um Dominó:

  

 

                                                                                          

 

 

 

 

 

 

 

 

15- Aquilo Foi Dor, Paixão...!

Num Lampejo Da Experiência,

Gavião*  Chama Em Consciência,

Os Lanceiros À Razão,

 

16-  Mas Se Emperram Mais E Mais,

Lanceiros À Duras Penas,

Contra Enxames De Hienas,

Brandindo Golpes Mortais.

 

17Com O Bom Senso Aos Domínios:

Gavião Entende A Razão:

O Projeto... É O Extermínio,

E As Sobras Pra Escravidão.

 

18- Reconhecendo A Derrota,

Conscientes Da Situação,

Palavras Voam Das Bocas,

Agacham-se Rente Ao Chão

 

19- Gritam, Chamam Pelos Nomes:

Pra Abandonarem A Luta,

É A Mais Desigual E Bruta,

São Carniceiros Com Fome.

  

20- Mas A Honra Faz  Conselhos,

E Muitos Preferem A Morte,

Que Escapar Daquela Sorte,

Sem Poder Se Olhar No Espelho.

 

21- Outros Usando A Razão:

Não Tem Porque Resistir,

Percebem Que O Não Fugir,

É A Completa Extinção:

 

22- Da Vida E Da Liberdade,

Dos Anseios, Todo O Sonho:

Trocar Mundo Sem Tamanho,

Pela Morte E A Iniquidade...

 

 

                                                                                             

 

 

 

 

 

 

 

 

23-  Rastejam, Fogem Do Inferno,

 Dezenas De Companheiros,

 Vão A Pé, Ou A Cavalos,

Se Embrenhando No Pampeiro.

 

24- No Lusco Fusco Da Aurora,

Perdem-se Na Imensidão,

Em Pensamento Irmanados,

Lanceiros E Gavião.

 

25- Negros Corações Latentes,

Rumor Do Império Atacando

Galopam Com Os Resistentes

Em Suas Mentes Lutando:

 

26- Que Se Fincaram Lá  Atrás,

Numa Luta Sem Igual:

Grandiosidade Moral,

De Quem Livre Morre Em Paz!

 

27- Valentes Obstinados,

Dão-Nos Proteção E Aporte,

Lançando Luz E Legados,

Calçam O Pé Até A Morte.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

                   

                                                                        

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Poema VIII 

 

 

  

01- Impávido O Cerro Tomba,

Porongos Em Silêncio Berra,

Atocaiado Na Sombra,

E Destroçado Por Terra.

 

02-  Entre A Turva Madrugada,

Pra Quem Viu Toda A Chacina,

Foi Mesmo Que Ver Fantasmas,

Feito Sombras Assassinas.

 

03- Ao Longe Se Ouve Os Disparos,

Em Silêncios E Refrães,

Causando-Nos Desamparos,

Ao Lembrar  Execuções.

 

04- Sem Clemência E Sem Razão,

Morte A Os Que Aniquilavam,

Porque Já Não Se Prestavam,

 Ao Retorno À Escravidão.

  

05-  À Liberdade, À Paixão:

Morte Linda, Em Pé Peleando.

Morrem  Sequer Sussurrando:

Em Honra À Livre Razão.

 

06- Entre Os Vis Imperialistas:

Há  Muitas Hienas Mortas,

Seus Escribas Em Revistas,

Pros Seus Mortos Dão As Costas.

 

 

 

                                                                                                                                                                                                                                         

 

 

 

 

 

 

 

07- As Lanças Em  Laivos Tansos:

A Realeza  Fedentina,

Quem Não Fede A Sebo Ranço,

Fede A Boca De Latrina.

                                                                 

08- Tripas, Bofes E Mondongos,

Lombos, Panças, Goelas, Caras,

Imperialistas Talhados,

Qual Manta De Charque Em Vara.

 

09-  Difícil O Golpe Certeiro,

Parecia Um Terremoto

Em Nuvens De Gafanhoto

Não Davam Tempo Aos Lanceiros

 

10- Mas Se Tombavam De Borco,

Era Até Um Desaforo,

Morriam Aos Guinchos Quais Porcos,

Na Tábua Do Abatedouro...!!!

 

11- Matam Incontáveis Lanceiros,

E  Tramando Seus Embustes:

Negam Que Tiveram Mortos,

Mas Mentiram Os Abutres.

 

Tiveram Mortos Que Eu Vi,

E Os Vivos Com A Marca Imunda,

Talhos E Retalhos Nas Fuças...,

Rasgos E Rombos Nas Bundas.

 

12- Covarde É Assim Mesmo,

Precisa Viver Marcado,

Pras Vezes Que Ir Ao Espelho,

Lembrar Que É Um Cú Cagado.

 

13 - Todo Lanceiro Tem Marcas:

Peito, Ombros, Mãos E Braços...,

Herdadas De Igual Para Igual,

Na Empunhadura Do Aço .

 

 

                                                                                                  

 

 

 

 

 

 

 

 

14- Os  Guerreiros Que Ficaram,

Pelearam Até Desarmados,

Cercados Por Todo Lado,

E A Mãe África Honraram...!!!

 

15-  Negros Na Extremada Dança,

Lutaram Apenas Com As Mãos,

Contra Baionetas, Lanças

E Balas De Mosquetão.

 

16- E Não Fugiram Da Raia,

E Não Pediram Guarida,

Calçaram O Pé Na Batalha,

Honrando Com A Morte A Vida.*

 

17- Desejar Morrer Em Luta,

É Uma Grandes Questão,

Também Seriam Batutas,

Se Ouvissem A Gavião:

.

18- Corram Enquanto Há Tempo!

Não Quiseram  Ouvir Nada,

Mostrando-nos Clara Intento:

Proteção À Retirada.

 

19- Ouviam, Não Respondiam.

Lutavam De Alma Muda,

Na Comovente Intenção,

De Nos Dar Vasão À Fuga...

 

20- E Mesmo Com O  Alto Risco,

De Caírem Na Prisão,

Pra Uma Eterna Escravidão,

Ou Nunca Mais Serem Vistos.

 

21-  Mas Houve Um Berro Afinal:

Salvem-se Enquanto É Tempo,

Que A Guerra É Um Vendaval,

A  Qual Não Perdoa Os Lentos.

  

 

 

 

 

                                                                                                                        

 

 

 

 

 

22- Se A Árvore For Derrubada.

Então Recolham As Sementes,

E Plantem Numa Vertente,

Que Dê Frondosas Ramadas...

                                                                                       

23- E Muitos Que Ali Peleavam:

Partiram Pras Pradarias.

Fogo, Estanho E Ferraria,

Contra Os Negros Que Ficaram.

 

24- Em Honra Se Empenhando,

Em Salva Guarda A Razão:

Escolher Morrer Peleando,

Pra Dar Retiro Aos  Irmãos:

 

25- É A Liberdade Mantida,

No Moral Lanceiro Negro,

Que Não Se Perde Em Apegos,

Mesmo Sendo A Própria Vida...!!!

 

26-  Tempestade Em Sentimentos;

Na Consciência  Da História

O Revés Da Luta  Inglória

Centrando Aquele Momento:

 

27- Não Tinha Como Ir Buscá-los:

Seria Pro Império O Guizo:

A (Liberdade)  Em Juízo,

De Bandeja Presenteá-los.

 

28-  Nossa Alma Geme E Voa:

Dor Infinda  Nos Revolve,

E Se A Razão Nos Absolve,

O Coração  Não Nos Perdoa....!!!

                                                                  

29- Nos Voltamos Em  Martírios!

