domingo, 12 de outubro de 2025

Para Fátima

 

 

 

 


 

Lagoa Do Sol

Mar De Dentro

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Nas Curvas Das Enseadas

(Camaquã Tomos V)

(Minha)

Descendo O Arroio Lindo

À Sombra Dos Ingasais

Passa Correntes Remansos

Entre Os Raios matinais

 

As Garças Brancas Esbeltas

Rubros Esguios Jaçanãs

Faz Barra O Camaquã

A Canoa Cruza O Delta

 

Refrão

Nas Curvas Das Enseadas

Vou E Volto Na Genoa

Vida DE Pescador Pobre

Pobre Mas De Vida Boa

 

Na Lagoa Eu Ganho As Vagas

Abre Uma Clareira O Mundo

Azul No Espelho Profundo

Unindo Os Céus E As Aguas

 

La Fora Eu Solto O Grito

Me Encontro Me Alço Voando

Navegando O Infinito

Eu Ganho Tempo Sonhando

 

 

Refrão:

Nas Curvas Das Enseadas

Vou E Volto Na Genoa

Vida De Pescador Pobre

Pobre Mas De Vida Boa

 

 

 

 

 

 

 

 

Em Busca De Uma Revessa

 Vou Deitar Acampamento

Fogo De Chão Ao Relento

A Lua Surgindo Inteira

 

As Três Marias Na Alçada

Chuvas De Estrelas Cadentes

A Boieira No Levante

O Sol Fazendo Alvoradas

 

Rede De Mão Repassada

Volto Pra casa Contente

 

 

Descrição sobre a vida de um pescador que vive próximo à foz do rio Camaquã e desce velejando até a lagoa para pescar. Um personagem que vive longe das apelações das grandes cidades, mesmo das pequenas... Em sua comunidade local. É pobre, mas é feliz pescando e observando a natureza e levando para caso o sustento de sua família.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Camaquã Tomos III

(Airton E Minha)                                                                        

 

 

 

Cantando o tempo voa

Junto ao Sol abro as manhãs

Serestas de araquãs

Cravinas cantando à toa

 

As Perdizes Mariscando

A granada das Milhãs

Perfume dos Guatemãs

Rio de correnteza boa

 

Cascatas Caindo Em Chuvas

Barrancas, Ramos Pendentes

Silvestres Cachos De Uvas

Algazarra Nas Vertentes

 

Parte II

Quando Canta As Seriemas

Dourados Sobem Correntes

Vão Em Busca Das Nascentes

No Ciclo Da Piracema

 

Compassos, Rodas, Balanços

E O Terreiros Pra Dançar,

Lavrar, Semear E O Descanso

Colher, Viver E Cantar....

 

Vozes tristes / De quilombos

Cantigas de antigas heras

Sanfonas, violas / E Bombos

Nas Margens longas esperas

 

 

Outro resultado literário musical dos textos, depoimentos e fotografias que o Airton me mandava do Rio Camaquã. Descrição paisagística geográfica (com exemplos da flora e fauna local), Vestígios de quilombos extintos e,  de um aldeão ribeirinho do alto Camaquã, que sobrevive da pesca e de pequenas plantações de subsistência.

 

 

Defeso                06

(Minha)

 

 

Leste sopra de tufão /  Vai fechar a temporada

É o fim da estação / Enrola a tralha moçada

 

Que o mar não está pra peixe / Me contou uma Sereia

Quatro luas fora d água / De sol a sol na areia

 

Barco rolado pra terra / Pra obras no "Espraiado"

Ipê Roxo Nas Cavernas / Cedro Rosa nos costados

 

Pau ferro tranca travessa / Com guajuvira encaixado

Suporte e Banca bem forte / Motor de centro aprumado

 

Reservas De Um Santuário / Ambiente Confrontados

Expostos a predadores / Precisam ser preservados

 

Verão queimando na areia   /  O trabalho vem dobrado

Redes tecidas às mãos /  Feita Em Tipos Variados

 

A Deriva, Meia Água, De Fundo Em Ponto Laçado

Malhas finas , malhas grossas / Grade Em  laços transpassados.

