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A Batalha
De
Porongos
A Emboscada
(Primeiro Livro)
Os Resistentes
(Segundo Livro)
O Desterro
(Terceiro Livro)
Linguagem Entre O Coloquial E O Culto
A Serviço Do Ritmo Em Redondilha Maior
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A Emboscada
Capitulo XV
Poema I
01- Quem Da Serra Ali Chegasse,
Enquanto Se Aproximando,
Iria Logo Apontando,
As Divisões Em Transpasses:
02- No Centro A Tropa De Elite,
Com Oficiais, E Os Mais Chegados,
Puxa Sacos, Paus-Mandados,
Espiões E Seus Palpites,
03- Mais No Alto A Descoberto,
Os Homens Da Artilharia,
Pra Apoio À Cavalaria,
Nas Lutas A Campo Aberto.
04- À Direita Os Peões Campeiros
Ao Sul Os Índios Pampianos,
Ao Norte Os Guapos Mundanos,
E À Esquerda Os Lanceiros Negros.
05- Bem Às Costas Dos Lanceiros,
Com Guerreiros Uruguaios:
Negros De Outros Atalhos,
É Souza Neto, O Matreiro*.
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06- E Pra Barrar Incidentes,
Com As Tropas Do Barão:
Os Infantes Bem A Frente,
Vão De Bucha De Canhão:
07- Negros Índios E Mulatos,
Com Os Brancos Maltrapilhos,
Vida Dura, Rude Trato,
Em Luta Buscando Auxílios.
08- Sem Uma Escolha A Calhar:
A Mal Comer E Mal Dormir,
Na Guerra Só Podem Entrar,
Sem Jamais Poder Sair.
09- Estas Eram Diferenças,
De Oficiais Pra Esses Soldados.
Os Primeiros Mudam Lado,
E Jamais Levam Sentenças.
10- Pros Segundos Não Há Jeito,
Se Desertarem Da Guerra,
Reservam-Lhes O Direito,
De Sete Palmos De Terra.
11- Estes Iam Bem A Frente:
À Vanguarda Da Vanguarda.
Direitos: Morrerem Antes,
Pra Dar Tempo A Toda Guarda.
12- Com Espingardas Primitivas
De Municiar Por Etapas:
Se Acertar... O Diabo Escapa,
Se Errar... Perdem A Vida...
13- Sempre A Pé, Diante A Estar,
E A Retaguarda A Cavalos,
Pra De Longe Avistá-los;
Não Deixá-los Desertar.
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14- Depois Do Primeiro Tiro
De Cada Arma Empunhada,
Surgem Os Lanceiros Na Alçada
Fazendo Frente Ao Perigo.
15- Isso... Porque A Demora
Pra Cumprir Todas As Etapas,
Precisa De Uma Penhora,
Qual Pegar Boi Pelas Aspas:
16- Vazar Pólvora No Cano,
Socar Bucha Com A Vareta,
Repetir Tudo Com O Estanho,
Encaixar A Espoleta...
17- Então Neste Meio Tempo,
Os Lanceiros Quais Tornados,
Põe Imperiais Atordoados,
E Os Rechaçam Em Tormentos.
18- Eram Lutas Frente A Frente,
Trançadas A Campo Aberto,
No Perigo, Ao Descoberto:
Impávidos, Continentes...
19- Tilintar Do Ferro Branco,
E Centenas De Cavalos,
Relinchos, Berreiro, Estalos,
O Poeirão E O Solavanco...
20- Os Inimigos De Encontro,
Trombando As Cavalarias,
Um Cenário De Agonia,
Quem De Fora Vê O Confronto:
21- Terror Que A Visão Orvalha,
Quando Concentra O Combate,
Num Redondel Sem Escape,
Quem No Centro Da Batalha.
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22- Tropel Qual Longo Trovão,
E Quando Baixa A Poeira,
Por Visão Mais Que Certeira,
Corpos Caídos Ao Chão...!!!
23- Cem Por Cento Dos Combates
Que Os Infantes Empregavam,
Junto Os Lanceiros Peleavam,
Garantindo Lhes O Embate.
24- E A Retaguarda Na Espreita,
Pra Que Se Preciso O Apoio...,
Mas Houve Casos E Feitas,
Que Folgavam Em Pleno Aboio.
25- Então
Levanta-se Um Pardo,
Mais Negro / Do Quê Charrua,
Caminha E Tilinta As Puas,
Pra Prosear É Qual Um Bardo.
26- E
Busca Um Fecho De Lenha,
Rechega E Atiça O Fogo.
Depois Seva Um Mate Novo,
Enquanto Aquece A Resenha:
27 - Pois
Quem Manda Melhor Faz,
Quem Obedece É O Aprendiz,
E Quem Pretende Ser Feliz,
Que Viva Do Que É Capaz.
28
– Pois Assim É O Vivente,
Nunca Serviu Pra Peão,
Nem Tão Pouco Pra Patrão,
Peleia Em Razão Consciente:
29 - É Caldeira, Entre Os Lanceiros,
Guerreiro Cheio De Glorias:
Vai Nos Contando A História,
Mateando Em Volta Ao Braseiro:
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Poema
II
1-
Numa Quieta E Morna Noite,
Toda
Aberta E Estrelada,
A
Lua Nova Virada,
Todos
Dormindo À Vontade.
2-
E O Brilho À Fraternidade,
Ao
Compasso De Espera,
Anunciando
A Nova Era,
Bálsamo
Pra Insanidade:
3-
Só Uma Questão De Tempo,
E
Teria Fim A Guerra,
Campos
Mares Rios E Cerras,
Pra
Voar Solto Qual Vento.
4-
A Liberdade A Chegar,
A
Despontar Encilhada,
Só
Montar E Cavalgar,
E
Escolher Rumos E Estradas.
5-
Dar Asas Ao Pensamento,
O
Sonho De Um Bem Querer,
Rancho
E Terra Pra Viver,
E
A Criação A Contento.
6-
Mulher E Filhos Por Perto,
Amigos
Livres Também,
Caminhos
Pra Ir Além,
A
Campos E A Céus Abertos.
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07-
Merecida Recompensa,
Por
Anos De Empenho E Luta,
Que
Venha Qualquer Labuta,
Na
Livre Escolha Pra Senda.
08-
Campos Lavouras Charqueadas,
Qualquer
Trabalho Braçal,
O
Esforço Não Fará Mal,
Pra
Sonhos De Asas Alçadas*.
09-
Projetos De Liberdade,
Um
Futuro Pra Pensar,
Sorrir,
Cantar e Dançar,
A
Bem Da Própria Vontade.
10-
É Isso Que O Homem Quer,
Nada
Mais Lhe É Preciso:
Que
Escolhas Pro Bom Juízo:
Julgar
O Que Lhe Convier...!!!
*Tupinambá
Nascimento nos diz em seu Livro – O Negro E A Revolução
Farroupilha - que: (Os Lanceiros e os Infantes acreditaram nas negociações de
paz e na trégua: a retirada das munições das espingardas: as armas, era o sinal:
o fim da guerra, e lanceiros e infantes passaram a sonhar e projetar com a
liberdade prometida em recompensa há anos de lutas empregados no fronte).
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Poema III
01-
Sonhos Que A Noite Leva,
Angustias
Que O Dia Trás,
Uma
Esperança De Paz,
Pra
Uma Emboscada De Guerra.
02-
As Certezas Destroçadas,
A
Traição, A Insanidade,
Repentina
Tempestade
Assolando
A Madrugada.
03-
Se Acordar De Um Sonho Lindo,
E
Cair Num Pesadelo,
Lanças,
Espadas, Flagelos:
Portas
Do Inferno Se Abrindo.
04-
E Sobre Tudo O Castigo
De
Se Ver Numa Emboscada,
Sem
Ter Valência De Nada,
Em
Meio A Mil Inimigos.
05-
“Se Correr O Bicho Pega,
Se
Ficar O Bicho Come”.
Quem
Tem A Honra Dos Homens,
Em
Pé Se Sustenta Às Cegas.
06-
A Própria Morte Em Cruzeiro,
Faz
Visita Repentina,
Feito
Sombras Assassinas,
Pra
Despertar Os Guerreiros.
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07- Negros
Em Pontas De Choupas,
Sem
Trincheiras, Acampados,
Sinistros
Clarins Rasgados,
Atirando
À Queima-Roupa.
08- Não
Há Tempo Pra Pensar.
Quem
É Talhado Pra Guerra,
Num
Salto Tem-se A Pelear,
No
Terror Que Ali Se Encerra.
09- Correm
Em Socorro Aos Infantes,
Os
Lanceiros Pelo Atalho,
Mas
O Ataque É Qual Um Raio,
Em
Violência Fulminante.
10- Os
Confrontos Esperados,
Olho
A Olho, Braço A Braço,
Na
Empunhadura Do Aço,
São
Pros Guerreiros Honrados.
11- Mas
Assim: Infame Ardil,
Fruto
De Um Covarde Engenho:
Pela
Paz Fingir Empenho,
Armando
Emboscada Vil:
12- Um
Cenário Pra Ilusão,
Relaxamento
Insolente,
Facilitando
O Acidente:
Forte
Cheiro De Traição.
13-
Entre O Vendaval Presente,
Muitos
Não Intendem Nada,
Mas
Se Alertam Os Mais Cientes:
Sentem
A Carta Marcada:
14-
Nas Contas De Um Calendário,
Conluio
Medido À Régua,
Acenando
Com A Trégua,
Quais
Ribaltas Pro Cenário
|
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15- De
Um Satânico Rosário
Num
Lirismo Comovente
Pausas,
Falas Convincentes,
Pra
Um Teatro Sanguinário!
16-
Costuras De Espiões,
Uma
Falsa Boa Nova,
Pra
Nos Preparar A Cova,
E
Extinguir Nossas Razões.
17-
Promessas, Negociações:
Não
Haveria Combates:
Pra
Nos Cevar Pro Abate,
E
Nos Cortar Os Tendões!
18-
Os Imperiais Em Estrondo,
Um
Corte Rachando O Sono.
O
Bichará* Revoando,
O
Encontro Com O Abandono!
19-
A Busca Do Próprio Corpo,
Em
Socorro De Si Mesmo /
E
A Busca De Si Mesmo,
Em
Socorro Ao Próprio Corpo.
20-
Na Peleia Quase Às Cegas
Quais
Náufragos Sem Um Porto;
Ver
Que O Tratado Está Morto
Na
Violência Da Refrega...
21-
- É Nadar Na Tempestade,
Nas
Ondas De Um Oceano,
Que
Invadem O Barco Afundando
O
Sonho E A Liberdade.
22- Então
Saltam Os Lanceiros,
Que
Iludidos Com A “Paz”,
Guerreiam
Em Tempo Primaz,
Em
Socorro Aos Companheiros:
|
|
23-
Que Os Infantes Vão No Braço,
Sem
Cartuchos É O Remédio,
Contra
O Sanguinário Assédio,
Desferido
A Fogo E Aço:
24-
As Espingardas Sem Cargas,
Sobram
Coronhas, Facões,
E
O Luxo De Alguma Adaga,
Pra
Buscar As Soluções.
25-
Homens Da Linha De Frente,
Primeiros
Atocaiados.
Todos
Foram Massacrados,
Muitos
Ainda Dormentes.