Gavião Fez Nos Conter:

-É Como Se Oferecer

Em Sacrifício Pro Império!!!

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

30-  Regressando Pra Morrer,

Seria (A Decepção).

Sim... Pra Todo Aquele Irmão,

Que Ficou A Nos Valer....!!!

 

31- Proteção Pra  Desertar:

Condição Pra Sanidade:

Cabedal Pra Liberdade,

Pela Qual Viemos Lutar

 

Está Bem Clara A Razão:

É Nos Levar Escravizados,

Apagar Nosso Legado,

E Propagar Nossa Extinção...!!!

 

32- O Que  Importa É Que Lutamos:

O Juízo  Que Nos Norteia,

Cada Senzala Incendeia,

Ao Saber Que Continuamos.

 

33- Saber Que Os Lanceiros Vivem

Faz Ribombar Corações,

Desenrolando As Razões,

Pra Quem Pulsa E Quer Ser Livre

 

34- Por Mais Que Clame A Emoção,

Não Deem Vazão Aos Sentidos:

Gemeis, Chorais Comovidos,

Mas Ouçam A Voz Da Razão:

 

35- É A Lei De Toda  Nação,

Quando O Inimigo É Mortal:

Ou A Razão Vence  O  Mal,

Ou É Total  A Extinção.

 

36- Mas Remorsos N’Alma Ardem:

Por Mais Razões Que Vestimos,

Ainda A Consciência  Ouvimos,

Nos Apontando  Covardes.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

37- A Altivez Se Desmedra:

Todos Tristes Cabisbaixos,

Qual Trigal Que Quebra O Cacho

Na  Tempestade De Pedra

 

38- Perdidos Na Vastidão

Nos  Clamamos Em Tenência 

Pra Mantermos Continência, 

Mesmo Pranteando Emoção.

 

 39- As Faces Então Se Erguem,

Guerreiros Levantam Os Olhos,

Mesmo Em Lágrimas Aos Molhos,

A Altives Não Se Perde.

 

40 - Quais Estátuas Nos Plantamos,

Refletindo A Amplidão,

Choramos Na Imensidão,

Como Nunca Então Choramos.

 

41 -Madrugada Traz A Aurora,

Doura A Barra Despontando,

Em Nossos Olhos Brilhando:

Raia O Sol Campina Afora:

 

42- A Razão Em Divergência,

Resiste O Libelo Bronco, 

A Mente É Um Corpo No Tronco,

Chicoteada Na Consciência...!!!

 

44- A Angustia Era Tanta

Que Gavião Se Leventa

Vencido Pela Emoção

E Então Dá Nos Razão

 

46- Desertamos Para Oeste

Depois De Muito Andar

Mas Nos Voltamos Pro Leste

Para Tentar Alcançar

O Desterro Rumo Ao Mar... ... ...

 

 

 

 

 

 

 

 

Os Resistentes

 

 “O Rescaldo”

 

 

Capitulo XVI

 

 

Poema I


01- Francisca Não Foge A Luta,

E  Veste-se Com Cuidados,

Previne-se Na Conduta,

Preocupa-se Com Os Tombados.

 

02-  Se Da Conta Da Ironia:

A Guerra É Violência Ao Ermo,

Uma Oficina De Enfermos,

De Mortes E De Agonias...


03- É Tempestade De Balas,

Tinir De Adagas E Lanças,

A Resistência Não Se Abala

E O Predador Não Se Cansa... ... ...

 

04- Ficam Negros No Trabalho,

Qual Náufragos Entre As Ondas

Coragem,  Questão De Honra,

Morrer  Pegando  O Atalho.

 

                     

 

                                                              

 

 

 

 

 

 

 

 

05-  De Sobressalto Peleando,

Atacados Quais Manadas,

Por Hienas   Esfomeadas,

Que Atacam Já Devorando.

 

06- Furtiva Perversidade:

As Respirações, Ouvindo:

Mataram Gente Dormindo,

Sonhando Com A Liberdade...!!!

 

07-  Chegam Sangrando De Súbito,

Não Há Quem  Ataca Igual,

Com Os Requintes De Tal  Mal,

O Próprio Diabo Tem Vômitos.

 

08-  Uns Acordaram Morrendo,

Outros Morreram Dormindo,

Primeiros Que Levantaram,

Pra Morte Foram Caindo.

 

09- Não Há Consulta A Razão,

Sequer Há Tempo Pra Sustos,

Relâmpagos, Lusco-Fusco,

É Clarões Na Escuridão.

 

10Lanceiros Contra  Imperiais,

Vão Lhes Rasgando Matambres,

Mas Eles Vem Quais Enxames,

Cai Um, Vem Dez Vezes Mais.

 

11- Guerreiro Vale Guerreiro, 

Os Olhos Buscando Espaço,

Pra Golpear No Contra Aço,

Parceiro Guarda Parceiro.

  

12- Pra Morrerem Lindamente,

Em Um Combate Mortal,

Em Resistência Contra O Mal,

Que É A Morte Dos Valentes.

  

 

                                                                             

 

 

 

 

 

 

 

 

13- E O Mal Se Conhece O Rastro,

De Onde Vem Seus Emissários,

Que Oprimem, Torturam, Matam:

Com Mãos De Ferro Do Império.

 

14-  “Qual O Rumo, Qual A Sorte”?

Quem Nos Fez Alvo Marcado?

Pra  Encontrar  Nosso Norte,

E Nos Abater Qual O Gado?”“:

 

18- Se Pergunta Então Cambami*.

E Dassor * Grita Em Combate:

-  “Nos Marcaram E Apartaram

Qual Uma Tropa Pro Abate???”

 

19-  “Não Se Contentam Em Matar

Qual Orda A Mando Real:

Sangram, Coureiam, Retalham

Qual Charque Em Manta Pro Sal!”

 

20- Mas Não Damos Por Rogados:

Quem O Nosso Aço Alcança,

Treme Na Ponta Da Lança,

E Berra Qual Boi Sangrado.

 

 

                                                       

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

                     

 

 

 

 

 

 

Poema II

 

01- As Surpresas  São Da Guerra,

A Emboscada Também,

A Intriga A Espionagem,

Traição Comprada A Vintém. 

 

02- Porém Servir-se Por Anos,

De Uma Tropa Inigualável,

E Entregá-la Desarmada...

Pro Abate, É Inominável.

 

03- Não Existe Provas Feitas;

Indagam Sobre Espiões,

Chefes De Altos Escalões,

Mas Um Desponta Às Suspeitas.

 

04- Nas Tendas De Assistência,

Há Tensa Preocupação,

Nos Corações, Nas  Consciências;

Com Angustiante Apreensão.

 

05- Então Sessa A Escaramuça,

Gemidos, Urros De  Dores,

Ranger De Dentes, Tremores,

Francisca Parte À Labuta...!

 

06- Os Lanceiros Continentes:

Cercados E Aprisionados:

Guerreiros Morrem Calados,

Refletindo O Sol Nascente.

 

07-  Francisca Vê Mãos Cruéis,

Sobre Tombados, Feridos.

Inda Sangrando Os Vencidos,

Perversos Quais Cascavéis.

 

                                                                                           

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

08- No Campo Um Lençol De Mortos,

E Vivos Subjugados,

Que Irão Regressar Pro Tronco,

Em Grilhões Acorrentados.

 

09-  E  Avança Na Hora H ... ,

Mas... Mãos Empunhando Espadas,

No Seu Peito Fazem Barras:

Pra Que Francisca Não Vá:

 

10- Em Socorro Aos Desvalidos,

Que Tombaram  Emboscados,

Mesmo Assim Executados,

Sendo Mortos Sem Sentidos.