 

Defeso,  reprodução / Vidas, ciclos renovados

Chegando A Piracema / Entram Cardumes pesados

 

 

 

 

 

Parte II / 06

 

 

Vento Batendo na cara / Chuva Tocada guasqueando

Ultima Pesca da safra / Sobe o peixe transbordando

 

Dou a largada para casa / Minha gente está esperando

Se o barco tivesse asas / Voltava agora voando

 

Barco rolado pra terra / Pra obras no Espraiado

Ipê Roxo Nas Cavernas / Cedro Rosa nos costados                          

               

Pau ferro Grápia taúba / Com guajuvira encaixado

Suporte e Banca bem forte / Motor de centro aprumado

 

 

Madeira de lei Moldada / Metal em Bronze Forjado

Jamar Novinho em folha / Há muito tempo sonhado

 

Salvas vidas na espera / O convés bem preparado

Com tabuas de polegadas / E corrimão no tosado

 

Parelha Nova Zarpando / Proeiro bom no costado

Sinal de nova estação / Com cheiro bom de pescado

 

Período em que os pescadores cessam a pesca em respeito aos ciclos reprodutivos que ocorrem na lagoa. Então aproveitam para rolar o barco pra terra, para repará-los, para a safra seguinte...!!! Aqui hás uma descrição de um barco pesqueiro, da pesca artesanal...!!!

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Mar De Dentro          03

 

 

A costa toda deserta  /  O vento que nunca para

O sal salpicando as mãos  / O sol açoitando a cara

 

Habitantes reunidos  /  Nas casas e nos galpões

A reparar os seus corpos  / A remendar arrastões

 

Tem nativa na janela  /  Descendência portuguesa

Pelo duro bom de cela  /  Mouro que conta proezas

 

Tem morena da Angola  /  Tem retinta da Guiné

Tem criolo bom de bola  /  Tem nego que diz no pé

 

 

Parte II / 03

 

Os povoados esparsos  /  Acomodados nas dunas

Casas de madeiras ralas  /  Carcaças cascos de escunas

 

Raras árvores para sombras  /  Cacimbas rasas pra cede

Junco batido é telha  /  Tábua De Nó é parede...

 

Tem candombe no terreiro  /  Come e bebe no quintal

Festa para o orixá guerreiro  / Terno de reis no portal

 

Preto Velho pai de santo  /  No congá é batuqueiro

A Mãe Preta Canta  Pontos  /  Por negro e branco costeiro

 

 

 

Parte III / 03

 

Sol nascente além mar  /  Poente terras além

Doces águas em Belém  /  Em São José,  Lagamar

 

Se estende os casarios  /  Com ruas, praças a o centro

E descem cercando a Barra  /  Deságua o Mar De dentro

 

Tem Da ilha da Madeira  /  Tem das Ilhas de açores

Benzedeiras e Parteiras  /  Artesões Navegadores

 

Carpinteiros e ferreiros  /  Portos cidades praianas

Armazéns e estaleiros  /  Embarcações Lusitanas

 

Tema Descritivo Das regiões costeira da Lagoa dos patos, com forte influência Afro-Portuguesa...””!!! Os Legados culturais  dessas Influência

Costa Brava            01

(Do Silvio Rebello E Minha) 

          

 

Costa Negra,  Costa Brava

Costa a fora, Sol em Chamas

A Beleza Nas Paisagens /

Apaga a história Humana

 

Olhos Banzos / Rios no rosto   /

 Cruz Pesada / Pra levar

Braços Tesos / Canto rouco   /

  Correntes / Para arrastar

 

Pés Leviano / Trilho Tosco     / 

 Lavrar, Plantar / E colher

Marcas No Peito / E No Dorso     /  

 Eirar, Debulhar / Moer

 

Mas Ninguém / Faz cativo A memória   /  

  Lembranças   / Ao redor dos braseiros

Velhas Lendas desde  ancestrais / 

 Da Mãe África  viéram em Tumbeiros

 

A história dessa Nação nos braços

Sustentada com sangue Guerreiro

 

Do contrário / Quem é que traria     /  

 O som Deste / Balanço costeiro

Rituais Danças e Cantorias      /   

E Alegria a girar nos terreiros

 

 

Tamborim / Agogô / Bangulê / Cangerê    / 

 Bambulá / Batucar / Bendenguê / Axexê

Birimbau / Cacumbo / Candobe /Caxanbú  /

 Atabaque  / Ingomê /  Bambaquerê /  Lundu*

 

Adjá  / Alujá / Adarrum / Afoiê    /   

  Moçanbique / Ngungá / Rocumbo / Xequerê

Cucumbí / Marimbau / Maracatu / Milonga 

  Puíta /  /Xiba    /  Sansa   /  Urucungo /  / samba*

 

 

 

 

 