27- Retaguarda
Farroupilha:
Todos
Sumiram No Ataque,
Os
Lanceiros Sentem O Baque,
Em
Socorro A Infantaria.
28-
Um A Um Tombando Ao Chão,
Em
Resistência Sem Igual,
Contra
O Império Do Mal:
Torturas
E Escravidão.
29-
Batalha Em Desigualdade,
Covardes
Na Madrugada,
Assassinos
De Emboscadas,
Em
Cruas Atrocidades.
30- Crueldades
Aos Requintes,
Centenas
Surgem Atacando,
Os
Que Foram Se Acordando:
Era
Um Pra Cada Vinte...
31-
Imperiais Caem De Enxame
Emboscando
O Local,
Quais
Mortos Vivos Do Mal,
Sobre
Lanceiros E Infantes.
|
|
32-
Quem Mostrou O Paradeiro...???
Quem
Detalhou O Lugar...???
Justo
Onde Estavam À Acampar
Os
Infantes E Os Lanceiros...???
33-
Hoje Ponho-me A Pensar,
Que
Houve Um Traidor Maleva,
Guiando
O Inimigo Nas Trevas,
Mostrando
O Exato Lugar.
|
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Poema
IV
01
- O Coronel Gavião,*
Irmão
De Igual Para Igual,
Consciente
Em Sua Razão,
Desde
Os Campos Do Seival.
* Comandante Dos Lanceiros, O Coronel Teixeira
Nunes, Carinhosamente Chamado De Gavião. Comia, Bebia, Mateava
E Acampava Junto Aos Negros, Foi Fiel, Amado E Respeitado
Pelos Lanceiros.
02- Abolicionista
Ferrenho,*
Guerrilheiro
Americano,
Quis
Unir Todas As Raças,
Num
Sonho Republicano,
* Fazia Parte da ala abolicionistas que, desejava e
lutava por uma República com todos livres.
03-
Por Ser Leal A Os Lanceiros,
Desde
O Começo Ao Fim,
Foi
Alvejado Primeiro,
Mas
Se Boleou Pro Capim.
04-
Rolou Pra Trás Dum Cupim.
Com
A Lança Escorando O Tombo;
Rasgando,
Lombos, Mondongos,
Buchadas,
Goelas, Fucins”.*
05- E
Grita: Avancem Lanceiros,
Que
O Contratempo É Gigante,
Peleando
Pelos Infantes,
Peleamos
Por Companheiros!!!
|
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06-
Gavião: É A Própria Lança,
O
Bichará No Contra Braço,*
Aparando
Pontas De Aço,
Tem
Pena De Quem Alcança.
07- Quando
Alça A Lança No Espaço,
Em
Um Alvo Em Claro Ataque,
Ao
Ver O Tremor Do Baque,
Julgando
O Estrago Do Aço:
08- Deseja
Abandonar Tudo:
Em
Sentimentos Profundos
Quer
Ir Embora Do Mundo,
Mas
Pensa Peleando Mudo:
09-
“Não Há Outra Solução,
É
O Corpo A Corpo Mortal,
Contra
O Desmando Imperial:
“De
Abusos E Escravidão”.
10-
Se Dar Conta Do Engodo...
E
Da Longa Trama Armada:
O
Uso Da Paz Sonhada,
Pra
Então Revelar O Lodo...
11-
Depois De Um Jardim Eterno,
De...
Em Luzis Vestir Um Véu:
É
Como Sonhar Com O Céu,
E
Se Acordar No Inferno.
12-
Ver-se Pro Abate Na Ceva:
A
Tropeçar Pro Abismo,
Qual
Uma Peça Do Cinismo,
Então
Se Encontrar Nas Trevas:
13- Cair
Na Realidade:
Se Dar
Conta Da Conversa,
Fazendo
Trama Perversa,
Conspirando
A Insanidade:
|
|
14-
A Honra... Foge Ao Juízo:
Faz
Gana Que Vem E Explode,
E
A Lança Rasga A Quem Pode,
E
Mata Porque É Preciso.
15- Na
Raiva Tem-se Possesso,
E
Violento Qual Um Raio,
Retalha,
Desfere Talhos,
Depois
Sente-se Do Avesso:
16- O
Coração Se Assusta,
Acusa
E Condena O Feito,
Mas
A Razão A Despeito,
Berra
Que A Violência É Justa.
17- Fecham-se
Olhos, Ouvidos,
Na
Tentativa Extremada,
De
Não Querer Sentir Nada,
Mas
Nunca Dormem Os Sentidos.
18- E
Mesmo Em Sonhos Atentos,
Nos
Cobram Os Nossos Feitos:
Quem
Tem Alma E Sentimentos,
Apertos
Arrocham O Peito.
19- É
O Julgamento Da Mente:
Mesmo
Matando Em Batalhas,
Que
Sejam Os Mortos Canalhas,
A
Consciência Cobra E Sente:
20-
É O Coronel Gavião,
Guerreiro
Em Porte Titã,
Sonhando
Com Leviatã,
Mas
Irmanado À Razão.
21-
Símbolo De Resistência,
Vontade
De Todos Nós,
Contra
O Império Feroz,
Que
Escraviza Às Existências...!!!
|
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22-
Empenhos Pela República:
Luta
Contra O Escravismo,
Os
Apartes Do Racismo,
Na
Identidade Gentílica...!!!
23- Traído Em Quarenta E Dois*,
Na
Vital Resolução,
Que Traria A Abolição...,
Vendida Aos Donos Dos Bois...!!!
*Gavião, Ferrador e Mariano defendiam uma
resolução que entraria para os artigos da constituição Rio-Grandense
legalizando a abolição da escravatura. Foram traídos por companheiros
farroupilhas que venderam os próprios votos para o império a peso de ouro.
*Gavião, Ferrador e Mariano defendiam uma
resolução que entraria para os artigos da constituição Rio-Grandense
legalizando a abolição da escravatura. Foram traídos por companheiros
farroupilhas que venderam os próprios votos para o império a peso de ouro.
24- A Lei Maior Rio-Grandense,
Pendeu Pra Aristocracia:
Direitos A Oligarquia,
Qual Uma Peça Circense.
25- E O Republicano Sério,
Teve Que Ver Frente A Frente,
Um Governo Indiferente,
Às Injustiças Do Império...!!!
26- Mas Seguiram Em Lealdade,
Representando Na Armada,
A Palavra Empenhada:
Que Haveria Liberdade...!!!.
27- Resistência Inabalável
Na Incansável Labuta
No Emprego Da Mortal Luta
Contra O Mal Inominável...!!!
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Poema
V
01-
É Feio Matar Pessoas,
Mas
É Matar, Ou Morrer,
Não
Há Outra Coisa A Fazer
Frente
O Metal Que Ressoa:
02-
Rebate, Corta E Retalha,
Em
Legitima Defesa,
Com
Urgência E Presteza,
Frente
O Manto Da Mortalha.
03-
Do Império Muitos Tombaram:
Disseram
Ninguém Perder,
Há Muito Por Se Dizer:
Se A história É Dos Que Venceram:
04- Contam
Só Os Mortos Negros,
Em Seus
Lúgubres Exames,
Não Dizem
Quem São Os Brancos,
Que
Cheiravam A Sebo E Sangue,
05- “Não É
O Sangue Lanceiro,
É O Cheiro
Do Sangue Imperial,
Catinga De
Carniceiros,
Cheira A
Urubu E Chacal”.
06-
E Se Ergue O Negro Bomani,
Um
Corisco No Trabalho,
Deixou
Um Ataque Passar,
Numa
Manobra De Atalho.
|
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07-
Virou-se E Viu De Soslaio,
Vindo
Alguém Por Trás Qual Bruxo,
Numa
Relampejar De Lança,
Sai
Fora E Rasga lhe O Buxo.*
08-
Vêm Outro Porco Em Repentes,
Guinchando
Império Em Estrofes,
Bomani
Deu-lhe O Costado...,
Passou,
Mas Deixou Os Bofes.*
09-
Um Terceiro Cruza A Risca ,
Golpeando
Qual Um Tinhoso,
Rosnando
Qual Cão Furioso,
Saltou,
Mas Deixou As Tripas.
10-
E Logo Um Diabo Chinfrim,
Cheirando
À Gente Imunda,
Veio
Lavrando O Capim,
Cruzou,
Mas Deixou A Bunda,
Vindo
Por Trás De “Mansim”,
Contra
Atacou Um Parceiro,
Cruzou
Que Nem Boi Roceiro,
Pulou,
Mas Deixou O “Fucim”.
11-
E Mais Um Que Avança Aos Botes:
Gritando:
Viva O Império...!!!,
Cortando,
Peleando Sério,
Varou
Passou, Mas Deixou Cangote.
Atacavam De Enchurrada
Mas Pra Guerreiro Na Senda
Com Dez Anos De Contenda
Meia Dúzia É Quase Nada
12-
E Somou- se Outro Berrando:
(Salve
O Império / A Mornarquia,
Rasgou-lhe
Do Beiço Às Virilhas,
Entrou,
Mas Morreu Peidando.
|
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13- Bomani
Se Pôs A Rir,
Isso
Que Era Negro Sério,
Pois
Lhe Pareceu Ouvir,
Que
O Peido Gritou: -"Império"...!!!
14- Voltou
À Luta Em Silêncio,
Olhos
Nos Olhos Do Inimigo,
Quando
De Enxame Há Perigo,
Peleia
Golpeando Cônscio.
15-
Que Mate O Quanto Puder,
É
O Escravagismo Insano,
Que
Caça Seres Humanos,
Pra
Torturar E Abater.
16-
A Lança Ataca De Ponta,
Volteios,
Cortes Cruzados,
Atendendo
A Todo Lado,
Porque Matar Tá Na Conta.
17- Cerne De Lei, Braça E Meia,
No Extremo Ponta De Aço,
A Lança Alça E Golpeia,
Racha Ossos E Espinhaços:
18- Guajuvira Nasce Às Mechas
Cresce Na Beira Das Sangas
Pra Guiadas, Canzis, Cangas...
Pra Lanças, Arcos E flechas:
19- É A Madeira Que Celebra
O Rude Macio Dos Matos
Sem Falquejo, Ou Fino Trato:
Dobra, Verga E Não Se Quebra.
20-
Numa Refrega Apreçada,
À
Luz Da Boieira Tardia,
Vê
Uma Lança Arremessada,
E
Um Bichará Que O Protegia:
|
|
.
21-
Kabinda Salvou-lhe A Vida,
E
Emparelhou-se Ao Costado,
De
Sobra Lanceou Um Outro,
Varando
De Lada a Lado.
22-
Pra Muitos Ainda Deu Tempo,
De
Enrolar O Poncho Ao Braço,
Bichará
De Lã Batida,
Que
Apara Corte E Pontaço...!!!
23-
Mas Pra Quem Perdeu O Compasso,
Sem
Trincheiras Na Emboscada,
Pelearam
Com As Mãos, Mais Nada,
Contra
Espadas E Balaços:
24-
Sombras Furtivas Na Noite,
Espadas
Rasgando Em Cortes,
Balas
Chovendo Em Açoites.
São Mensageiras
Da Morte.
25-
Avança O Negro Kabinda,
Que
De Um, Varou lhe As Costelas,*
D’outros, Cruzadas De
Adaga,
Cortam
Orelhas, Beiços, Goelas.