 

11-  São Abutres Carniceiros,

Estão Cercando  Porongos,

Enquanto Matam  Herdeiros:

Do Sul Ao Norte Do Congo.*

 

* Havia  Escravos.

 Descendentes do Congo, e principalmente de regiões ao norte e ao sul.

 

12- Mas Se Cansam Da Matança:

Feridos Resistem Em Vida,

E As Mulheres Comovidas,

Põe  O Juízo Na Balança.

 

13- Então Renascem Palavras, 

De Antigas Nações Tribais,

Clamor  Humano Em Escombros,

Dor Em Línguas Ancestrais: 

  

14- EKoka,  Gege, Kicongo,

Yombe Yauma, Umbundo,

Matamba,  Chócue   Ovambo,

Ndombe, Nyemba, Kimbundo...!!!

 

 

 

             

                                                                          

 

 

 

 

 

 

 

15- Deuses Foram Alvorados,

Chamados Da Natureza,

Do Reino De Aiê A Orum, 

Em  Orixás E Riquezas. 

 

16- Obá! – Edé! – Oduduá!

Aganju! – Exu! – Oxum!

Oxanguiã! -  Orunmilá!

Oraniã! – Otim! – Ogum

 

17-  Os Mortos Do Mundo Aiê,

Todos Guerreiros De Ogum,

Foram Com Olurumarê,

Livres Pros Campos De  Orum.*

 

*Campos Para Onde Vão Os Guerreiros Mortos Em Luta merecedores de glória..  

*Os Lanceiros Que Seguiram Gavião...!!!

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

                               

 

 

 

 

 

 

 

                                                          

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Poema III

 

01- Francisca  Se Angustia,

Sapiência Para Aliviar  Dores,

Mãos Talhadas Pra Curar,

Sem Poder Prestar  Favores... ... ...

 

02- Depois Então,  Liberada,

Para Os Brancos Socorrer,

Índios,  Mulatos, E Negros...

Nesta Ordem  Pra Atender... ... ...

  

03- Seguida De Ajudantes.

Muitas Choram De Emoção.

Mulheres Prestando Ajuda.

De Prontas E Aflitas Mãos... ... ...


04- E Os Imperiais Permanecem,  

Qual Nuvem De Gafanhotos,

Que Pousam  Em Plantações,

As Deixando Só Nos Tocos...

 

05- E Vão Escolhendo Gente

E Os Fazendo Prisioneiros

Que Irão Pro Rio De Janeiro

A Ferros: Grilhões, Correntes...

 

 

 

 

 

 

 

                                                                             

 

 

 

 

 

 

 

 

Poema IV

 

01- Surge De Regresso O Médico,

Contornando O Pé Do Morro,

É O Esposo De Francisca

Trazendo O Pronto Socorro... ... ...

 

02- Matéria Base, Elementos:

Princípios Primos Em Vítros,

Apetrechos, Saneamentos,

Por Ele E Ela Prescritos.

 

03- Partiu E Deixara Há Dias,

O Exército Ordenado...

Regressa, O Que Vê À Frente

É Qual  Rastro De Um Tornado.

 

04- Dias Longos, Intensivos,

Trabalhos, Noites Em Claros,

Correrias E Martírios,

E Perdas De Amigos Caros... !!!

 

05- Longe De Tudo E De Todos,

Nenhum Recurso Por Perto,

A Pampa Livre É Um Deserto,

É O  Médico Ao Velho Modo.

 

06- A Enfermaria Ao Ar Livre, 

Céu Aberto De Novembro,

Gente Estendida Ao Sol,

Dentes Cerrados, Gemendo.

 

07-  E O Socorro Dedicado...,

As Longas Horas Na Senda, 

As Sombras Improvisadas,

Galhos, Ramos, Mantas, Tendas...  

 

                                                                                                              

 

 

 

 

 

 

 

 

 

08-  Sofrimento, Morte Lenta,

Procederes, Improvisos.. ... ...

Nada Disso Era Preciso:

Houve Sinais, Recomendas...!!!

 

09-  Que O Chefe Não Quis Ouvir,

Todos Eram Seus Amigos...!!!

Pra Entregar-se Ao Engodo,

Armado Pelo Inimigo...!!!

 

10-  Ou Então Fingir O Credo,

Num Distorcido Tratado, 

Pra Encobrir Uma Traição,

E Acertos Com O Outro Lado.

 

11- Suspeitas Nascem Em Porongos

Perguntas Já Na Alvorada:

-Guerreiro Que  Se Diz Bravo,

 Que Some Na Luta Alçada...???

 

12- Francisca  Reflete O  Golpe,

Que Em Uma Atração Caíra:

Ficou Só Na Madrugada,

Enquanto O Garanhão Partira.

 

13- O Ataque, A Chuva De Balas,

O Estrondo Meio Ao Escuro,

Todos Gritando Em Apuros,

Sem Ninguém Pra Acompanhá-la

 

14- Na Hora Mais Precisada,

Quem A Surpreende Então...!!!

O Homem Mais Preparado,

Pronto Com Suas Hábeis  Mãos...!!!

 

15- Duarte Ergue Os Feridos...,!!!

Vai Suturando Os Cortados...!!!

Entalando Ossos Quebrados...!!!

Reconfortando Os Vencidos...!!!

 

 

                                                                                          

 

 

 

 

 

 

 

 

16- Tal Qual Como Sempre Fez,

Com Francisca Sempre Ao Lado,

Durante Anos A Fio,

Em Seus Socorros Prestados...!!!

 

17- Todos Ali  Desabados,

Guerreiros Por Si Validos,

Sob Os Pés Dos Inimigos,

Examinados, Cuidados...!!!

 

18- Sob As Ordens Do Império:

Seus Princípios Excludentes:

Duarte Dribla Os Critérios,

Pra Chegar A Os Mais Urgentes.

 

19- Ordena Seus Comandados:

Façam Tempo De Excelência: 

Brancos, Índios, Depois Negros:

-“Mas, Segundo As Emergências”:

 

20- Primeiro Os  Mutilados,

São As Ordens De Sua Voz:

“-” Cortes Profundos Vem  Após

“Por Último Os Escoriados”.

 

21- Acudindo Ambos Os Lados,

 Não Vê Vau Pra Outra Mão:

Mesmo Com Bases Na Ação,

São Enfermos Segregados.

 

22- Mas Não Há Outra Saída

Se Caso Não Atender

Não Poderá Lhes Valer:

Salvar Dezenas De Vidas.

 

23- E Outros Feridos Em Ais

Levados Para Uma Estância,

Dado Suas “Importâncias”:

Por Serem Pragas Imperiais.

                                

                                                 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

24- Aos Quais, Duarte Em Guarida,

Por Dias Os Visitou,

E Sua Arte Emprestou,

Pra Devolver-lhes À Vida.

 

25 - E Vão Cumprindo O Legado,

Duarte Junto À Francisca,

Cuidam De Todos À Risca, 

Em Meio  Aos  Verdes Dos Prados...

 

26- Enquanto Os Imperiais Levam,

Centenas De Prisioneiros,

Pisando O Chão Pampeiro,

Pra Nunca Mais Retornarem.

 

27- Deixam Incontáveis Corpos,

Que Eivando A Pradaria,

De Agonias E De Mortos,

Sob Um Sol Que Escalda O Dia...!!!

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Desterro             

 

 

 

Capítulo XVIII

 

 

01- Os Dias Em Desencantos,

Lentos, Tristes E Pesados,

Com O Lúgubre Legado,

De Enterros, Cruzes Nos Campos.