Parte II / 01

 

Costa Doce / Brava costa  /

 Costa A Fora, Chão Praieiro /

Sangue suor e trabalho  /

 E Gente no Cativeiro

 

Corpo Gasto / Fardo Grosso     /  

 Lavouras / E redondesas

Rastro fundo / Peso Morto      /   

 Desde a Terra / O pão na mesa

 

 

 

Grilhões para os  tornozelos /

 Kanga de chumbo nos ombros

Tranca De ferro, Senzala  /

 Marca fujão pros Quilombos

 

 

Mas ninguém / Faz cativo A memória   /  

 Lembranças   / Ao redor dos braseiros

Velhas Lendas  desde ancestrais / 

 Da Mãe África viéram em Tumbeiros

 

A história desta Nação nos braços

Sustentada com sangue Guerreiro

 

Do contrário / Quem é que traria     /  

  O som Deste / Balanço costeiro

Rituais Danças e Cantorias      /   

E Alegria a girar nos terreiros

 

Jêguedê / Caxxixi / Jongo / Lê / Zabumba    / 

  Imgomê / Candomblé /  Tumbadora / Bamba

Rumpi / Caxinguelê / /  Xaque - xaque  / Ngungá   / 

RIpinique /  Batuque / Pandeiro /  Congada...*    (/  Rum  /)

 

Afoxé -   Quimbôto -  Baiani - Quimbête -  

/ - Gã -  Maxixe - Batá  - Canzá -  Bombo - Agê

Caribó,  Birimbáu - Bongô -   - Bambá -  Djambê / -

 Kalimba -  Kisange - Hungu -  M’bolumbumba - Aiê*  

 

Alusão à Costa Doce ( costa brava ), e as influência Afro na região. A história e o sofrimento do homem negro criando uma região com o próprio suor e os braços à custa de cativeiro...!!! E, nomenclatura Aferos, sinalizando, comidas, bebidas,  festas, rítimos, e instrumentais Afros...

 

 

Rio Guaíba

 

Navegando o Rio Guaíba,  

Ilhas, Morros, Casarios

Armazéns e Cais do Porto 

Na Paisagem, Grandes Navios

 

 Agressões Instituídas

 Sob Os Faróis Da Costeira

Impérios Mancham Tua Águas

Ferem Tua Brisa Praieira

 

Nas Veredas Pra Itapuã

A Luz Da Aurora Fascina

Desponta O Sol Na Manhã

E O Dia Azul Te Alucina

 

Canta E Decantam  As Tuas Margens,

Iludindo As Almas Despreparadas,

Vão Apagando Do Espirito Crítico,

As Tuas Águas Alteradas.

 

Gastam Milhões Decorando Tua Orla

Com Monumentos  Pra Distrair  Tolos

Enquanto Lucram Bilhões Em Divisas

Vão Te Afogando No Lodo

 

Projetam Praças, Teatros, Mirantes

Passeios E Quadras De Esportes A Gosto...

E As Passarelas Pra Andar Sobre Às Águas

 Enquanto O Rio É Um Esgoto.

 

Anoiteço..., Velejando..., Amanheço...!

Parte II

 

Lembro  As Praias Do Guaíba

Os Teus Verões Coloridos

Multidões Povoando Areias

Visitantes Comovidos.

 

Hoje Os Raros Pontos Livres

Vendem Quais Fossem Normais

E Escondem Tuas Praias Mortas

 Nem Nos Mapas Constam Mais

 

Nas Veredas  Pra  Eldorado

O Por Do Sol Te Encanta

O Céu Todo Matizado

 Em Multicores Te Emanta

 

    Contrapartidas, Permissividades

 “Custo Maleficio”,  Negócios Discretos...!!!

Enquanto  Agridem O Teu Corpo  Líquido

Vão Te Enganando Em Concreto...!!!

 

Espertalhões Te Decretando (Um Lago),

Driblando Leis Em Lobbies E  Assédios,

Vão Liberando O Ramo Imobiliário,

Pra Te Embretar  Entre Os  Prédios...

 

Mordaças, Olhos Brancos,   Ouvidos Moucos,

Caras De Paisagens E Vendilhões

Capachos Servis E Vis Empresários

Te Espoliando Em Leilões...!!!

 

Anoiteço..., Velejando..., Amanheço...!!!

Para Fátima

          Lagoa Do Sol Mar De Dentro                   Nas Curvas Das Enseadas (Camaquã Tomos V) (Minha)...