26-
Arromba Os Lombos, Buchadas,
Panças,
Caras E Pescoços,
Em
Defesa No Alvoroço,
Lado
A Lado Na Emboscada.
27-
Só Há Tempo Pra Esquiva,
E
As Sobras Pro Contra-Ataque,
No
Tremor De Cada Baque,
Em Vagalhões
De Ondas Vivas...!!!
28-
Imperiais Vindo De Enxame,
Mesmo
- Fôssemos - Caindo,
Nossas
Lanças Iam Abrindo
As
Carcaças Vis Infames.
|
|
27-
Pecado... Pelear Sem Lume,
Contra
Torpes De Armadilhas:
Se Tombam... Da Própria Encilha
Se
Borram, Cheirando A Estrume...!!!
28-
Quem Não Tem Honra Por Cina:
Vive
Pra Matar, Mais Nada,
Rescendem
A Fedentina,
Dentro
Da Própria Emboscada...!!!
29-
Covarde Que Vive A Esmo,
Sem
Preparo Pra Morrer,
Quando
O Fim Vem Pra Lhes Ter,
É
Um Tombo Sobre Si Mesmo.
30- Foi Se Infestando O Mau Cheiro,
Daquelas Almas Doentes,
Que Matavam Nossa Gente...,
Buscavam Escravos Pro Império...!!!.
31- Mas A Brisa
À Nossas Costas,
Nos Liberou Pra Sentir:
O Doce Aroma A Reagir,
Dos Campos Como Resposta...
30-
Peleamos No Contra Tempo,
Mas
Na Essência Dos Capins,
À
Aragem Da Pampa Em fim,
Que Nos
Chegava Aos Ventos...
Por Certo
Foi Olorum
Que
Perfumou O Lugar
Pra Quem
Morreu A Lutar
Subindo
Aos Campos De Orum:
31- E
Fomos Partindo Em Viagem,
Fazendo O
Passamento,
É Natural
O Momento,
Pra Quem
Tem Honra E Coragem...!!!
|
|
(Falo
Assim, Isso Porquê,
Me Sinto
Também Tombado
Como Parte
Do Legado
Que Faz Lembrar
E Sofrer),
32- E Qual
Suave Falésia,
As Almas
De Nossos Mortos,
Foram
Subindo Dos Corpos,
Com A
Fragrância Das Frésias...!!!
33- Perfume
De Campo Em Flor,
Aroma Leve
Na Aragem,
São As
Almas De Passagens,
De Quem
Morreu Por Amor:///
34-Por
Amor À Própria Vida,
À Justiça,
À Liberdade,
A Honra, A
Dignidade...
Sem Se
Ajoelhar Por Guarida...!!!
35- São As
Leis Do Mundo Aiê,
Pra Quem
Vive E Morre Honrado,
Olorum Do
Outro Lado,
No Mundo
Orum Vem Nos Ter...!!!
|
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Poema
VI
Em
Seus Relatos Na História,
Nos
Descrevem Assustados,
Surpresos
Desorientados...
Arrastam
Pra Si A Glória:
Que
A Luta Foi Se Iniciando
E Já
Estava Acabada,
Mas
Desde Alta Madrugada,
Amanhecemos
Peleando.
Ninguém
Surge A Socorrer,
Muitos
Fogem, Quais Selvagens,
Desertam,
Partem Em Viagens:
Sequer
Um Pra Nos Valer.
Honramos
Os Farroupilhas,
Por
Anos De Empenho E Luta,
Mas
Na Prima Noite Bruta,
Sumiram
Trás-Das-Coxilhas...!!!
01- Os Imperiais Vem Em Nuvens,
Fuzil
E Espada À Vontade,
Em
Nome Da Infâmia Servem,
Dizimando
A Liberdade.
02- São
Quais Hienas Famintas,
Não
Haveria Acordos,
Atiram
Em Dominados:
Já
Rengos, Manetas, Tortos,
|
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03-
Vão Nos Moendo Aos Poucos,
Qual
Trigo Em Pedra De Mó,
A
Razão Não É A Vitória,
É
O Extermínio Sem Dó.
04-
A Escuridão Faz Alçada,
Pra
Proteger Seus Ardis,
O
Fogo Faz Lusco Fusco,
Mostra
O Alvo Dos Fuzis.
05-
Então Bomani E Gavião,
Atraídos
Pro Nascente,
Pruma
Corja De Imperiais,
Lhes
Atacar Do Poente.
06- Pombo Grita, Eles Se Viram,
A
Boieira Faz Favores,
A
Tempo Deles Notarem,
Outros
“Atocaiadores.”
07-
Gavião Guarda O Nascente,
Kabinda
Junto A Bomani,
Percebem A
Cilada A Tempo,
Braços
E Lanças Se Expandem:
08-
Rumor De Novilhos Xucros,
Fazendo
Escarcéu No Brete,
É
Lança Que Puxa E Mete,
Zunindo
Contra O Empuxo.
09-
Urros, Bufos E Gemidos,
Entre
Os Berros Desusados,
Quais
Porcos E Bois Sangrados,
Morrem
Guinchando E Mugindo.
10-
Relampejares De Adagas,
Lanças
Em Cortes Cruzados,
Não
Dão Sequer Pra Partida,
São
Dez Corpos Empilhados.
|
|
11-
Ombro A Ombro Braço A Braço,
Lutam
Um Guardando Outro,
O
Dorso Guardando O Dorso,
O
Bichará Barrando O Aço.
12-
E Os Assassinos Atacam
Quais
Mortos Vivos Penados,
Fazem
Alvo Pelas Costas,
Matam
Vencidos, Dobrados.
13-
Já Fazendo Lusco Fusco,
Aurora
Crepuscular,
A
Tênue Luz A Brilhar,
No
Amanhecer Mais Que Brusco.
14-
Uns Furtivos, Vem E Falham..
E
A Os Tombos Fogem Corcundas,
Deu
Pena: Deixam Vazar,
Com
Alvos De Lombo E Bunda...!!!
15-
Pombo E Milonga Se Riem...,
Mas
Não Dá Tempo Pra Nada,
Gavião
Chama Em Tenência,
Chegam Quais
Vacas Alçadas.
16-
Nos Cercam Quais Fossem Entulhos,
Na
Vil E Macabra Dança,
Vem
Um Valentão E Avança,
Kabinda
Lhe Abre O Pandulho.
17-
Desse Eu Lembro A Visão:
Num
Clarão Que Não Se Apaga,
Um
Relâmpago De Adaga,
E
O Tripório Todo Ao Chão:
18 – Lanceiro Com Tempo Ao Ferro,
Que Arma-se Até Os Dentes,
Não Se Perde Nos Repentes,
E Jamais Dá Chance Ao Erro...!!!
|
|
19- Honra E Dignidade
Transbordam Na Luz Da Aura,
Um Vulcão Mantem-se Em Calma,
No Furacão De Insanidade...!!!
20- De Índole Mansa E Altiva,
Tem Coragem Aos Balaios,
E Ao Mesmo Passo É Um Raio,
No Ataque E Na Esquiva...!!!
21- Muito Depois Eu O Vi,
Livre E Solto Qual O Vento,
Senhor De Seu Pensamento,
Com Sua Amada Guarani...!!!
Lutei Ao Lado De Grandes,
Protegido - Em - Proteção,
Dorso A Dorso, Lança Em Mãos,
E O Bichará Que O Aço Abrande...!!!.
Pra Que Viéssemos Honrar,
Com Maestria O Ofício,
E Executar O Artifício,
Da Maestria De Lutar...!!!
Em Busca Da Liberdade,
Que O Estado Prometeu,
Se Serviu E Se Valeu,
E Devolveu A Iniquidade...!!!
|
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Poema
VII
01-
Peleávamos Por Direito,
E
Embora Em Resistência
Mantendo-nos
Em Tenência
Tombávamos
A Todo Jeito.
02-
Sem Trincheiras, Estacadas,
Expostos
À Varredura,
Lua
Nova, Noite Escura,
Dormindo
Na Madrugada...!!!
Como
Foi Que Longe De Erros
Descobriram
Onde Estávamos,
Entre
A Todos Que Acampavam,
Qual
Um Alvo Ao Pé Do Cerro...???
03-
Farrapos Brancos Servis,
Sumiram Ao
Terror Da Luta,
Ficam
Os Negros Na Labuta,
Contra
Um Dilúvio De Vis...!!!
04-
Muitos Infantes Sem Armas,
À
Morte Gritaram, Não!
E
Tomaram De Imperiais,
As
Armas De Suas Mãos.
05-
Um Derradeiro Compasso,
De
Um Justo Golpe Fatal,
Tomavam
Armas No Braço,
Num
Corpo A Corpo Mortal.
06-
“Peleando Contra O Eterno,
No
Suplício Do Momento:
Num
Interminável Tempo,
Que
É A Lei De Todo O Inferno”...!!!
|
|
07-
Mas O Fuzil Do Inimigo
Tem
Bala No Atirador*
Mesmo
Em Mãos, Gastando A Bala,
Não
Há Bala Para Repor.
08- O
Cartuchame Do Rival,
Está
Em Sua Cintura,
Mas
Curvar-se Pra Pega-lo,
É
Cavar A Sepultura.
09-
Atacam Quais Gafanhotos,
Em
Nuvem De Aluvião,
Não
Há Tempo Pra Lutar,
Nem
Centelhas Pra Razão.
10-
Ceifam Vidas Às Dezenas,
As
Matam Sem Compaixão,
Visam
Mais Do Que A Vitória,
É
A Morte, Ou A Escravidão.
11-
Entre A Covarde Refrega,
Foi
Vital Se Por A Salvo:
As
Costas São Sempre Alvos,
Pros
Assassinos Chumbregas.
12-
Um De Costas Pro Outro,
Num
Lampejo De Consciência,
Desse
Jeito A Resistência,
Mas
Fomos Tombando Aos Poucos,
13-
Foi Assim O Insano Tombo,
O
Desigual Dos Desiguais,
Contra Covardes,
Hediondos:
Vis
A Não Poder Mais...
14- Cada
Lanceiro Peleava,
Com
Vinte Imperiais Sem Dó,
Os
Companheiros Caiam,
Quais
Pedras De Um Dominó:
|
|
15- Aquilo Foi Dor, Paixão...!
Num
Lampejo Da Experiência,
Gavião* Chama
Em Consciência,
Os
Lanceiros À Razão,
16-
Mas Se Emperram Mais E Mais,
Lanceiros
À Duras Penas,
Contra
Enxames De Hienas,
Brandindo
Golpes Mortais.
17- Com O Bom Senso Aos Domínios:
Gavião
Entende A Razão:
O
Projeto... É O Extermínio,
E
As Sobras Pra Escravidão.
18-
Reconhecendo A Derrota,
Conscientes
Da Situação,
Palavras
Voam Das Bocas,
Agacham-se
Rente Ao Chão
19- Gritam, Chamam Pelos Nomes:
Pra
Abandonarem A Luta,
É
A Mais Desigual E Bruta,
São
Carniceiros Com Fome.
20- Mas A
Honra Faz Conselhos,
E Muitos
Preferem A Morte,
Que
Escapar Daquela Sorte,
Sem Poder
Se Olhar No Espelho.