 

02- Corpos  Feridos, Marcados,

As Histórias Nas Lembranças,

Lágrimas Que Rolam Mansas,

E Deixam Os Rostos Lavados.

 

03- E Olhares Enxutos  Fixos,

Mergulhados No Vazio,

Represando Um Imenso Rio,

Qual Cristo No Crucifixo.

 

04- Nasce O Sol Buscando O Pino:

Rumando Pro  Meio-dia,

Aplacando As Agonias,

Reconfortando Os Destinos:

 

05- Feridos Que Então Fugiram

Dos Matos Estão Voltando

Os Socorros Procurando                    

Quando Os Imperiais Partiram

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

06- E Aqueles Que Se Esconderam,

Em Brejos Longe Do Morro,

Alvejados E Sem Socorro,

Desvalidos Lá Morreram.

 

07- Que Crime... Este Padecer,

De Quem Se Perde Ferido,

De Fome E Sede Vencido,

Na Lentidão De Um Morrer...!!!

 

08- Entre Os Que Vão Regressando

Um Universo Colorido

Lenços, Cabelos, Vestidos

Com Santas Mãos Se Aprontando:

 

09- Mulheres: Todas As Cores,

Sem Mostrar Dificuldades,

Sempre De Boa Vontade,

Vão Socorrendo Em  Penhores. 

                                                                                       

10- O Sol Declina Pra Tarde,

Sem Pena Daquela Gente,

Padecendo Ao Sol Fervente:

Brilha, Aquece, Queima E Arde. 

 

11- Nas Noites O Clima Ameno,

São Alívios Refrescantes,

Mas A Febre Alucinante,

Faz Delírios Nos  Enfermos:

 

12- Quanto Mais A Noite Desce

Mais A Febre Queima E Sobe

Mais As Dores Aparecem

As Confissões Se Descobrem:

 

13- Um Contando  Histórias Lindas,

Que A Guerra Não Foi Em Vão,

Que A Paz É Bela E Bem Vinda,

A Liberdade, O Seu Chão:

 

                                                                                          

 

 

 

 

 

 

 

 

 

14- Que Lavrou E Que Plantou,

Que Colheu E Que Moeu,

Fez Farinha E Amassou,

E Do Seu Próprio Pão Comeu.

 

15- Outro Fala Da República

Da Escravidão  Abolida

Da Liberdade Pra Vida

Em Todo O Sul Da América

 

16-  E Cita  José  Mariano,

O Coronel  Gavião,

E O Amaral  Ferrador:

“Patronos Da Abolição”.

 

17-  Passam  Noites Em Delírios,

Falam  Em Plantas  E Cercados...,

O Rancho Todo Arrumado,

Criação, Mulher E Filhos.

 

18- Aos Poucos Vão Se Acordando,

Da Ponta De Um Novelo,

Caindo Num Pesadelo,

E Das Contas Vão Se Dando.

 

19- São Guerreiros Que Pelearam

Lanceiros Negros Tombados

Por Estarem Mutilados

Pra Escravidão Não Levaram

 

20- Uns Ainda Entrevados,

Outros Já Se Levantando,

Trôpegos Ajudando,

A Levantar Os Tombados.

 

21- Aliviados Pela  Hora:

Imperiais Fazem Escombros,

Tiram As Garras De Porongos,

Então Montam E Vão  Embora.

 

                                                                                                                                                                                 

 

 

 

 

 

 

 

 

22- Levando Tudo Consigo,

Cavalhadas, Armamentos,

Viveres E Documentos,

Irmão E Velhos Amigos.

 

23-  Centenas De Prisioneiros,

Na Colhera Mão À  Mão,

Fileiras Pra Escravidão

Marchando No Chão Pampeiro.

 

24- Na Multidão Ao Reponte,

Vão Qual  O Gado: Tropeados,

Pra Serem Escravizados,

Muito Além Do Horizonte.

                                                                               

25- Deixam  Feridos Pra Trás,

Pois Já Não Prestam Pra Nada,

Mão De Obra Escravizada,

Tem Que Ter Força Tenaz.

 

26- Entre Aqueles Que Fugiram,

Da Ameaça Se Esconderam,

Mulheres  Reapareceram,

Logo Após Que  Eles Partiram.

 

27-  Entre Elas, As Amantes,

Mães, Irmãs, Primas, Amigas,

Colos Que  Davam  Guaridas,

Quando Cansados E Arfantes.

 

28- Em  Agonia Com  A Sina,

São Pombas De Asas Quebradas,

Que Já Não Podem  Fazer Nada,

Contra As Feras Assassinas.

 

29- Então Todas Sobem O Cerro,

E Choram Ao Vê-los  Partindo,

E Os Sentem  Ao Longe Sumindo,

Na Agonia  Do  Desterro.

 

 

                                                                        

 

 

 

 

 

 

 

 

 

30- A Procissão Serpenteando,

Campos, Bosques A Cruzar,

Some Aqui E Surge Lá,

Na  Distancia  Se Apagando.

 

31- Partem Pra Jamais Voltar,

Nas Lonjuras Os  Espera:

Os Grilhões De Uma Quimera;

Prontos Para Os Devorar

 

32- Mães, Irmãs Na Dor Contida,

Sem Direito A Se Valer:

Na Essência Do Próprio Ser,

Banzas Morrem Em Plena Vida.

 

33- Pois Nunca Mais Serão Vistos,

Salvo A Sorte Pra Um Fujão,

Que Foge Ao Primeiro Vão,

Mais Rápido Que Um Corisco.

 

34- Ao Rumo D’Águas Do Mar,

Na Trilha O Leste Buscando,

A Multidão Vai Andando,

Sem Direito A Descansar.

 

35- Paradas Pra Pernoitar

E Muito Antes Da Aurora

Levantam Pra ir Embora

Quem Para, Apanha Pra Andar.

 

36- Sem Esperança É O Nada:

Nem Vontade, Nem Razão,

Nem  Escolha, Ou Solução,

Pra Liberdade  Aprisionada:

                                                                               

37- Todos Rogam Por Fugir:

Na Noite São Pardos Os  Gatos:

Quem Sabe Brejos E  Matos...,

Um Mocambo Pra Onde Ir......

 

               

 

 

 

 

 

 

 

 

 

38- Pois No Porto Está Esperando,

Um  Veleiro Pra Zarpar,

Rumo Ao Norte Navegar,

Pra Escravidão Os  Levando...

 

39- Lindos Sonhos, Longos Anos,

Pelo Qual  Livres Pelearam,

Acreditaram E Viveram:

E O Prêmio: Destino Insano

 

40- Nos Ombros Pesa O Destino,

Calcando A Alma Penada,

Mas Há... Esperança Alçada,

Nos Seus Olhos De Meninos.

 

41- Embora O Sentimento,

De Traídos,  Enganados:

Guerreiro Experimentado,

Deve Se Manter Atento.

 

42- E Todos Vão Espreitando ,

Rogam Falhas, Frestas, Rombos:

Uma Fuga  Pra Um Quilombo,

Onde Haja Irmãos Aguardando.

 

43- Na Alma O Desengano;

Por Léguas Acorrentados,

Ao Reponte Aprisionados:

Mão Cruéis, Olhos Tiranos.

 

44- É A “Feitoria Do Mundo”  :

Tortura  À Dignidade,

Morte  À Honra,  À  Liberdade;

Em Cativeiros  Imundos:

 

45- É A Anulação Do Ser,

Da Individualidade,

Da Coletiva Vontade,

E Da Alegria De Viver.

