Cantigas de meu Lugar
"Lagoa do
sol" IV
Existem quatro
posições básicas (leste, oeste, norte, sul) e os intervalos entre elas
(noroeste, nordeste sudoeste e sudeste), e os semi-intervalos. Mas uma só para
se avistar a Lagoa dos Patos, e chama-la Lagoa do Sol, mesmo que por uma única vez na
vida. Para ser Lagoa do Sol, ás águas precisa ser vista por alguém que está a
oeste de tal lagoa. Pois foi a oeste, a mais ou menos 30 km de distancia, do
Serro Dos Emboabas, próximo a serra do Herval que, José Waldir Garcia, um dos
fundadores dos Tápes, avistou o Sol nascer espelhado nas águas, em um claro
amanhecer no inverno de 1973, a leste da Lagoa Dos Patos. Então a chamou de
Lagoa Do Sol. Foi dai que surgiu o tema Musical criado por ele; Dança da Lagoa
do Sol, primeira faixa do Álbum: Canto Da Gente, de 1975. Waldir Garcia
imaginou uma dança primitiva ao nascer do sol e, como este, a leste da lagoa,
como se os dançarinos estivessem dentro da coroa do sol nascente, avistados por
quem estivesse ao oeste. Claro, é um imaginário poético, pois só em poesia pode
se ver isto, dada as dimensões da lagoa. Mas ele estava em um local privilegiado
a trinta quilômetros das águas e a cerca de 200 metros de altitude, a visão da
paisagem lhe acusou a imaginação... A música é de inspiração indígena, e o
instrumental usado para executa-la, é todo de inspiração nativa, criado pelos
componentes do grupo os Tápes, principalmente por ele e Rafael Koller. São
flautas compostas de bocal doce, distribuídas em notas como flautas de pã. Uma
delas em notas simples fazendo as tonalidades básicas da harmonia, a segunda em
notas compostas em segundas e terceiras, (sopradas de uma só vez),
complementando a harmonia. A terceira flauta, também confeccionada em taquara
como as demais, é uma transversal primitiva de bocal xucro, esta era usada para
executar a melodia. Os demais instrumentos eram de percussão: Bombos regueiros,
caxixis, chocalhos, reco-recos, tumba quaras, e taquareiras. Agora, trabalhando
em resgates de músicas antigas, jogadas a os baús e gavetas, estamos resgatando
o tema que, já tinha sido inaugurado pelos Tápes. Primeiramente por Cláudio
Garcia, em 1971, com a canção Barqueiro, que também integra o Álbum
Canto Da Gente, e logo depois Entre o Mar e o Pampa há uma Lagoa, dele e
do Waldir, que faz faixa no Estações Das Águas, e então; Dança da lagoa do
Sol. Cantigas Das Águas De Meu Lugar se refere a o universo geográfico
histórico e cultural costumeiro, dos povos que circundam a Lagoa do Sol (Lagoa
dos Patos), e lugares vizinhos: é o prosseguimento do Estações Das Águas. Tema muito rico que, Os Tápes teve a Sorte de
encontrar pela frente. Mas, enquanto Cláudio Garcia se dedicava a pesquisas de
campo, coletas de dados e domínio da linguagem lago eira, e eu me dedicava a
compor e transformar em versos e músicas o manancial coletado - foram cerca de
40 canções - neste meio tempo, o grupo musical a os poucos se dissolvia, em dissidências
e desencontros. Ficaram como registro O Estações das Águas, que reúne 14
destas canções, e agora este resgate, que estamos chamando de Cantigas Das
Águas De Meu Lugar, ou, Lagoa Do Sol.
Lagoa do Sol
Estações Das Águas
II
Por Otacilio
Óta Alves
Estações das Águas
II, é um trabalho musical literário que reúne trabalhos do Cláudio Garcia,
Silvio Rebello, Airton Madeira e eu (Óta). Nada mais é, do que o resgate de
músicas e letras, que estavam prontas a anos, e que embora algumas sejam
conhecidas pelos amigos que se acercaram e colaboraram com o Estações I, não fizeram parte do disco. Outras por um
motivo, ou outro, não foram levadas a o público: todas parte de uma grande leva
sobre o universo geográfico e humano da lagoa dos patos. Agora resolvemos
tirá-las da gaveta, selecioná-las, repará-las e aprontá-las: O destino que vamos dar a elas, quanto ao
meio de publicação, não sabemos ao certo ainda... mas uma coisa é certa; de uma
forma, ou de outra; vamos tentar levá-las ao conhecimento dos amigos.