21- Outros
Usando A Razão:
Não Tem
Porque Resistir,
Percebem
Que O Não Fugir,
É A
Completa Extinção:
22- Da
Vida E Da Liberdade,
Dos
Anseios, Todo O Sonho:
Trocar
Mundo Sem Tamanho,
Pela Morte
E A Iniquidade...
|
|
23-
Rastejam, Fogem Do Inferno,
Dezenas
De Companheiros,
Vão
A Pé, Ou A Cavalos,
Se
Embrenhando No Pampeiro.
24-
No Lusco Fusco Da Aurora,
Perdem-se
Na Imensidão,
Em
Pensamento Irmanados,
Lanceiros
E Gavião.
25-
Negros Corações Latentes,
Rumor
Do Império Atacando
Galopam
Com Os Resistentes
Em
Suas Mentes Lutando:
26-
Que Se Fincaram Lá Atrás,
Numa
Luta Sem Igual:
Grandiosidade
Moral,
De
Quem Livre Morre Em Paz!
27-
Valentes Obstinados,
Dão-Nos
Proteção E Aporte,
Lançando
Luz E Legados,
Calçam
O Pé Até A Morte.
|
|
Poema
VIII
01-
Impávido O Cerro Tomba,
Porongos
Em Silêncio Berra,
Atocaiado
Na Sombra,
E
Destroçado Por Terra.
02-
Entre A Turva Madrugada,
Pra
Quem Viu Toda A Chacina,
Foi
Mesmo Que Ver Fantasmas,
Feito
Sombras Assassinas.
03-
Ao Longe Se Ouve Os Disparos,
Em
Silêncios E Refrães,
Causando-Nos
Desamparos,
Ao
Lembrar Execuções.
04-
Sem Clemência E Sem Razão,
Morte
A Os Que Aniquilavam,
Porque
Já Não Se Prestavam,
Ao
Retorno À Escravidão.
05- À
Liberdade, À Paixão:
Morte
Linda, Em Pé Peleando.
Morrem Sequer
Sussurrando:
Em Honra À
Livre Razão.
06-
Entre Os Vis Imperialistas:
Há Muitas
Hienas Mortas,
Seus
Escribas Em Revistas,
Pros
Seus Mortos Dão As Costas.
|
|
07-
As Lanças Em Laivos Tansos:
A
Realeza Fedentina,
Quem
Não Fede A Sebo Ranço,
Fede
A Boca De Latrina.
08-
Tripas, Bofes E Mondongos,
Lombos,
Panças, Goelas, Caras,
Imperialistas
Talhados,
Qual
Manta De Charque Em Vara.
09- Difícil O Golpe Certeiro,
Parecia
Um Terremoto
Em
Nuvens De Gafanhoto
Não
Davam Tempo Aos Lanceiros
10- Mas Se Tombavam De Borco,
Era Até Um Desaforo,
Morriam Aos Guinchos Quais Porcos,
Na Tábua Do Abatedouro...!!!
11-
Matam Incontáveis Lanceiros,
E Tramando
Seus Embustes:
Negam
Que Tiveram Mortos,
Mas
Mentiram Os Abutres.
Tiveram
Mortos Que Eu Vi,
E
Os Vivos Com A Marca Imunda,
Talhos
E Retalhos Nas Fuças...,
Rasgos
E Rombos Nas Bundas.
12-
Covarde É Assim Mesmo,
Precisa
Viver Marcado,
Pras Vezes
Que Ir Ao Espelho,
Lembrar
Que É Um Cú Cagado.
13 - Todo
Lanceiro Tem Marcas:
Peito, Ombros,
Mãos E Braços...,
Herdadas
De Igual Para Igual,
Na
Empunhadura Do Aço .
|
|
14-
Os Guerreiros Que Ficaram,
Pelearam
Até Desarmados,
Cercados
Por Todo Lado,
E
A Mãe África Honraram...!!!
15- Negros
Na Extremada Dança,
Lutaram
Apenas Com As Mãos,
Contra
Baionetas, Lanças
E
Balas De Mosquetão.
16- E
Não Fugiram Da Raia,
E
Não Pediram Guarida,
Calçaram
O Pé Na Batalha,
Honrando
Com A Morte A Vida.*
17-
Desejar Morrer Em Luta,
É
Uma Grandes Questão,
Também
Seriam Batutas,
Se
Ouvissem A Gavião:
.
18- Corram
Enquanto Há Tempo!
Não
Quiseram Ouvir Nada,
Mostrando-nos Clara Intento:
Proteção
À Retirada.
19-
Ouviam, Não Respondiam.
Lutavam
De Alma Muda,
Na
Comovente Intenção,
De
Nos Dar Vasão À Fuga...
20-
E Mesmo Com O Alto Risco,
De
Caírem Na Prisão,
Pra
Uma Eterna Escravidão,
Ou
Nunca Mais Serem Vistos.
21- Mas
Houve Um Berro Afinal:
Salvem-se
Enquanto É Tempo,
Que
A Guerra É Um Vendaval,
A Qual
Não Perdoa Os Lentos.
|
|
22- Se
A Árvore For Derrubada.
Então
Recolham As Sementes,
E
Plantem Numa Vertente,
Que
Dê Frondosas Ramadas...
23-
E Muitos Que Ali Peleavam:
Partiram
Pras Pradarias.
Fogo,
Estanho E Ferraria,
Contra
Os Negros Que Ficaram.
24- Em
Honra Se Empenhando,
Em
Salva Guarda A Razão:
Escolher
Morrer Peleando,
Pra
Dar Retiro Aos Irmãos:
25- É A Liberdade Mantida,
No
Moral Lanceiro Negro,
Que
Não Se Perde Em Apegos,
Mesmo
Sendo A Própria Vida...!!!
26- Tempestade
Em Sentimentos;
Na Consciência Da História
O Revés Da Luta Inglória
Centrando Aquele Momento:
27- Não Tinha Como Ir Buscá-los:
Seria Pro Império O Guizo:
A (Liberdade)
Em Juízo,
De Bandeja Presenteá-los.
28- Nossa Alma Geme E Voa:
Dor Infinda Nos Revolve,
E Se A Razão Nos Absolve,
O Coração Não Nos Perdoa....!!!
29- Nos
Voltamos Em Martírios!
Gavião Fez Nos Conter:
-É Como Se Oferecer
Em Sacrifício Pro Império!!!
|
|
30- Regressando
Pra Morrer,
Seria (A Decepção).
Sim... Pra Todo Aquele Irmão,
Que Ficou A Nos Valer....!!!
31- Proteção Pra Desertar:
Condição
Pra Sanidade:
Cabedal
Pra Liberdade,
Pela Qual
Viemos Lutar
Está Bem Clara A Razão:
É Nos Levar Escravizados,
Apagar Nosso Legado,
E Propagar Nossa Extinção...!!!
32- O Que Importa É Que Lutamos:
O
Juízo Que Nos Norteia,
Cada
Senzala Incendeia,
Ao
Saber Que Continuamos.
33- Saber Que Os Lanceiros Vivem
Faz
Ribombar Corações,
Desenrolando
As Razões,
Pra
Quem Pulsa E Quer Ser Livre
34- Por Mais
Que Clame A Emoção,
Não Deem Vazão Aos Sentidos:
Gemeis, Chorais Comovidos,
Mas Ouçam A Voz Da Razão:
35- É A Lei De Toda Nação,
Quando O Inimigo É Mortal:
Ou A Razão Vence O Mal,
Ou É Total A Extinção.
36- Mas Remorsos N’Alma Ardem:
Por Mais Razões Que Vestimos,
Ainda A Consciência Ouvimos,
Nos Apontando Covardes.
|
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37- A Altivez Se Desmedra:
Todos Tristes Cabisbaixos,
Qual Trigal Que Quebra O Cacho
Na Tempestade De Pedra
38- Perdidos Na Vastidão
Nos Clamamos Em Tenência
Pra Mantermos Continência,
Mesmo Pranteando Emoção.
39- As Faces Então Se Erguem,
Guerreiros Levantam Os Olhos,
Mesmo Em Lágrimas Aos Molhos,
A Altives Não Se Perde.
40 - Quais Estátuas Nos Plantamos,
Refletindo A Amplidão,
Choramos Na Imensidão,
Como Nunca Então Choramos.
41 -Madrugada Traz A Aurora,
Doura A Barra Despontando,
Em Nossos Olhos Brilhando:
Raia O Sol Campina Afora:
42- A Razão Em Divergência,
Resiste O Libelo Bronco,
A Mente É Um Corpo No Tronco,
Chicoteada Na Consciência...!!!
44- A Angustia Era Tanta
Que Gavião Se Leventa
Vencido Pela Emoção
E Então Dá Nos Razão
46- Desertamos Para Oeste
Depois De Muito Andar
Mas Nos Voltamos Pro Leste
Para Tentar Alcançar
O Desterro Rumo Ao Mar... ... ...
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Os Resistentes
“O Rescaldo”
Capitulo XVI
Poema I
01- Francisca Não Foge A Luta,
E Veste-se Com Cuidados,
Previne-se Na Conduta,
Preocupa-se Com Os Tombados.
02- Se Da Conta Da Ironia:
A Guerra É Violência Ao Ermo,
Uma Oficina De Enfermos,
De Mortes E De Agonias...
03- É Tempestade De Balas,
Tinir De Adagas E Lanças,
A Resistência Não Se Abala
E O Predador Não Se Cansa... ... ...
04- Ficam Negros No Trabalho,
Qual Náufragos Entre As Ondas
Coragem, Questão De Honra,
Morrer Pegando O Atalho.
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05- De Sobressalto Peleando,
Atacados Quais Manadas,
Por Hienas Esfomeadas,
Que Atacam Já Devorando.
06- Furtiva Perversidade:
As Respirações, Ouvindo:
Mataram Gente Dormindo,
Sonhando Com A Liberdade...!!!
07- Chegam Sangrando De Súbito,
Não Há Quem Ataca Igual,
Com Os Requintes De
Tal Mal,
O Próprio Diabo Tem Vômitos.
08- Uns Acordaram
Morrendo,
Outros Morreram Dormindo,
Primeiros Que Levantaram,
Pra Morte Foram Caindo.
09- Não Há Consulta A Razão,
Sequer Há Tempo Pra Sustos,
Relâmpagos, Lusco-Fusco,
É Clarões Na Escuridão.
10- Lanceiros
Contra Imperiais,
Vão Lhes Rasgando Matambres,
Mas Eles Vem Quais Enxames,
Cai Um, Vem Dez Vezes Mais.
11- Guerreiro Vale Guerreiro,
Os Olhos Buscando Espaço,
Pra Golpear No Contra Aço,
Parceiro Guarda Parceiro.
12- Pra Morrerem Lindamente,
Em Um Combate Mortal,
Em Resistência Contra O Mal,
Que É A Morte Dos Valentes.
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13- E O Mal Se Conhece O Rastro,
De Onde Vem Seus Emissários,
Que Oprimem, Torturam, Matam:
Com Mãos De Ferro Do Império.
14- “Qual O Rumo, Qual
A Sorte”?
Quem Nos Fez Alvo Marcado?
Pra Encontrar Nosso
Norte,
E Nos Abater Qual O Gado?”“:
18- Se Pergunta Então Cambami*.