 

                  

 

                               

 

 

 

 

46- Muitos Olhando Pra Trás

Veem  Porongos  No Horizonte:

Amigas, Irmãs, Amantes...

A Dor Aperta Tenaz

 

47-  Em Ondas De Interações

O Cerro Está Lhes Olhando,

Porongos Ficou Penando:

Presente Nos Corações.

 

48-  Entre Os Dois Lados Do Mundo.

Vai Se Criando Um Abismo,

Os Sentidos Perdem O Juízo,

Em Sofrimento Sem Fundo.

 

49-  E Por mais Que Sejam  Fortes,

No Amargor Sem Despedidas,

Este Abismo Entre As Vidas,

Não Há Peito Que Suporte.

 

50- Miragens Na Imensidão,

Os Olhos Já Não Alcançam ,

Mas Os Corações Não Cansam,

De Vê-los Na Vastidão:

 

51- Banidos Ao Desalento.

Da Pampa Ao Alto Do Cerro,

De Extremo A Extremo O Desterro,

Degreda As Almas Por Dentro...!!!

 

52- Abismo De Ânsias Perdidas,

Que Desde O Fundo Do Chão,

Rasga Um Infinito Vão

Entre Irmãos De Sangue E Vida...!!!

 

53- É A Dor Que Não Se Acalma,

Saudade Ao Peito Faz Portos:

Quanto Mais Se Apartam Os Corpos

Mais Se Entrelaçam Às Almas

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

54-No Oceano Da Paixão:

Por Mais Que As Ondas Avançam,

Lugar Que  Os  Pés Não Alcançam,

A Consciência  Põe As Mãos:

 

55- A Alma Daquela Gente,

Que Espreita Ao Cume Do Cerro,

Vai Junto Àquele Desterro,

Em Busca Do Mar À Frente.

 

56- Vão Sentindo Em  Cada Vulto,

Cansaço Na Caminhada,

Angustias E Chicotadas,

Os Desprezos, Os Insultos:

 

57- Prepotência  Que Não Cansa,

De “Valentões”  Bem Armados,

Que Ferem Irmãos Acorrentados,

Sem Por  Pesos Na Balança...!!!

 

58- São Quais Hienas No Prado,

Que Aos Poucos Devoram Vivo,

Um Búfalo Forte E Ativo,

No Atoleiro Aprisionado.

 

59- Então Somem Na Distância,

Cruzam A Linha Do Horizonte,

E Descem Pra Atrás Dos Montes,

Mergulhando Nas Vacâncias,

 

60- Que Os Olhares Não Alcançam,

Dos Dois Lados Do Desterro,

Desde O Cimeiro Do Cerro,

Aos Que Na Lonjura Avançam:

 

61- Universo Se Alargando,

Entre Aqueles Corações,

Maremotos De Paixões,

Pra Quem Se Plantou Olhando.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

62- Separados Num Descarte ;

Os Corpos..., Matéria Enfim,

Mas Almas..., Mesmo Os Confins,

Não Há Como Haver Apartes...

 

63- E Voam  Os  Pensamentos,

E Quem No Cerro Apartado,

Acompanha Lado A Lado,

Quem Se Afasta Em Sofrimento.

 

64- E Estes Acompanhados...

Voam E Voltam Em Espamos,

Juntos..., Veem  A Si Mesmos

Nas Lonjuras Desterrados.

 

65- Quanto Mais Amam-se As Vidas,

Desde O Chão Ao Firmamento,

Por Maior O Afastamento,

Mais Permanecem Unidas...!!!

 

66- No Caminho... A Desventura

Os Esperam Pra Zarparem ...

E As Almas A Se Abraçarem

Nos Extremos Das Lonjuras.;..!!!

 

67- No Porto Irão Embarcarem,

Se Perderão Navegando,

Entre As Ondas Do Oceano,

Pra Nunca  Mais Regressarem..!!!

 

68- Mas O Amor Não Tem Apartes:

Tempo, Espaço E Movimento:  

Tem Memória O Sofrimento,

E Se Alcançam Parte À Parte...!!!

 

69-  Nas Distancias  Aumentando...,

Terras, Céus, Ondas E Ventos...,

Projetam-se Em Pensamentos,

E As Almas Vão  Se Enlaçando...!!!

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

70 – E Nas Dobras Das Lonjuras,

 Todos Sabem Do Destino:

Amarguras, Desatinos...

Escravidão E Tortura...!!!

 

71- E O Sentimento De Impotência

Entre Os Seres Apartados,

Com Os Pés E As Mãos Atados,

Entre O Banzo E A Demência...!!!

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Encalço

 

 

Despois Das Estimativas,

E Avaliadas Conclusões:

Que Sobrariam Razões

Pra Prisões Em Comitivas.

 

No Pensamento Lanceiro,

Fico Mais Do Que Sabido,

Que Sobreviventes Vencidos,

Estariam Prisioneiros:

 

Com Destino À Escravidão,

Qual Um Presente Ao Império,

Mostrando Que Estavam Sérios,

Atacando O Nosso Chão.

 

Os Levariam A Diante,

Num Desterro Derradeiro:

Arrastão No Chão Pampeiro

A Cabresto E Ao Reponte.

 

Policiados Aos Dois Lados,

Cabresteados Na Vanguarda,

Repontes Na Retaguarda:

Prisioneiros Condenados.

 

Embora Distante Ao Oeste,

Sob As Ondas Do Abalo,

Demos Boca Aos Cavalos,

E Galopamos Pro Leste.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

E Voltamos A Porongos

E Chegamos Com Cuidados:

Avistamos O Estrago,

Mas Não Boleamos Dos Lombos...

 

Bomani Ficou Peleando,

Mas Ali Já  Não Estava,

Antes Do Sol Fazer A Barra

Sumiu Qual Águia Voando.

 

Os Gafanhotos Voaram,

E Bamani Regressara...

Seguiu Gabão E Dandara

Que Pra Um Quilombo Partiram...!!!

 

Logo Pegamos O Rastro,

Daquela Tropa Das Trevas

De Alma Covarde E Maleva,

Que Rasteja E Mata O Pasto.

 

Um Dia Inteiro De Atraso,

São Léguas A Encurtar:

Muito Pouco A Descansar,

E O Tempo Cobrando Prazo.

 

Os Cavalos Já Cansados,

Parávamos Nas Aguadas,

Nos Pastos Prumas Bocadas,

E Os Seguíamos Nos Prados.

 

Cavalgando Sem Parar,

Segundo Dia Varados,

Avistamos Bois Nos Prados,

E Um Serviu Pra Nos Saciar.

 

De Um Branquilho, O Braseiro:

Receita Pra Assar Churrasco,

Que... Como Perfume Em Frasco,

A Fumaça Faz Tempero:

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Sabor Forte, Defumado,

Bravo Rústico E Marcante,

Com Braseiro A Doravante,

Duradouro E Incendiado

 

Então Sobrou  Carne Assada,

Com Carquejas Enrolamos,

E No Próprio Couro Antamos,

E Levamos Pra Jornada:

 

Falta De Sal, Ou Pimenta,

Pra Salvar Das Varejeiras,

A Carqueja, E A Aroeira,

A Boa Carne Sustenta.

 

Nas Sangas Canta O Nhambu,

E Vem A Água Refrescando,

Em Guampa De Boi Lageano,

Ou Odre De Couro Cru.

 

Aqui Boleia / Lá Remonta,

Três Dias Nos Deslocamos:

Quarto Dia Os Avistamos,

Se Esgueirando Pela Pampa:

 

Seguindo-os Nas Ilhargas,

Sempre Por Trás Das Coxilhas,

Divisando-os Das Encilhas:

Observando Toda A Guarda:

 

Protegida Quais Barrancos:

À Frente Pela Vanguarda,

À Trás Pela Retaguarda,

E Aos Lados Guardas De Flancos.