Coriolano e os Proeiros 25
A leste do Mar de
Dentro
Um Mormaço a sufocar
Um dia fora do tempo
Homens precisam
Zarpar
É O fruto acumulado
De um trabalho penado
Pagar credor ao
dobrado
E a honra a lhes
cobrar
A Oeste nuvens
estranhas
Na linha do horizonte
Uma ameaça no fronte
Homens precisam
zarpar
Entre preservar a
vida
E por em risco o
trabalho
Entre escolher o
trabalho
E por em risco a vida
Foi então que
decidiram
O trabalho vale mais
E o barco então
Zarpou
De volta pro velho
cais
Deixa a linha do
horizonte
Nas águas abertas
sai
E o Barco então
Zarpou
A praia sumindo à "trás"
As Mãos repuxando (estais)
E o barco então
Zarpou
Os Avisos , Os Sinais
Fere a linha do
horizonte
Nas águas abertas
sai
E o Barco então
Zarpou
A Oeste As Nuvens
Saem
Ao Longe Trovões, relâmpagos
Mar revolto e o barco
vai /
E o barco então
Zarpou
Quem em terra não vê
mais
Todo o Céu escureceu
Vento e águas
torrenciais
E o barco então
zarpou
Entra No Horizonte e
Cai
Mergulhou na
Imensidão
Entre Ondas Colossais
E o barco então
Zarpou
Ninguém os verá, jamais...!!!
Costa Fora 01
Copiar
Costa Negra, Brava Costa
Costa a fora, Sol em
Chamas
A beleza Nas
Paisagens /
Esquece a história
Humana
Olhos Banzos / Rios
no rosto /
Cruz Pesada / Pra levar
Braços Tesos / Canto
rouco /
Correntes / Para arrastar
Pés leviano / Trilho
Tosco /
Lavrar, Plantar / E colher
Marcas no peito / E
no dorso /
Eirar, Debulhar / Moer
Mas ninguém / Faz
cativo A memória /
Há Lembranças
/ Ao redor dos braseiros
Velhas Lendas desde ancestrais /
Da Mãe África
viéram em Tumbeiros
A história desta
Nação nos braços
Sustentada com sangue
Guerreiro
Do contrário / Quem é
que traria /
O som Deste / Balanço costeiro
Rituais Danças e
Cantorias /
E Alegria a girar nos
terreiros
Taborin / Agogô /
Bangulê / Cangerê /
Bambulá / Batucar / Bendenguê / Axexê
Birimbau / Cacumbo /
Candobe /Caxanbú /
Atabaque
/ Ingomê / Bambaquerê / Lundu*
Adjá / Alujá / Adarrum / Afoiê /
Moçanbique / Ngungá / Rocumbo / Xequerê
Cucumbí / Marimbau /
Maracatu / Milonga
Puíta /
/Xiba / Sansa
/ Urucungo / / samba*
Parte II / 01
Costa Doce / Brava
costa /
Costa A Fora, Chão Praieiro /
Sangue suor e
trabalho /
E Gente no Cativeiro
Corpo Gasto / Fardo
Grosso /
Lavouras / E redondesas
Rastro fundo / Peso
Morto /
Desde a Terra / O pão na mesa
Grilhões para os tornozelos /
Kanga de chumbo nos ombros
Tranca ferro na
Senzala /
Marca fujão pros Kilombos
Mas ninguém / Faz
cativo A memória /
Há Lembranças
/ Ao redor dos braseiros
Velhas Lendas desde ancestrais /
Da Mãe África viéram em Tumbeiros
A história desta
Nação nos braços
Sustentada com sangue
Guerreiro
Do contrário / Quem é
que traria /
O som
Deste / Balanço costeiro
Rituais Danças e
Cantorias /
E Alegria a girar nos
terreiros
Jêguedê / Caxxixi /
Jongo / Lê / Zabumba /
Imgomê / Candomblé / Tumbadora / Bamba
Rumpi / Caxinguelê /
/ Xaque - xaque / Ngungá
/
Batuque / RIpinique / Pandeiro / Congada...*
(/ Rum /)
Afoxé - Quimbôto -
Baiani - Quimbête -
/ - Gã - Maxixe - Batá
- Canzá - Bombo - Agê