E Dassor * Grita Em Combate:
- “Nos Marcaram E Apartaram
Qual Uma Tropa Pro Abate???”
19- “Não Se Contentam
Em Matar
Qual Orda A Mando Real:
Sangram, Coureiam, Retalham
Qual Charque Em Manta Pro Sal!”
20- Mas Não Damos Por Rogados:
Quem O Nosso Aço Alcança,
Treme Na Ponta Da Lança,
E Berra Qual Boi Sangrado.
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Poema II
01- As Surpresas São Da Guerra,
A Emboscada Também,
A Intriga A Espionagem,
Traição Comprada A Vintém.
02- Porém Servir-se Por Anos,
De Uma Tropa Inigualável,
E Entregá-la Desarmada...
Pro Abate, É Inominável.
03- Não Existe Provas Feitas;
Indagam Sobre Espiões,
Chefes De Altos Escalões,
Mas Um Desponta Às Suspeitas.
04- Nas Tendas De Assistência,
Há Tensa Preocupação,
Nos Corações,
Nas Consciências;
Com Angustiante Apreensão.
05- Então Sessa A Escaramuça,
Gemidos, Urros De Dores,
Ranger De Dentes, Tremores,
Francisca Parte À Labuta...!
06- Os Lanceiros
Continentes:
Cercados E Aprisionados:
Guerreiros Morrem Calados,
Refletindo O Sol Nascente.
07- Francisca Vê Mãos Cruéis,
Sobre Tombados, Feridos.
Inda Sangrando Os Vencidos,
Perversos Quais Cascavéis.
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08- No
Campo Um Lençol De Mortos,
E Vivos Subjugados,
Que Irão Regressar Pro Tronco,
Em Grilhões Acorrentados.
09- E Avança Na Hora H ... ,
Mas... Mãos Empunhando Espadas,
No Seu Peito Fazem Barras:
Pra Que Francisca Não Vá:
10- Em Socorro Aos Desvalidos,
Que
Tombaram Emboscados,
Mesmo Assim
Executados,
Sendo Mortos Sem Sentidos.
11- São Abutres
Carniceiros,
Estão Cercando Porongos,
Enquanto Matam Herdeiros:
Do Sul Ao Norte Do Congo.*
* Havia Escravos.
Descendentes do Congo, e
principalmente de regiões ao norte e ao sul.
12- Mas Se Cansam Da Matança:
Feridos Resistem Em Vida,
E As Mulheres Comovidas,
Põe O Juízo Na Balança.
13- Então Renascem
Palavras,
De Antigas Nações Tribais,
Clamor Humano Em
Escombros,
Dor Em Línguas Ancestrais:
14- EKoka, Gege, Kicongo,
Yombe Yauma, Umbundo,
Matamba, Chócue Ovambo,
Ndombe, Nyemba, Kimbundo...!!!
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15- Deuses Foram Alvorados,
Chamados Da Natureza,
Do Reino De Aiê A
Orum,
Em Orixás E
Riquezas.
16- Obá! – Edé! – Oduduá!
Aganju! – Exu! – Oxum!
Oxanguiã! - Orunmilá!
Oraniã! – Otim! – Ogum
17- Os Mortos Do Mundo
Aiê,
Todos Guerreiros De Ogum,
Foram Com Olurumarê,
Livres Pros Campos De Orum.*
*Campos
Para Onde Vão Os Guerreiros Mortos Em Luta merecedores de glória..
*Os Lanceiros Que Seguiram
Gavião...!!!
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Poema III
01- Francisca Se Angustia,
Sapiência Para Aliviar Dores,
Mãos Talhadas Pra Curar,
Sem Poder Prestar Favores...
... ...
02- Depois Então, Liberada,
Para Os Brancos Socorrer,
Índios, Mulatos, E Negros...
Nesta Ordem Pra Atender... ...
...
03- Seguida De Ajudantes.
Muitas Choram De Emoção.
Mulheres Prestando Ajuda.
De Prontas E Aflitas Mãos... ... ...
04- E Os Imperiais Permanecem,
Qual Nuvem De Gafanhotos,
Que Pousam Em Plantações,
As Deixando Só Nos Tocos...
05- E Vão Escolhendo Gente
E Os Fazendo Prisioneiros
Que Irão Pro Rio De Janeiro
A Ferros: Grilhões, Correntes...
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Poema IV
01- Surge De Regresso O
Médico,
Contornando O Pé Do Morro,
É O Esposo De Francisca
Trazendo O Pronto Socorro... ... ...
02- Matéria Base, Elementos:
Princípios Primos Em Vítros,
Apetrechos, Saneamentos,
Por Ele E Ela Prescritos.
03- Partiu E Deixara Há Dias,
O Exército Ordenado...
Regressa, O Que Vê À Frente
É Qual Rastro De Um Tornado.
04- Dias Longos, Intensivos,
Trabalhos, Noites Em Claros,
Correrias E Martírios,
E Perdas De Amigos Caros... !!!
05- Longe De Tudo E De Todos,
Nenhum Recurso Por Perto,
A Pampa Livre É Um Deserto,
É O Médico Ao Velho Modo.
06- A Enfermaria Ao Ar Livre,
Céu Aberto De Novembro,
Gente Estendida Ao Sol,
Dentes Cerrados, Gemendo.
07- E O Socorro Dedicado...,
As Longas Horas Na Senda,
As Sombras Improvisadas,
Galhos, Ramos, Mantas, Tendas...
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08- Sofrimento, Morte
Lenta,
Procederes, Improvisos.. ... ...
Nada Disso Era Preciso:
Houve Sinais, Recomendas...!!!
09- Que O Chefe Não Quis
Ouvir,
Todos Eram Seus Amigos...!!!
Pra Entregar-se Ao Engodo,
Armado Pelo Inimigo...!!!
10- Ou Então Fingir O
Credo,
Num Distorcido Tratado,
Pra Encobrir Uma Traição,
E Acertos Com O Outro Lado.
11- Suspeitas Nascem Em Porongos
Perguntas Já Na Alvorada:
-Guerreiro Que Se Diz
Bravo,
Que Some Na Luta Alçada...???
12- Francisca Reflete
O Golpe,
Que Em Uma Atração Caíra:
Ficou Só Na Madrugada,
Enquanto O Garanhão Partira.
13- O Ataque, A Chuva De Balas,
O Estrondo Meio Ao Escuro,
Todos Gritando Em Apuros,
Sem Ninguém Pra Acompanhá-la
14- Na Hora Mais Precisada,
Quem A Surpreende Então...!!!
O Homem Mais Preparado,
Pronto Com Suas Hábeis Mãos...!!!
15- Duarte Ergue Os Feridos...,!!!
Vai Suturando Os Cortados...!!!
Entalando Ossos Quebrados...!!!
Reconfortando Os Vencidos...!!!
|
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16- Tal Qual Como Sempre Fez,
Com Francisca Sempre Ao Lado,
Durante Anos A Fio,
Em Seus Socorros Prestados...!!!
17- Todos Ali Desabados,
Guerreiros Por Si Validos,
Sob Os Pés Dos Inimigos,
Examinados, Cuidados...!!!
18- Sob As Ordens Do Império:
Seus Princípios Excludentes:
Duarte Dribla Os Critérios,
Pra Chegar A Os Mais Urgentes.
19- Ordena Seus Comandados:
Façam Tempo De Excelência:
Brancos, Índios, Depois Negros:
-“Mas, Segundo As Emergências”:
20- Primeiro Os
Mutilados,
São As Ordens De Sua Voz:
“-” Cortes Profundos Vem Após
“Por Último Os Escoriados”.
21- Acudindo Ambos Os Lados,
Não Vê Vau Pra Outra Mão:
Mesmo Com Bases Na Ação,
São Enfermos Segregados.
22- Mas Não Há Outra Saída
Se Caso Não Atender
Não Poderá Lhes Valer:
Salvar Dezenas De Vidas.
23- E Outros Feridos Em Ais
Levados Para Uma Estância,
Dado Suas “Importâncias”:
Por Serem Pragas Imperiais.
|
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24- Aos Quais, Duarte Em Guarida,
Por Dias Os Visitou,
E Sua Arte Emprestou,
Pra Devolver-lhes À Vida.
25 - E Vão Cumprindo O Legado,
Duarte Junto À Francisca,
Cuidam De Todos À Risca,
Em Meio Aos Verdes Dos Prados...
26- Enquanto Os Imperiais Levam,
Centenas De Prisioneiros,
Pisando O Chão Pampeiro,
Pra Nunca Mais Retornarem.
27- Deixam Incontáveis Corpos,
Que Eivando A Pradaria,
De Agonias E De Mortos,
Sob Um Sol Que Escalda O Dia...!!!
|
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Desterro
Capítulo XVIII
01- Os Dias Em Desencantos,
Lentos, Tristes E Pesados,
Com O Lúgubre Legado,
De Enterros, Cruzes Nos Campos.
02- Corpos Feridos, Marcados,
As Histórias Nas Lembranças,
Lágrimas Que Rolam Mansas,
E Deixam Os Rostos Lavados.
03- E Olhares Enxutos Fixos,
Mergulhados No Vazio,
Represando Um Imenso Rio,
Qual Cristo No Crucifixo.
04- Nasce O Sol Buscando O Pino:
Rumando Pro Meio-dia,
Aplacando As Agonias,
Reconfortando Os Destinos:
05- Feridos Que
Então Fugiram
Dos Matos Estão Voltando
Os Socorros Procurando
Quando Os Imperiais Partiram
|
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06- E Aqueles Que Se
Esconderam,
Em Brejos Longe Do Morro,
Alvejados E Sem Socorro,
Desvalidos Lá Morreram.
07- Que Crime...
Este Padecer,
De Quem Se Perde
Ferido,
De Fome E Sede
Vencido,
Na Lentidão De Um
Morrer...!!!
08- Entre Os Que Vão
Regressando
Um Universo Colorido
Lenços, Cabelos, Vestidos
Com Santas Mãos Se Aprontando:
09- Mulheres: Todas As Cores,
Sem Mostrar Dificuldades,
Sempre De Boa Vontade,
Vão Socorrendo Em
Penhores.
10- O Sol Declina Pra Tarde,
Sem Pena Daquela Gente,
Padecendo Ao Sol Fervente:
Brilha, Aquece, Queima E Arde.
11- Nas Noites O Clima Ameno,
São Alívios Refrescantes,
Mas A Febre Alucinante,
Faz Delírios Nos Enfermos:
12- Quanto Mais A Noite Desce
Mais A Febre Queima E Sobe
Mais As Dores Aparecem
As Confissões Se Descobrem:
13- Um Contando Histórias Lindas,
Que A Guerra Não Foi Em Vão,
Que A Paz É Bela E Bem Vinda,
A Liberdade, O Seu Chão:
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14- Que Lavrou E Que Plantou,
Que Colheu E Que Moeu,
Fez Farinha E Amassou,
E Do Seu Próprio Pão Comeu.
15- Outro Fala Da República
Da Escravidão Abolida
Da Liberdade Pra Vida
Em Todo O Sul Da América
16- E
Cita José Mariano,
O Coronel
Gavião,
E O Amaral
Ferrador:
“Patronos
Da Abolição”.
17- Passam Noites Em Delírios,
Falam Em Plantas E
Cercados...,
O Rancho Todo Arrumado,
Criação, Mulher E Filhos.