 

E No Meio, Irmãos Lanceiros,

Guardados Qual Um Tesouro,

Marchando Pro O Ancoradouro,

Rumo Aos Porões De Um Tumbeiro.

 

 

 

                                                                                                                                    

 

 

 

 

 

 

 

Foi Ai Que Vislumbramos

E Compreendemos O Requinte:

Um Lanceiro Contra Vinte,

Dos Imperiais Em Porongos

 

Me Perguntando A Me Ouvir,

Agora Respondo Ciente,

Porque Morreu Tanta Gente...!!!

Pra Não Chorar Me Ponho A Rir...!!!

 

A Imagem Está Corrigindo

E O Por Quê... Nos Respondendo,

Uns Se Acordaram Morrendo,

Outros Morreram Dormindo:

 

Do Alto De Uma Coxilha

Avistamos Os Imperiais

Quatro Mil, Talvez Bem Mais

Formando A Grande Pandilha

 

Com O Barão No Comando

Não Seria Diferente

Concentrou Seu Contingente

E Fechou O Macabro Plano

 

Se Os Lanceiros Nos Anais:

São Quais  Ogum Em Combate.

Pra Garantir O Desastre,

Juntou Milhares De Imperiais.

 

Negociou Paz Por Dois Anos,

Afrouxou a Prontidão,

E Atacou Na Escuridão,

Qual Ondas De Um Oceano.

 

Pegou Todos No Abandono:

Sonho De Paz,  Liberdade...

Sangrou, Matou A Vontade

Quem Estava Em Pleno Sono

 

 

 

                                                                          

                                                                                         

 

 

 

 

 

 

Surge O Nariz De Pinóquio:

Ordenam O Desarmamento:

E O Casual Justo Momento

                                          Nada Mais Foi Quê Um Conluio.

 

Passou Por Cima De Porongos

Matou Dezenas De Guerreiros

Fez Centenas Prisioneiros

Olhou Pra Trás E Deu De Ombros

 

E As Mentiras Na Memória,

Pondo De Igual Para Igual,

Os Números Do Vendaval,

Tentando Enganar A História.

 

Os Desarmados Sem Aval...,

Mas Os Negros Com Suas Lanças:

Pesam Muito À Balança...,

Pra Virem De Igual Pra Igual

 

Quem Com Doze Mil Soldados,

Prontos E À Disposição,

Não Haveria Outra Razão,

Do Que Um Comboio Redobrado.

 

                                          A Conspiração De Guerra

Faz Trama Sem Correr Riscos

A Emboscada É Um Petisco

Pra Tomar Estado E Terras

 

Aconselhados Pelo Medo:

Mudariam O Relatório:

Tomariam O Território

Sem Arriscar O Pelego:

 

Prontos A Mudar O Jogo

Multiplicam O Contingente

Se Armam Até Os Dentes:

Ferro Branco / Arma De Fogo

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Ficou Claro O Enunciado:

Centenas; Cada Esquadrão,

Aumentaram A Divisão,

Do Patife Pau Mandado...

*Muringue

 

E O Relatório Canastrão

Puxando As Brasas Pro Assado

Quais Heróis Glorificados

Anunciando O Galardão

 

Depois, Lavras De Heroísmos

Pra Encantar Seu Senhor

Um Menino Imperador

Recém Das Fraldas Saído

 

O Barão Na Mesma Encerra

Concentrou Seu Contingente

Era Mais Que Convincente

Pra Afinal Vencer A Guerra

 

Números São Ajustados

De Acordo Com As Ambições

Valem Patentes, Galões...

Altos Postos Avançados

 

Por Isso As Falsas Proezas:

Na Escala Da Hierarquia:

Títulos Na Aristocracia

Degraus Em Meio A Nobreza:

 

São Fatos A Enumerar

De Quem Conta A Própria História,

Roubando A Essência Da Glória,

Dos Banidos A Falar.

 

Conscientes, Analisamos

A Nuvem De Gafanhotos,

Qual Chorume De Um Esgoto,

Meia A Pampa Serpenteando...!!!

 

 

 

 

                                                                       

 

 

 

 

 

 

Ali Está A  Nossa Frente

O Monstro Que Enfrentamos

O Pesadelo Em Que Acordamos

De Nossos Sonhos Dormentes:

 

Uma Emboscada Voraz

A Traição O Abandono

Na Brandura De Um Sono

Em Pleno Encantos Com A Paz.

                                                                                                

Insetos Em  Caminheiros

Deslocando-se Na Pampa

O Nosso Olhar Se Levanta:

Éramos Poucos Lanceiros:

 

E Os Negros A Contragostos:

Prisioneiros Sob As Rondas:

Qual Marés Subindo Em Ondas

Num Oceano De Esgotos

 

Prontos Aos Acontecimentos

Com Olhos Pra Todo Lado:

Nós Éramos Arrojados

Pra Tudo E A Qualquer Tempo.

 

Batedores Se Infiltrando,

Quais Varejeiras Na Pampa,

Mas Se..., Há Um Tiro De Lança.

Aos Poucos Iam Tombando.

 

Corpos Eram Desvestidos,

Daqueles Vis Miseráveis.

Suas Vestes Eram “Prestáveis”

Para Um Disfarce Preventivo.

 

Mas Fomos Vistos Ao Léu

E O Olheiro Pôs-se A Fugir

Uma Lança Pôs-se A Subir,

Chegou Se Apagar Nos Céu

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

E Num Repente Quis Voltar:

Vertical Descendo Em Reta

Um Raio Em Negra Seta

E O Imperial A Galopar

 

Cabinda Que Alçou O Braço

Em Desponte Na Vanguarda,

E Alçou A Alabarda

Que Caiu Sobre O Cachaço.

 

Nos Deu Pena Do Boléu,

Caiu Com Cavalo E Tudo,

Um Estouro / Um Corpo Mudo,

Qual Um Bicho Num Mundéu.

 

Foi Então Que Anoiteceu.

Pararam Pra Pernoitar.

Nos Acercamos A Olhar.

E Um Rodeio Aconteceu.

 

Castelo Fortificado:

Os Prisioneiros No Meio,

Qual Mina De Ouro Em Veio,

Cercados Por Todo Lado:

 

E Fogueiras A Abrasar,

E Na Noite As Lavaredas,

Iluminavam As Veredas,

Pra Ninguém Sair, Ou Entrar.

 

Os Prisioneiros Sabiam,

Que Estávamos Ao Redor,

Que No Descuido Menor,

Alguém Os Libertaria...

 

Sentíamos Cada Pulsar

Dos Irmãos Aprisionados,

Cercados Por Todos Lados,

Sem Chance Pra Se Livrar:

 

 

 

 

 

                                                                                                                  

 

 

 

 

Sentimentos Em Enredos, 

Por Anos No Mesmo Trilho,

Que Só As Mães Com Seus Filhos,

Conhecem Esse Segredo:

 

Espíritos Enlaçados,

Que Na Distancia Antevê

O Que O Outro Está A Viver

Liberto, Ou Aprisionado

 

Nem Mesmo A Maior Lonjura

Desata Este Grande Elo,

Entre Todos O Mais Belo:

Entre O Amor E A Ternura...!!!

 

Éramos Quarenta, Não Mais,

Contra A Orda De Assassinos:

Mais De Quatro Mil Teatinos,

Representando Imperiais.