Caribó, Birimbáu - Bongô - - Bambá -
Djambê / -
Kalimba -
Kisange - Hungu - M’bolumbumba -
Aiê*
Canto Triste 02
Amanhã água / Vem
mansa
Fala o vento / Do
outro lado
Este canto /
Beira d’água
No mundo / Ta
ancorado
Tá ancorado / No
mundo
Este cantador /
Arpoado
Navegando Eu vou /
Corpo solto Aproado
Dunas brancas
Roncador /
Sol nascendo
Do outro lado
Mãos De Algozes / Agridem
os céus
os campos, as
águas /
O sol das manhãs
Nos pesqueiros / Das
encostas
Do rio grande / A
Itapuã
A Lagoa / Roga
Bons bons tempos
Pra Protetora /
Inhansã
Navegando eu vou /
Corpo solto aproado
Alagadas Rolador /
Arco-Iris do outro lado
Parte II / 02
Eu canto Triste /
Pelos juncais
Nas enseadas / Nos
areais
E voam barbas / Nas
Figueiras
E doram cachos / Nos
butiazais
E abrem flores as
corticeiras
E acenam palmas os
coqueirais
Navegando eu vou /
Barco solto aproado
Noites Claras
Desertor /
Lua Cheia do outro
lado
Lua cheia
Desertor /
Chove estrelas do
outro lado.
Mar De Dentro 03
A costa toda
deserta /
O vento que nunca
para
O sal salpicando as
mãos /
O sol açoitando a cara
Habitantes
reunidos /
Nas casas e nos galpões
A reparar os seus
corpos /
A remendar arrastões
Tem nativa na
janela /
Tem a bela portuguesa
Pelo duro bom de
cela /
Mouro que conta
proezas
Tem morena da
Angola /
Tem retinta da Guiné
Tem criolo bom de
bola /
Tem nego que diz no pé
Parte II / 03
Os povoados
esparsos /
Acomodados nas dunas
Casas de madeiras
ralas /
Carcaças cascos de
escunas
Raras árvores para
sombras /
Cacimbas rasas pra
cede
Junco batido é
telha /
Madeira a pique é parede...
(Tábua de nó é
parede)
Tem candombe no
terreiro /
Come e bebe no quintal
Festa para o orixá
guerreiro /
Terno de reis no
portal
Preto velho pai de
santo /
No congá é batuqueiro
A mãe preta reza em
pontos /
Por negro e branco costeiro
Parte III / 03
Sol nascente além
mar /
Poente terras além
Doces águas em
Belém /
Em São Jozé,
Lagamar
Se estende os
casarios /
Com ruas, praças a o
centro
E descem cercando a
Barra /
Deságua o Mar De
dentro
Tem Da lha da
Madeira /
Tem das Ilhas de
açores
Benzedeiras e
Parteiras /
Artesões Navegadores
Carpinteiros e
ferreiros /
Portos cidades praianas
Armazéns e
estaleiros /
Embarcações Lusitanas
Vento Popa / Proa Mar
04
Copiar
Quando saio mar a
fora
Me dói ver ela
ficando
Eu Levo a vida
partindo
E ela a vida
esperando
Quando chego dos
confins
No seus Braços peço
auxilio
Eu traga a vida pra
ela
E ela a vida pros
filhos
Assim a finco suando
Deste jeito vamos
indo
As vezes nos
confundindo
Em outras nos
apartando
Os filhos vão nos
chegando
Nosso barraco
encolhendo
De vez em quando Sofrendo
E vez por outra
Cantando
Parte II / 04
Vamos juntos
insistindo
Velhos Crianças e
moços
Num Dia as águas se
abrindo
Noutro fechando o mar
grosso
Pano de Mastro ao Vento
Motor de Centro
Bufando
O velho Bote
Singrando
A Tralha É Só
Remendos
Entre sonhos de
menino
Teço redes a pensar
Embrenhado no destino
De pescar e navegar
Navegando amiúde
Vento popa proa mar
Eu Rezo a deus por
saúde
E resto A LOGOA dá.