18- Aos Poucos Vão Se Acordando,
Da Ponta De Um Novelo,
Caindo Num Pesadelo,
E Das Contas Vão Se Dando.
19- São Guerreiros Que Pelearam
Lanceiros Negros Tombados
Por Estarem Mutilados
Pra Escravidão Não Levaram
20- Uns Ainda Entrevados,
Outros Já Se Levantando,
Trôpegos Ajudando,
A Levantar Os Tombados.
21- Aliviados Pela Hora:
Imperiais Fazem Escombros,
Tiram As Garras De Porongos,
Então Montam E Vão Embora.
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22- Levando Tudo Consigo,
Cavalhadas, Armamentos,
Viveres E Documentos,
Irmão E Velhos Amigos.
23- Centenas De Prisioneiros,
Na Colhera Mão À Mão,
Fileiras Pra Escravidão
Marchando No Chão Pampeiro.
24- Na Multidão Ao Reponte,
Vão Qual O Gado: Tropeados,
Pra Serem Escravizados,
Muito Além Do Horizonte.
25- Deixam Feridos Pra Trás,
Pois Já
Não Prestam Pra Nada,
Mão De
Obra Escravizada,
Tem Que
Ter Força Tenaz.
26- Entre Aqueles Que Fugiram,
Da Ameaça Se Esconderam,
Mulheres Reapareceram,
Logo Após Que Eles Partiram.
27- Entre Elas, As Amantes,
Mães, Irmãs, Primas, Amigas,
Colos Que Davam Guaridas,
Quando Cansados E Arfantes.
28- Em Agonia Com A Sina,
São Pombas De Asas Quebradas,
Que Já Não Podem Fazer Nada,
Contra As Feras Assassinas.
29- Então Todas Sobem O Cerro,
E Choram Ao Vê-los Partindo,
E Os Sentem Ao Longe Sumindo,
Na Agonia Do Desterro.
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30- A Procissão Serpenteando,
Campos, Bosques A Cruzar,
Some Aqui E Surge Lá,
Na Distancia Se Apagando.
31- Partem Pra Jamais Voltar,
Nas Lonjuras Os Espera:
Os Grilhões De Uma Quimera;
Prontos Para Os Devorar
32- Mães, Irmãs Na Dor Contida,
Sem Direito A Se Valer:
Na Essência Do Próprio Ser,
Banzas Morrem Em Plena Vida.
33- Pois Nunca Mais Serão Vistos,
Salvo A Sorte Pra Um Fujão,
Que Foge Ao Primeiro Vão,
Mais Rápido Que Um Corisco.
34- Ao Rumo D’Águas Do Mar,
Na Trilha O Leste Buscando,
A Multidão Vai Andando,
Sem Direito A Descansar.
35- Paradas Pra Pernoitar
E Muito Antes Da Aurora
Levantam Pra ir Embora
Quem Para, Apanha Pra Andar.
36- Sem Esperança É O Nada:
Nem Vontade, Nem Razão,
Nem Escolha, Ou Solução,
Pra Liberdade Aprisionada:
37- Todos Rogam Por Fugir:
Na Noite São Pardos Os Gatos:
Quem Sabe Brejos E Matos...,
Um Mocambo Pra Onde Ir......
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38- Pois No Porto Está Esperando,
Um Veleiro Pra Zarpar,
Rumo Ao Norte Navegar,
Pra Escravidão Os
Levando...
39- Lindos Sonhos, Longos Anos,
Pelo Qual Livres Pelearam,
Acreditaram E Viveram:
E O Prêmio: Destino Insano
40- Nos Ombros Pesa O Destino,
Calcando A Alma Penada,
Mas Há... Esperança Alçada,
Nos Seus Olhos De Meninos.
41- Embora O Sentimento,
De Traídos, Enganados:
Guerreiro Experimentado,
Deve Se Manter Atento.
42- E Todos Vão Espreitando ,
Rogam Falhas, Frestas, Rombos:
Uma Fuga Pra Um Quilombo,
Onde Haja Irmãos Aguardando.
43- Na Alma O Desengano;
Por Léguas Acorrentados,
Ao Reponte Aprisionados:
Mão Cruéis, Olhos Tiranos.
44- É A “Feitoria Do
Mundo” :
Tortura À Dignidade,
Morte À Honra, À
Liberdade;
Em Cativeiros Imundos:
45- É A Anulação Do Ser,
Da Individualidade,
Da Coletiva Vontade,
E Da Alegria De Viver.
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46- Muitos
Olhando Pra Trás
Veem Porongos
No Horizonte:
Amigas,
Irmãs, Amantes...
A Dor
Aperta Tenaz
47- Em Ondas De Interações
O Cerro Está Lhes Olhando,
Porongos Ficou Penando:
Presente Nos Corações.
48- Entre Os Dois Lados Do
Mundo.
Vai Se Criando Um Abismo,
Os Sentidos Perdem O Juízo,
Em Sofrimento Sem Fundo.
49- E Por mais Que Sejam Fortes,
No Amargor Sem
Despedidas,
Este Abismo Entre
As Vidas,
Não Há Peito Que
Suporte.
50- Miragens Na Imensidão,
Os Olhos Já Não Alcançam ,
Mas Os Corações Não Cansam,
De Vê-los Na Vastidão:
51- Banidos Ao Desalento.
Da Pampa Ao Alto Do Cerro,
De Extremo A Extremo O Desterro,
Degreda As Almas Por Dentro...!!!
52- Abismo De Ânsias Perdidas,
Que Desde O Fundo Do Chão,
Rasga Um Infinito Vão
Entre Irmãos De Sangue E Vida...!!!
53- É A Dor Que Não Se Acalma,
Saudade Ao Peito Faz Portos:
Quanto Mais Se Apartam Os Corpos
Mais Se Entrelaçam Às Almas
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54-No Oceano Da Paixão:
Por Mais Que As Ondas Avançam,
Lugar Que Os Pés Não Alcançam,
A Consciência Põe As Mãos:
55- A
Alma Daquela Gente,
Que
Espreita Ao Cume Do Cerro,
Vai
Junto Àquele Desterro,
Em
Busca Do Mar À Frente.
56- Vão
Sentindo Em Cada Vulto,
Cansaço
Na Caminhada,
Angustias
E Chicotadas,
Os
Desprezos, Os Insultos:
57-
Prepotência Que Não Cansa,
De
“Valentões” Bem Armados,
Que
Ferem Irmãos Acorrentados,
Sem
Por Pesos Na Balança...!!!
58- São
Quais Hienas No Prado,
Que Aos
Poucos Devoram Vivo,
Um
Búfalo Forte E Ativo,
No
Atoleiro Aprisionado.
59-
Então Somem Na Distância,
Cruzam
A Linha Do Horizonte,
E
Descem Pra Atrás Dos Montes,
Mergulhando
Nas Vacâncias,
60- Que
Os Olhares Não Alcançam,
Dos
Dois Lados Do Desterro,
Desde O
Cimeiro Do Cerro,
Aos Que
Na Lonjura Avançam:
61-
Universo Se Alargando,
Entre
Aqueles Corações,
Maremotos
De Paixões,
Pra
Quem Se Plantou Olhando.
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62-
Separados Num Descarte ;
Os
Corpos..., Matéria Enfim,
Mas
Almas..., Mesmo Os Confins,
Não Há Como
Haver Apartes...
63- E
Voam Os Pensamentos,
E Quem
No Cerro Apartado,
Acompanha
Lado A Lado,
Quem Se
Afasta Em Sofrimento.
64- E
Estes Acompanhados...
Voam E
Voltam Em Espamos,
Juntos...,
Veem A Si Mesmos
Nas
Lonjuras Desterrados.
65-
Quanto Mais Amam-se As Vidas,
Desde O
Chão Ao Firmamento,
Por
Maior O Afastamento,
Mais
Permanecem Unidas...!!!
66- No
Caminho... A Desventura
Os
Esperam Pra Zarparem ...
E As
Almas A Se Abraçarem
Nos
Extremos Das Lonjuras.;..!!!
67- No
Porto Irão Embarcarem,
Se
Perderão Navegando,
Entre
As Ondas Do Oceano,
Pra
Nunca Mais Regressarem..!!!
68- Mas
O Amor Não Tem Apartes:
Tempo, Espaço E Movimento:
Tem
Memória O Sofrimento,
E Se
Alcançam Parte À Parte...!!!
69- Nas Distancias Aumentando...,
Terras,
Céus, Ondas E Ventos...,
Projetam-se
Em Pensamentos,
E As
Almas Vão Se Enlaçando...!!!
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70 – E Nas
Dobras Das Lonjuras,
Todos Sabem Do Destino:
Amarguras,
Desatinos...
Escravidão
E Tortura...!!!
71- E O
Sentimento De Impotência
Entre
Os Seres Apartados,
Com Os
Pés E As Mãos Atados,
Entre O
Banzo E A Demência...!!!
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Encalço
Despois Das Estimativas,
E Avaliadas Conclusões:
Que Sobrariam Razões
Pra Prisões Em Comitivas.
No Pensamento Lanceiro,
Fico Mais Do Que Sabido,
Que Sobreviventes Vencidos,
Estariam Prisioneiros:
Com Destino À Escravidão,
Qual Um Presente Ao Império,
Mostrando Que Estavam Sérios,
Atacando O Nosso Chão.
Os Levariam A Diante,
Num Desterro Derradeiro:
Arrastão No Chão Pampeiro
A Cabresto E Ao Reponte.
Policiados Aos Dois Lados,
Cabresteados Na Vanguarda,
Repontes Na Retaguarda:
Prisioneiros Condenados.
Embora Distante Ao Oeste,
Sob As Ondas Do Abalo,
Demos Boca Aos Cavalos,
E Galopamos Pro Leste.
|
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E Voltamos A Porongos
E Chegamos Com Cuidados:
Avistamos O Estrago,
Mas Não Boleamos Dos Lombos...
Bomani
Ficou Peleando,
Mas Ali
Já Não Estava,
Antes
Do Sol Fazer A Barra
Sumiu
Qual Águia Voando.
Os
Gafanhotos Voaram,
E Bamani
Regressara...
Seguiu
Gabão E Dandara
Que Pra
Um Quilombo Partiram...!!!
Logo Pegamos O Rastro,
Daquela Tropa Das Trevas
De Alma Covarde E Maleva,
Que Rasteja E Mata O Pasto.
Um Dia Inteiro De Atraso,
São Léguas A Encurtar:
Muito Pouco A Descansar,
E O Tempo Cobrando Prazo.
Os Cavalos Já Cansados,
Parávamos Nas Aguadas,
Nos Pastos Prumas Bocadas,
E Os Seguíamos Nos Prados.
Cavalgando Sem Parar,
Segundo Dia Varados,
Avistamos Bois Nos Prados,
E Um Serviu Pra Nos Saciar.
De Um Branquilho, O Braseiro:
Receita Pra Assar Churrasco,
Que... Como Perfume Em Frasco,
A Fumaça Faz Tempero:
|
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Sabor Forte, Defumado,
Bravo Rústico E Marcante,
Com Braseiro A Doravante,
Duradouro E Incendiado
Então Sobrou Carne Assada,
Com Carquejas Enrolamos,
E No Próprio Couro Antamos,
E Levamos Pra Jornada:
Falta De Sal, Ou Pimenta,
Pra Salvar Das Varejeiras,
A Carqueja, E A Aroeira,
A Boa Carne Sustenta.