 

E  Centenas De Lanceiros,

Sentados Naquele Chão,

Amarrados Mão A Mão,

Já Escravos Prisioneiros.

 

Era A Noite Derradeira,

A Sorte Estava Lançada

O Porto Estava Na Alçada,

Estávamos Na Fronteira.

 

Eram Mais Algumas Léguas

E Estariam Em Rio Grande,

O QG Em Grande Estande:

Cidadela Frente Às Águas...!!!

 

Foi Então Que Gavião

Falou Rosnando : - Chacais...!!!

É Agora, Ou Nunca Mais:

Vamos Atacar O Poltrão...!!!*

*-Muringue

.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Vida Com Gosto De Fel,

Troncos, Chicotes, Grilhões.

Vamos Livrar Nossos Irmãos

Desse Destino Cruel:

 

Embora Em Quarenta Apenas,

Faremos Grandes Estragos,

Abrindo Cortes E Rasgos,

Tocando Terror Na Cena

 

Entraremos Qual Tornado

Redemoinhando Em Rodeio

Costas Voltadas Pro Meio

E Lanças Pra Todo Lado...!!!

 

Parte Mata O Que Puder,

Outra Parte - Dos Lanceiros -

Vai Livrar Os Prisioneiros,

E Seja O Que Deus Quiser...!!!

 

Livrando Dez / Livramos Vinte

E Vinte Livra Quarenta

Quarenta Livra Oitenta

E Oitenta Livra Os Seguintes

 

O Momento É Preciso:

Vendo Irmãos Aprisionados,

Pronto A Ser Escravizados:

Buscam Um Modo Conciso...!!!

 

Respeitoso Como Sempre,

E Respeitado Também,

Falando Como Ninguém,

Cabinda Expôs-se À Frente...!!!

 

Fala Mansa, Sempre Atento:

- Coronél...!!! Estou Pensando...

Nós, Se Entrarmos Caminhando,

Como Quem Fazendo Tempo...

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Qual Quem Faz Parte Da Tropa,

Tranquilo, Rindo A Falar,

Por Certo Não Vão Notar

Que Somos De Outra Galopa...

 

É Preciso Ser Com Arte,

Vamos Apenas Em Três,

Falando Com Altivez,

Como Se Fôssemos Parte.

 

E Entre As Fogueiras Radiais,

Entraremos Caminhando,

Quais Da Guarda Revisando,

Sob Ordens Oficiais...!!!

 

Quem De Nós, De Sangue Frio,

Vai A Toca Do Leão...???

Quem For, Que Levante Mão,

Pra Controlar O Arrepio...!!!

 

Todos Deram Um Passo À Frente

E Ergueram A Mão Ao Alto,

Mas Pombo Então Deu Um Salto

E Disse: Vou Eu, Que É Urgente...!!!

 

Que Seja Feito Com Noção

De Voz Em Tom Rotineiro...!!!

E Assim Foi Feito O Roteiro:

Pombo, Cabinda, E Gavião:

 

-Temos Roupas De Imperiais,

Batedores Que Abatemos;

É Claro Que As Usaremos

Para Transpor Seus Umbrais...!!!

 

Com Uniforme A Rigor,

Boné Cravado Na Testa,

A Face Em Sombra Na Festa,

E Gabando O  Imperador...!!!

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Nos Infiltrando Por Dentro,

Evitando A Descoberta,

Sem Nenhum Sinal De Alerta,

Nós Chegaremos Ao Centro.

 

Nó Cortado / Nó Aberto:

Livres, Sigam Libertando;

Só Depois De Então Libertos, 

Todos Corram Desertando.

 

E O Restante Dos Lanceiros

Em Proteção Bem De Perto

Porque O Comboio Está Certo

De Estar Seguro Ao Pampeiro

 

Acham Que Nos Extinguiram

E Que Já Não Há Inimigos,

Dos Farrapos São Amigos,

Lhes Faremos “Homenagens”.

 

Formem Seis Grupos De Seis,

Equidistantes Na Espreita,

Pra Depois Da Missão Feita,

Se Preciso Façam Vez....!!!

 

Um Berreiro Organizado

Multiplicados Em Mil

Quem Tem O Espirito Vil

Vão Tremer Com Esse Recado:

 

E Á Luz Se Aproximaram,

Em Espiral Descendente,

Falando Ao Tom Do Ambiente,

Buscando Vãos, Se Infiltraram.

 

E O Fogo Em Contra Tempo:

Dava Fiança À Mesma Hora

Pra Quem Chegava De Fora

Pra Quem Saia De Dentro:

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Não Se Expondo Muito Às Luzis,

E Nem Às Sombras Também:

Tato E Confiança Convêm,

Quem Entre Espadas E Cruzes.

 

 

Não Demorou Na Vereda

Pra Nos Sentirmos Em Casa:

Cabinda Até Rechegou Brasas,

Atiçando Uma Fogueira.

 

Nem Precisou Muito Tempo,

E Aos Prisioneiros Chegamos,

As Cordas Fomos Cortando,

Embora Aos Passos Lentos.

 

As Adagas Nas Bainhas,

Por Dentro Das Calças Retas,

Punhal Pra Cumprir As Metas,

Afiado Pra “Ervas Daninhas”.

 

Os Imperiais, Sem Apuros,

Sonolentos No Conforto,

Uns Roncavam Que Nem Porcos -

Nos Infiltramos Seguros.

 

Olhando Aquelas Panças

Daqueles Porcos Dormindo:

Os Corações Ressentindo,

Mas Contemos A Vingança..!!!

 

Nosso Grupo Um Sonho Vive:

Libertar E Prevenir: 

Avisando Que O Porvir;

Só Depois De Todos Livres.

 

São Ás Ordens Da Missão:

Pra Todos, Na Mesma Hora,

Romperem A Campo Fora,

Num Estouro Qual Trovão...!!!

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Foi Libertado As Dezenas,

Combinando Um Tempo Só,

Para Um Estouro Sem Dó,

Ao  Desertarem Da Arena...!!!

 

Já Livrados Do Opressor

Dezenas De Prisioneiros:

Negros Oficiais Lanceiros,

Que O Império Branqueador

 

Revendo-os Sempre Alegros,

Põe O Branco Em Seu Lugar

Conferindo-Lhes O Altar

Enquanto Desmerece O Negro

 

Mas A Guerra Tem Viés,

Surpresas E Sofrimentos:

Cada Acerto Um Alento;

E Cada Erro Um Revés.

 

Um Guarda De Vista Esperta

Enrodilhado Qual Cobra

Percebe Nossa Manobra

E Deu O Grito De Alerta

 

Foi Berreiros De Clarins

E Os Porcos Se Levantando,

E Três Adagas Cortando,

Gargantas, Beiços, Fucins.

 

De Costas Um Para Outro

E Liberdade Gritando

Saímos Dali Cortando 

As Tripas Daqueles Porcos

 

E Ganhamos A Escuridão

Que No Escuro Eles Não Vém

Sabem O Perigo Que Tém:

No Exemplo Da Própria Mão.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Mesmo Em Condições Duras,

Dezenas Foram Libertos:

Os Libertados Espertos

Correrão Pra Noite Escura.

 

Pois Foi Nosso Acerto Interno:

Ao Menor Sinal De Alerta,

O Grupo Todo Deserta

Voando Daquele Inferno.

 

Vendo Injustiça Aos Lanceiros,

Serve Irmãos Subjugados,

E Ao Soltar Aprisionados,

Cabinda Cai Prisioneiro...!!!

 

-Não Matem! O Comando Diz:

-Morrem Pra Não Ser Escravos,

É Aí Que Ponho Os Cravos,

E Crucifico Esse Infeliz.