Sobra:
"Os filhos vão
nos surgindo
Nosso cantinho
apertando
De vez em quando (Sofrendo) Sorrindo
E vez por outra
Cantando"
Sobras:
Pano de Mastro Batendo
Motor de Centro
Roncando
O velho Bote
Singrando
A velha Tralha a
contento
O "Soleiro" 05
Madrugada o Soleiro
Pega a encilha no
paiol
Poe o baio Na estrada
E parte em busca do
sol
Não tem chuva nem
geada
Nem assombro que
apareça
Depende desta jornada
Para que o dia
amanheça (aconteça)
O baio atravessa a
noite
Nas veredas campo
fora
No infindável
trabalho
De buscar o sol na
aurora
Na garupeira a
bagagem
Laço certeiro nos
tentos
Pala abanando na
aragem
Rabo da Vincha ao
vento
Logo Atrás do
horizonte
Se esconde o sol
na alvorada
Sentindo apontar os raios
As mãos prontas na
armada
Rodeia o quatorze
braça
Lance de saber
profundo.
Levanta o sol da alvorada.
E o dia Clareia
mundo.
Defeso 06
Leste sopra de tufão
/
Vai fechar a
temporada
É o fim da estação /
Enrola a tralha
moçada
Que o mar não está
pra
peixe / Me contou uma
Sereia
Quatro luas fora
d`agua /
De sol a sol na areia
Barco rolado pra
terra /
Pra obras no
"Despraiado"
Ipê Roxo Nas Cavernas
/
Cedro Rosa nos
costados
Pau ferro tranca
travessa /
Com guajuvira
encaixado
Suporte e Banca bem
forte /
Motor de centro
aprumado
Defeso, reprodução /
Vidas, ciclos renovados
Chegada da Piracema /
Entram Cardumes pesados
Expostos a predadores
/
Precisam ser preservados
Verão queimando na
areia /
O trabalho vem dobrado
Redes tecidas à mãos
/
Feita em
pontos )Variados(* -
)transpassados(
Malhas finas , malhas
groças
Nó de laços transpaçados
* - Parentes
invertidos: liberdade literária com ambas as palavras.
Parte II / 06
Vento Batendo na cara
/
Chuva Tocada guasqueando
Ultima Pesca da safra
/
Sobe o peixe
transbordando
Dou a largada para
casa /
Minha gente está
esperando
Se o barco tivesse
asas /
Voltava agora voando
Barco rolado pra
terra /
Pra obras no
Despraiado
Ipê Roxo Nas Cavernas
/
Cedro Rosa nos
costados
Pau ferro Grápia
taúba /
Com guajuvira
encaixado
Suporte e Banca bem
forte /
Motor de centro
aprumado
Madeira de lei
Moldada /
Metal em Bronze Forjado
Jamar Novinho em
folha /
A muito tempo sonhado
Salvas vidas na
espera /
O convés bem preparado
Com tabuas de
polegadas /
E corrimão no tosado
Parelha Nova Zarpando
/
Proeiro bom no
costado
Sinal de nova estação
/
Com cheiro bom de
pescado
Dilema de Lúcio
O Lenhador 07
A balsa desse pesada /
Leva Madeira de lei
Das matas do Camaquã /
Pra alguém ter vida
de rei (Que com pesar foi cortada)
Cada tora que tombou
/
Doeu em Lúcio o lenhador
No rancho lhe
esperando /
Três filhos
(Desculpas) e o seu amor
Em sua razão inocente
/
Não há Perguntas, nem respostas
Só sabe que sente, o
que sente /
Ao obrigar-se ao que não gosta
Ganhando a vida no
braço /
Na roça não Teve
enxada
No campo não sobrou
laço /
Na cidade / não viu
nada
AS mãos fortes
calejadas /
É pro o peso do trabalho
Afiou o seu machado /
E na miséria deu um talho
A balsa segue serena
/
Nas curvas do Camaquã
Perfumando suas penas
/
Cedro, Angico e
Tarumã
Saudade lhe fez
doente /
O peito Arde em brasa
Cuidados com sua
gente /
Precisa rever sua
casa
Parte II / 07
Não compreende o que
se passa /
Vai sofrendo o tempo
todo
Não confessa suas
máguas /
Para não se passar
por Tolo
Longe de tudo e de
todos /
A noite dorme ao
relento
Cozinha em fogo de
chão /