Nas Sangas Canta O Nhambu,
E Vem A Água Refrescando,
Em Guampa De Boi Lageano,
Ou Odre De Couro Cru.
Aqui Boleia / Lá Remonta,
Três Dias Nos Deslocamos:
Quarto Dia Os Avistamos,
Se Esgueirando Pela Pampa:
Seguindo-os Nas Ilhargas,
Sempre Por Trás Das Coxilhas,
Divisando-os Das Encilhas:
Observando Toda A Guarda:
Protegida Quais Barrancos:
À Frente Pela Vanguarda,
À Trás Pela Retaguarda,
E Aos Lados Guardas De Flancos.
E No Meio, Irmãos Lanceiros,
Guardados Qual Um Tesouro,
Marchando Pro O Ancoradouro,
Rumo Aos Porões De Um Tumbeiro.
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Foi Ai
Que Vislumbramos
E Compreendemos
O Requinte:
Um
Lanceiro Contra Vinte,
Dos
Imperiais Em Porongos
Me
Perguntando A Me Ouvir,
Agora
Respondo Ciente,
Porque
Morreu Tanta Gente...!!!
Pra Não
Chorar Me Ponho A Rir...!!!
A
Imagem Está Corrigindo
E O Por
Quê... Nos Respondendo,
Uns Se
Acordaram Morrendo,
Outros
Morreram Dormindo:
Do Alto De Uma Coxilha
Avistamos Os Imperiais
Quatro Mil, Talvez Bem Mais
Formando A Grande Pandilha
Com O Barão No Comando
Não Seria Diferente
Concentrou Seu Contingente
E Fechou O Macabro Plano
Se Os Lanceiros Nos Anais:
São Quais Ogum Em Combate.
Pra Garantir O Desastre,
Juntou Milhares De Imperiais.
Negociou Paz Por Dois Anos,
Afrouxou a Prontidão,
E Atacou Na Escuridão,
Qual Ondas De Um Oceano.
Pegou Todos No Abandono:
Sonho De Paz, Liberdade...
Sangrou, Matou A Vontade
Quem Estava Em Pleno Sono
|
|
Surge O Nariz De Pinóquio:
Ordenam O Desarmamento:
E O Casual Justo Momento
Nada Mais Foi Quê Um Conluio.
Passou Por Cima De Porongos
Matou Dezenas De Guerreiros
Fez Centenas Prisioneiros
Olhou Pra Trás E Deu De Ombros
E As Mentiras Na Memória,
Pondo De Igual Para Igual,
Os Números Do Vendaval,
Tentando Enganar A História.
Os Desarmados Sem Aval...,
Mas Os Negros Com Suas Lanças:
Pesam Muito À Balança...,
Pra Virem De Igual Pra Igual
Quem Com Doze Mil Soldados,
Prontos E À Disposição,
Não Haveria Outra Razão,
Do Que Um Comboio Redobrado.
A
Conspiração De Guerra
Faz Trama Sem Correr Riscos
A Emboscada É Um Petisco
Pra Tomar Estado E Terras
Aconselhados Pelo Medo:
Mudariam O Relatório:
Tomariam O Território
Sem Arriscar O Pelego:
Prontos A Mudar O Jogo
Multiplicam O Contingente
Se Armam Até Os Dentes:
Ferro Branco / Arma De Fogo
|
|
Ficou Claro O Enunciado:
Centenas; Cada Esquadrão,
Aumentaram A Divisão,
Do Patife Pau Mandado...
*Muringue
E O Relatório Canastrão
Puxando As Brasas Pro Assado
Quais Heróis Glorificados
Anunciando O Galardão
Depois, Lavras De Heroísmos
Pra Encantar Seu Senhor
Um Menino Imperador
Recém Das Fraldas Saído
O Barão Na Mesma Encerra
Concentrou Seu Contingente
Era Mais Que Convincente
Pra Afinal Vencer A Guerra
Números São Ajustados
De Acordo Com As Ambições
Valem Patentes, Galões...
Altos Postos Avançados
Por Isso As Falsas Proezas:
Na Escala Da Hierarquia:
Títulos Na Aristocracia
Degraus Em Meio A Nobreza:
São Fatos A Enumerar
De Quem Conta A Própria História,
Roubando A Essência Da Glória,
Dos Banidos A Falar.
Conscientes, Analisamos
A Nuvem De Gafanhotos,
Qual Chorume De Um Esgoto,
Meia A Pampa Serpenteando...!!!
|
|
Ali Está A Nossa Frente
O Monstro Que Enfrentamos
O Pesadelo Em Que Acordamos
De Nossos Sonhos Dormentes:
Uma Emboscada Voraz
A Traição O Abandono
Na Brandura De Um Sono
Em Pleno Encantos Com A Paz.
Insetos Em Caminheiros
Deslocando-se Na Pampa
O Nosso Olhar Se Levanta:
Éramos Poucos Lanceiros:
E Os Negros A Contragostos:
Prisioneiros Sob As Rondas:
Qual Marés Subindo Em Ondas
Num Oceano De Esgotos
Prontos Aos Acontecimentos
Com Olhos Pra Todo Lado:
Nós Éramos Arrojados
Pra Tudo E A Qualquer Tempo.
Batedores Se Infiltrando,
Quais Varejeiras Na Pampa,
Mas Se..., Há Um Tiro De Lança.
Aos Poucos Iam Tombando.
Corpos Eram Desvestidos,
Daqueles Vis Miseráveis.
Suas Vestes Eram “Prestáveis”
Para Um Disfarce Preventivo.
Mas Fomos Vistos Ao Léu
E O Olheiro Pôs-se A Fugir
Uma
Lança Pôs-se A Subir,
Chegou
Se Apagar Nos Céu
|
|
E Num Repente Quis Voltar:
Vertical Descendo Em Reta
Um Raio Em Negra Seta
E O Imperial A Galopar
Cabinda Que Alçou O Braço
Em Desponte Na Vanguarda,
E Alçou A Alabarda
Que Caiu Sobre O Cachaço.
Nos Deu Pena Do Boléu,
Caiu Com Cavalo E Tudo,
Um Estouro / Um Corpo Mudo,
Qual Um Bicho Num Mundéu.
Foi Então Que Anoiteceu.
Pararam Pra Pernoitar.
Nos Acercamos A Olhar.
E Um Rodeio Aconteceu.
Castelo Fortificado:
Os Prisioneiros No Meio,
Qual Mina De Ouro Em Veio,
Cercados Por Todo Lado:
E Fogueiras A Abrasar,
E Na Noite As Lavaredas,
Iluminavam As Veredas,
Pra Ninguém Sair, Ou Entrar.
Os Prisioneiros Sabiam,
Que Estávamos Ao Redor,
Que No Descuido Menor,
Alguém Os Libertaria...
Sentíamos Cada Pulsar
Dos Irmãos Aprisionados,
Cercados Por Todos Lados,
Sem Chance Pra Se Livrar:
|
|
Sentimentos Em Enredos,
Por Anos No Mesmo Trilho,
Que Só As Mães Com Seus Filhos,
Conhecem Esse Segredo:
Espíritos Enlaçados,
Que Na Distancia Antevê
O Que O Outro Está A Viver
Liberto, Ou Aprisionado
Nem Mesmo A Maior Lonjura
Desata Este Grande Elo,
Entre Todos O Mais Belo:
Entre O Amor E A Ternura...!!!
Éramos Quarenta, Não Mais,
Contra A Orda De Assassinos:
Mais De
Quatro Mil Teatinos,
Representando
Imperiais.
E Centenas De Lanceiros,
Sentados Naquele Chão,
Amarrados Mão A Mão,
Já Escravos Prisioneiros.
Era A Noite Derradeira,
A Sorte Estava Lançada
O Porto Estava Na Alçada,
Estávamos Na Fronteira.
Eram Mais Algumas Léguas
E Estariam Em Rio Grande,
O QG Em Grande Estande:
Cidadela Frente Às Águas...!!!
Foi Então Que Gavião
Falou Rosnando : - Chacais...!!!
É Agora, Ou Nunca Mais:
Vamos Atacar O Poltrão...!!!*
*-Muringue
.
|
|
Vida Com Gosto De Fel,
Troncos, Chicotes, Grilhões.
Vamos Livrar Nossos Irmãos
Desse Destino Cruel:
Embora Em Quarenta Apenas,
Faremos Grandes Estragos,
Abrindo Cortes E Rasgos,
Tocando Terror Na Cena
Entraremos Qual Tornado
Redemoinhando Em Rodeio
Costas Voltadas Pro Meio
E Lanças Pra Todo Lado...!!!
Parte Mata O Que Puder,
Outra Parte - Dos Lanceiros -
Vai Livrar Os Prisioneiros,
E Seja O Que Deus Quiser...!!!
Livrando Dez / Livramos Vinte
E Vinte Livra Quarenta
Quarenta Livra Oitenta
E Oitenta Livra Os Seguintes
O Momento É Preciso:
Vendo Irmãos Aprisionados,
Pronto A Ser Escravizados:
Buscam Um Modo Conciso...!!!
Respeitoso Como Sempre,
E Respeitado Também,
Falando Como Ninguém,
Cabinda Expôs-se À Frente...!!!
Fala Mansa, Sempre Atento:
- Coronél...!!! Estou
Pensando...
Nós, Se Entrarmos Caminhando,
Como Quem Fazendo Tempo...
|
|
Qual Quem Faz Parte Da Tropa,
Tranquilo, Rindo A Falar,
Por Certo Não Vão Notar
Que Somos De Outra Galopa...
É Preciso Ser Com Arte,
Vamos Apenas Em Três,
Falando Com Altivez,
Como Se Fôssemos Parte.
E Entre As Fogueiras Radiais,
Entraremos Caminhando,
Quais Da Guarda Revisando,
Sob Ordens Oficiais...!!!
Quem De Nós, De Sangue Frio,
Vai A Toca Do Leão...???
Quem For, Que Levante Mão,
Pra Controlar O Arrepio...!!!
Todos Deram Um Passo À Frente
E Ergueram A Mão Ao Alto,
Mas Pombo Então Deu Um Salto
E Disse: Vou Eu, Que É Urgente...!!!
Que Seja Feito Com Noção
De Voz Em Tom Rotineiro...!!!
E Assim Foi Feito O Roteiro:
Pombo,
Cabinda, E Gavião:
-Temos Roupas De Imperiais,
Batedores Que Abatemos;
É Claro Que As Usaremos
Para Transpor Seus Umbrais...!!!
Com Uniforme A Rigor,
Boné Cravado Na Testa,
A Face Em Sombra Na Festa,
E Gabando O Imperador...!!!
|
|
Nos Infiltrando Por Dentro,
Evitando A Descoberta,
Sem Nenhum Sinal De Alerta,
Nós Chegaremos Ao Centro.
Nó Cortado / Nó Aberto:
Livres, Sigam Libertando;
Só Depois De Então Libertos,
Todos Corram Desertando.