 

A Liberdade É Bem-Vinda

E Não Se Cala Ao Comando:

Mesmo Preso Abre Rombos -

Mas Levam Então Cabinda...!!!

 

Mais De Oitenta Prisioneiros

Então Ganham A Liberdade,

E Os Imperiais, Em “Bondade”,

Não Ferem Nenhum Lanceiro.

 

Foi Um Estouro De Boiada,

Ao Comando De Cabinda:

“Oiga, Lê, Tchê, Coisa Linda!” -

A Liberdade Sendo Alçada.

 

Os Imperiais Se Aconselham

Nos Porões De Suas Consciências:

A Madrugada É Uma Experiência,

Que Em Covardia Se Espelham..!!!

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Pra Se Sentirem Seguros

Fogueiras Pra Todo Lado

Um Rodeio Iluminado

Todos Com Medo Do Escuro...!!!

 

A Tropa, Uma Gerigonça,

Mas Obrigados Ao Trilho:

Desconfiados Quais Novilhos

Sentindo Cheiro De Onça...!!!

 

Em Lonjuras Regulares,

Titonga Rege Em  Berreiros

Seis Grupos De Seis Lanceiros

Quais Mil Prontos A Atacar

 

De Almas Torpes E  Mesquinhas,

Temendo O Contra Veneno;

Logo Se Encontram Pequenos,

Se Esguaritam Quais Galinhas...!!!

 

Então Nos Pegamos A Rir;

Mais De Quatro Mil Na Armada:

“Valentões Da Madrugada”*

Se Enrodilhando A Grunhir

*Alusão A Porongos

 

Mas... Pra Não Irmos Além:

Uns Duzentos Lá Ficaram,

Os Quais Não Se Libertaram,

E A Tristeza Logo Vêm..!!!

 

E Maior Tristeza Ainda

É Perceber Uma Muralha

Se Erguendo Qual Navalha

Com A Prisão De Cabinda.

 

Não Saem Da Luz Do Fogo

Não Entram Na  Escuridão

Todos De Coração Na Mão

Não Querem Se Arriscar Ao Jogo

 

                                                                 

 

 

 

 

 

 

 

Mas É Preciso Se Conter,

E Então Pensar Com A Razão:

Não Cair Em Tentação

E Botar Tudo A Perder...!!!

 

Os Que Podiam Nos Valer -

Os Oitenta Libertados -

Estão Todos Desarmados,

Nos Charcos A Se Esconder.

 

Mas Inda Somos  Quarenta

A Lhes Rondar Bem De Perto;

Eles Não Vêm A Campo Aberto,

Porque Sabem A Quem Enfrentam.

 

A Noite Nos Faz Cortina,

Mas A Aurora Dá Sinais,

Já Não Suportamos Mais

E Vamos Buscar Cabinda.

 

Mas O Comando Faz  Berreiros,

Gritos Pra Nós Escutar:

- Se Insistirem Em Atacar,

Matamos Os Prisioneiros...!!!

 

Não É Preciso Falar,

Que Pra Por Todos A Salvos,

Evitamos Fazer Alvos,

Ou Nada Iria Sobrar...!!!

 

Não Deixam Vão Pra Atacar,

Tratando-se De Quem Se Trata:

Quem Gente Dormindo, Mata...!!!

Só Nos Resta Acreditar...!!!

 

E O Espírito De Bravo

Entrelaça Os Dois Mundos,

Por Um Corredor Sem Fundo,

Entre Os Livres E Os Escravos:

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

                                            

Do Que Vale A Liberdade,

Ao Sentir-se  Do Outro Lado,

Entre Irmãos Escravizados

Sob A Mão Da Iniquidade...!!!

 

E Sobre Tudo A Impotência

Ao Não Poder Alcançá-los,

Alçar A Mão E Buscá-los,

Salvando Suas Existências...!!!

 

Esperamos Amanhecer

Então Os Seguimos De Perto

Mas Jamais A Descoberto

Pensando No Que Fazer

 

Os Caminhos Se Fecharam

Não Havia Outra Alçada

Prisioneiros, Mãos Atadas

E Os Vãos Não Se Mostraram

 

Então De Longe Os Cercamos,

A Procissão Se Aproxima;

A Rio Grande Está Em Cima,

Conhecemos Onde Estamos.

 

Com a Soltura Inesperada

De Mais De Oitenta Lanceiros:

Um Guarda Por Prisioneiro

Pelo Resto Da Jornada.

 

Veio  A Tarde, Veio  Noite

E Adentraram A cidade

Mas Cabinda Em Liberdade

Foi Se Aguentando Em Açoites

 

Dassor Quem Lhe Libertou

Sem Esperar Pagamento

Mas Foi Questão De Momentos

Cabinda O Desamarrou

 

 

                          

                    

 

 

 

 

 

 

Guardas  Alheios E A Brecha,

Na Manha Do Dorso A Dorso,

Um Desamarrou O Outro,

Pra Voarem Feito Flechas.

 

No Porto Aduaneiro

Kabinda Quadrou O Corpo

Pois Já Se Encontrava Solto

Se Fingindo Prisioneiro

 

Mas Dassor Voou Primeiro

E Mergulharam No Mar

Ninguém Pôde Adivinhar

E Sumiram Entre Veleiros

 

Nadavam Que Nem Jaguar:

Mergulharam Nos Desvio,

Entre Os Cascos Dos Navios

Somem Nas Ondas Do Mar.

 

Buscando A Praia No Braço

São Quais Aves Migratória

Em Noção De Trajetória

Com Resistência De Aço

 

Já Era Então Noite Alta

Um Lindo Céu Estrelado

Cobria Um Pranto Trancado:

Irmãos Sempre Fazem Falta

 

Ouve-se Ao Longe Grunhidos:

Meia Noite A Despertar

Os Esturros De Um Jaguar

Foi Ecoando Aos Ouvidos

 

Então Nos Veio A Certeza:

Cabinda Está Bem E Vive,

Sinal Que Está Perto Livre,

Das Garras Da Fortaleza.

 

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Esperávamos Mais Gente,

Mas Só Cabinda E Dassor...

Que Tristeza, Meu Senhor...

Face Erguida Frente A Frente

 

Não Houve Maneira, Ou Modo:

Perguntando O Que Fazer:

Foi Cada Um A Se Valer,

E Orum Valendo Por Todos

 

E Dassor Lhe Deu Razão:

Não Houve Tempo A Perder

Foi Libertar- se, Ou Morrer,

Em Vida Na Escravidão.

 

Estão Todos Embarcados

Saindo Do Ancoradouro

Os Protegem Qual Tesouros

Vão Pra Leilões No Mercado

 

Foram Levados Pro Norte,

Nos Sentimos Quais Cativos:

Perdendo Irmãos Inda Vivos

Pra Coisa Pior Que A Morte

 

(A Vontade De Ficar...

E Ao Sofrimento Se Unir /

Contra A Vontade De Partir

E Então Morrer A Pelear)

 

As Imagens Vão Rodando

As Lágrimas A Rolar

Quem Que Pode Segurar

Este Abismo Se Afundando

 

Cabeças Pende Pro Chão

Questões Assolam A Mente

O Que É Mesmo Ser Prudente

A Emoção, Ou A Razão...???

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

É Como Ser Empurrados

Contra A Parede Moral,

(O Que É O Bem, O Que É O Mal), Pela Aflição Atordoados...!!!

 

E De Olorum A Jesus,

Somos Livres E Escravos,

Quais Corpos Nos Mesmos Cravos,

Pregados Na Mesma Cruz...!!!

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 


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