E O Restante Dos Lanceiros
Em Proteção Bem De Perto
Porque O Comboio Está Certo
De Estar Seguro Ao Pampeiro
Acham Que Nos Extinguiram
E Que Já Não Há Inimigos,
Dos Farrapos São Amigos,
Lhes Faremos “Homenagens”.
Formem Seis Grupos De Seis,
Equidistantes Na Espreita,
Pra Depois Da Missão Feita,
Se Preciso Façam Vez....!!!
Um Berreiro Organizado
Multiplicados Em Mil
Quem Tem O Espirito Vil
Vão Tremer Com Esse Recado:
E Á Luz Se Aproximaram,
Em Espiral Descendente,
Falando Ao Tom Do Ambiente,
Buscando Vãos, Se Infiltraram.
E O Fogo Em Contra Tempo:
Dava Fiança À Mesma Hora
Pra Quem Chegava De Fora
Pra Quem Saia De Dentro:
|
|
Não Se Expondo Muito Às Luzis,
E Nem Às Sombras Também:
Tato E Confiança Convêm,
Quem Entre Espadas E Cruzes.
Não Demorou Na Vereda
Pra Nos Sentirmos Em Casa:
Cabinda Até Rechegou Brasas,
Atiçando Uma Fogueira.
Nem Precisou Muito Tempo,
E Aos
Prisioneiros Chegamos,
As
Cordas Fomos Cortando,
Embora
Aos Passos Lentos.
As Adagas Nas Bainhas,
Por Dentro Das Calças Retas,
Punhal Pra Cumprir As Metas,
Afiado Pra “Ervas Daninhas”.
Os Imperiais, Sem Apuros,
Sonolentos No Conforto,
Uns Roncavam Que Nem Porcos -
Nos Infiltramos Seguros.
Olhando Aquelas Panças
Daqueles Porcos Dormindo:
Os Corações Ressentindo,
Mas Contemos A Vingança..!!!
Nosso Grupo Um Sonho Vive:
Libertar E Prevenir:
Avisando Que O Porvir;
Só Depois De Todos Livres.
São Ás Ordens Da Missão:
Pra Todos, Na Mesma Hora,
Romperem A Campo Fora,
Num Estouro Qual Trovão...!!!
|
|
Foi Libertado As Dezenas,
Combinando Um Tempo Só,
Para Um Estouro Sem Dó,
Ao Desertarem Da Arena...!!!
Já Livrados Do Opressor
Dezenas De Prisioneiros:
Negros Oficiais Lanceiros,
Que O Império Branqueador
Revendo-os Sempre Alegros,
Põe O Branco Em Seu Lugar
Conferindo-Lhes O Altar
Enquanto Desmerece O Negro
Mas A Guerra Tem Viés,
Surpresas E Sofrimentos:
Cada Acerto Um Alento;
E Cada Erro Um Revés.
Um Guarda De Vista Esperta
Enrodilhado Qual Cobra
Percebe Nossa Manobra
E Deu O Grito De Alerta
Foi Berreiros De Clarins
E Os Porcos Se Levantando,
E Três Adagas Cortando,
Gargantas, Beiços, Fucins.
De Costas Um Para Outro
E Liberdade Gritando
Saímos Dali Cortando
As Tripas Daqueles Porcos
E Ganhamos A Escuridão
Que No Escuro Eles Não Vém
Sabem O Perigo Que Tém:
No Exemplo Da Própria Mão.
|
|
Mesmo Em Condições Duras,
Dezenas Foram Libertos:
Os Libertados Espertos
Correrão Pra Noite Escura.
Pois Foi Nosso Acerto Interno:
Ao Menor Sinal De Alerta,
O Grupo Todo Deserta
Voando Daquele Inferno.
Vendo
Injustiça Aos Lanceiros,
Serve Irmãos
Subjugados,
E Ao
Soltar Aprisionados,
Cabinda
Cai Prisioneiro...!!!
-Não Matem! O Comando Diz:
-Morrem Pra Não Ser Escravos,
É Aí Que Ponho Os Cravos,
E Crucifico Esse Infeliz.
A
Liberdade É Bem-Vinda
E Não
Se Cala Ao Comando:
Mesmo
Preso Abre Rombos -
Mas Levam
Então Cabinda...!!!
Mais De
Oitenta Prisioneiros
Então
Ganham A Liberdade,
E Os
Imperiais, Em “Bondade”,
Não
Ferem Nenhum Lanceiro.
Foi Um Estouro De Boiada,
Ao Comando De Cabinda:
“Oiga, Lê, Tchê, Coisa Linda!” -
A Liberdade Sendo Alçada.
Os Imperiais Se Aconselham
Nos Porões De Suas Consciências:
A Madrugada É Uma Experiência,
Que Em Covardia Se Espelham..!!!
|
|
Pra Se Sentirem Seguros
Fogueiras Pra Todo Lado
Um Rodeio Iluminado
Todos Com Medo Do Escuro...!!!
A Tropa, Uma Gerigonça,
Mas Obrigados Ao Trilho:
Desconfiados Quais Novilhos
Sentindo Cheiro De Onça...!!!
Em Lonjuras Regulares,
Titonga Rege Em Berreiros
Seis Grupos De Seis Lanceiros
Quais Mil Prontos A Atacar
De Almas Torpes E Mesquinhas,
Temendo O Contra Veneno;
Logo Se Encontram Pequenos,
Se Esguaritam Quais Galinhas...!!!
Então Nos Pegamos A Rir;
Mais De Quatro Mil Na Armada:
“Valentões Da
Madrugada”*
Se Enrodilhando A Grunhir
*Alusão A Porongos
Mas... Pra Não Irmos Além:
Uns Duzentos Lá Ficaram,
Os Quais Não Se Libertaram,
E A Tristeza Logo Vêm..!!!
E Maior
Tristeza Ainda
É
Perceber Uma Muralha
Se
Erguendo Qual Navalha
Com A
Prisão De Cabinda.
Não
Saem Da Luz Do Fogo
Não Entram
Na Escuridão
Todos
De Coração Na Mão
Não
Querem Se Arriscar Ao Jogo
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Mas É Preciso Se Conter,
E Então Pensar Com A Razão:
Não Cair Em Tentação
E Botar Tudo A Perder...!!!
Os Que Podiam Nos Valer -
Os Oitenta Libertados -
Estão Todos Desarmados,
Nos Charcos A Se Esconder.
Mas Inda Somos Quarenta
A Lhes Rondar Bem De Perto;
Eles Não Vêm A Campo Aberto,
Porque Sabem A Quem Enfrentam.
A Noite Nos Faz Cortina,
Mas A Aurora Dá Sinais,
Já Não Suportamos Mais
E Vamos Buscar Cabinda.
Mas O Comando Faz Berreiros,
Gritos Pra Nós Escutar:
- Se Insistirem Em Atacar,
Matamos Os Prisioneiros...!!!
Não É Preciso Falar,
Que Pra Por Todos A Salvos,
Evitamos Fazer Alvos,
Ou Nada Iria Sobrar...!!!
Não Deixam Vão Pra Atacar,
Tratando-se De Quem Se Trata:
Quem Gente Dormindo, Mata...!!!
Só Nos Resta Acreditar...!!!
E O Espírito De Bravo
Entrelaça Os Dois Mundos,
Por Um Corredor Sem Fundo,
Entre Os Livres E Os Escravos:
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Do Que Vale A Liberdade,
Ao Sentir-se Do Outro Lado,
Entre Irmãos Escravizados
Sob A Mão Da Iniquidade...!!!
E Sobre Tudo A Impotência
Ao Não Poder Alcançá-los,
Alçar A Mão E Buscá-los,
Salvando Suas Existências...!!!
Esperamos
Amanhecer
Então
Os Seguimos De Perto
Mas
Jamais A Descoberto
Pensando
No Que Fazer
Os
Caminhos Se Fecharam
Não
Havia Outra Alçada
Prisioneiros,
Mãos Atadas
E
Os Vãos Não Se Mostraram
Então
De Longe Os Cercamos,
A
Procissão Se Aproxima;
A Rio
Grande Está Em Cima,
Conhecemos
Onde Estamos.
Com
a Soltura Inesperada
De
Mais De Oitenta Lanceiros:
Um
Guarda Por Prisioneiro
Pelo
Resto Da Jornada.
Veio A Tarde, Veio Noite
E
Adentraram A cidade
Mas
Cabinda Em Liberdade
Foi
Se Aguentando Em Açoites
Dassor
Quem Lhe Libertou
Sem
Esperar Pagamento
Mas
Foi Questão De Momentos
Cabinda
O Desamarrou
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Guardas Alheios E A Brecha,
Na
Manha Do Dorso A Dorso,
Um
Desamarrou O Outro,
Pra
Voarem Feito Flechas.
No
Porto Aduaneiro
Kabinda
Quadrou O Corpo
Pois
Já Se Encontrava Solto
Se
Fingindo Prisioneiro
Mas
Dassor Voou Primeiro
E
Mergulharam No Mar
Ninguém
Pôde Adivinhar
E
Sumiram Entre Veleiros
Nadavam
Que Nem Jaguar:
Mergulharam
Nos Desvio,
Entre
Os Cascos Dos Navios
Somem
Nas Ondas Do Mar.
Buscando
A Praia No Braço
São
Quais Aves Migratória
Em
Noção De Trajetória
Com
Resistência De Aço
Já
Era Então Noite Alta
Um
Lindo Céu Estrelado
Cobria
Um Pranto Trancado:
Irmãos
Sempre Fazem Falta
Ouve-se
Ao Longe Grunhidos:
Meia
Noite A Despertar
Os
Esturros De Um Jaguar
Foi
Ecoando Aos Ouvidos
Então
Nos Veio A Certeza:
Cabinda
Está Bem E Vive,
Sinal
Que Está Perto Livre,
Das
Garras Da Fortaleza.
:
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Esperávamos
Mais Gente,
Mas
Só Cabinda E Dassor...
Que
Tristeza, Meu Senhor...
Face
Erguida Frente A Frente
Não Houve
Maneira, Ou Modo:
Perguntando O
Que Fazer:
Foi Cada Um A Se
Valer,
E Orum Valendo
Por Todos
E
Dassor Lhe Deu Razão:
Não Houve
Tempo A Perder
Foi Libertar-
se, Ou Morrer,
Em Vida Na
Escravidão.
Estão Todos
Embarcados
Saindo Do
Ancoradouro
Os Protegem
Qual Tesouros
Vão Pra
Leilões No Mercado
Foram Levados
Pro Norte,
Nos Sentimos
Quais Cativos:
Perdendo
Irmãos Inda Vivos
Pra Coisa Pior
Que A Morte
(A Vontade De
Ficar...
E Ao
Sofrimento Se Unir /
Contra A
Vontade De Partir
E Então Morrer
A Pelear)
As
Imagens Vão Rodando
As
Lágrimas A Rolar
Quem
Que Pode Segurar
Este
Abismo Se Afundando
Cabeças
Pende Pro Chão
Questões
Assolam A Mente
O
Que É Mesmo Ser Prudente
A
Emoção, Ou A Razão...???
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É
Como Ser Empurrados
Contra
A Parede Moral,
(O
Que É O Bem, O Que É O Mal), Pela Aflição Atordoados...!!!
E
De Olorum A Jesus,
Somos
Livres E Escravos,
Quais
Corpos Nos Mesmos Cravos,
Pregados
Na Mesma Cruz...!!!
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