Café de chaleira a o
vento
Lúcio não tem
horizontes /
Só vê o mato fechado
Abre caminho pras
fontes /
Clareiras com seu
machado
O Capataz quer
resultado /
O patrão pagando
pouco
Mas pra quem arca os
pecados /
Muito vale alguns
trocos
De sol a sol eito a
eito /
Não tem dia não tem
hora
Nem descanso nem
direitos /
Quem adoece, mandam
embora
Então não pensa o
que se passa /
Nem no corte, nem no tombo
Faz Olhos
brancos devassa /
Ouvidos moucos
pro Estrondo|
Não Vê como ser
diferente /
Só lhe sobrou esta
lavra
Mas ainda muda de
oriente /
Vai jurando, em suas
palavras
Moço bravo e de
respeito /
Olhos Bravos, Geito
brando
A Barba descendo ao
peito /
Cabelos abaixo dos ombros
Rio Da Vida 08
Copiar
Quem caminho sobre as
águas /
É chamado pescador
Pesca a dor e toda a
mágoa /
Só não pesca a sua
dor
Cada mágoa que
levanto /
São penas que faz doer
Ilusões sonhos
encantos /
É o que resta pra viver
Olhei com os olhos
rasos /
No fundo das águas claras
No espelho fez
redondilhas /
Se mostrou uma Iara
Joguei um ramo de
Ipê /
Roxo de amor e carinho
Matreira me
desdenhou /
Fiquei na margem sozinho
Parte II
Tenho o céu
enluarado /
Sobre a ponta da
Genoa
Peixes de Pratas,
Dourados /
Sob o casco da canoa
Vai canoa contra as
águas /
Vem as
águas contra o vento
Sopra o Vento a meu
favor /
Acalma meu Sofrimento
Distante do bem
querer /
Da sopros no coração
Corre nas veias
saudade /
Arde nos olhos paixão
Partidas que não tem
hora /
Caminhos a se
estender
Regressos que faz
demoras /
Distâncias para vencer
Albardão 09
Copiar
A noite desce
serena /
Sob o clarão do luar
Sinto cheira de
açucena /
Meu bem está pra
chegar
Estrela d´alva
apontada /
Brilha qual o teu
olhar
Qual mãe D’água
Iluminada /
Pela noite a levitar
Sou Garimpeiro de
sonhos
Sou madrugador Atento
Chuva de estrelas
caiu
Na praia do
Pensamento
Sou Contador de
estrelas
Do Farol )Faroleiro(
do Albardão
Há Noites que as
vezes caem
Estrelas para encher
as mãos
Longe mas ligado a
tudo
Em ondas curtas no
fumdão
Eu ouço as vozes dos
homens
E geme meu coração
Ponteio a viola rasa
Com sentimento
profundo
E canto a moda da
casa
O Sofrimento do Mundo
Parte II / 09
Voou uma pena das
pontas /
Das asas do Minuano
Que pousou
assobiando /
Na noite que já desponta
Braseiro brilha
ardendo /
Aquecendo a solidão
La fora o vento
Gemendo /
Parece uma assombração
Garimpei fazendo
contas /
Estrelas pra este, pra aquela
As mãos cheias contra
o peito /
A mais linda; é só para ela.
Sou Contador de
estrelas /
)Do Farol(
)Faroleiro(* do Albardão
Há noites que as
vezes caem /
Estrelas para encher as mãos
* - Entre parentes
invertidos as possibilidades estão abertas.
Longe mas ligado a
tudo
Em ondas curtas no
fumdão
Eu ouço as vozes dos
homens
E geme meu coração
Ponteio a viola rasa
Com sentimento
profundo
E canto a moda da
casa
O Sofrimento do Mundo
Sobras:
Sou Garimpeiro de
sonhos
Sou madrugador Atento
Chuva de estrelas
caiu
Na praia do
Pensamento
Garimpei fazendo
contas /
Estrelas pra este, pra aquela
As mãos cheias contra
o peito /
A mais linda; é só para ela
Ponteio a viola rasa
Com sentimento
profundo
E canto a moda da
casa
O Sofrimento do Mundo
Desertor 10
Vento Velas Bordejar
Gaivotar Meste Mar
Barco Leve Sorrateiro
Proa Forte Rota Firme
Um Pontal De Areias
Brancas
Fim De Tarde Desertor
Nuvem Negra
Traiçoeira
Rastejante Derradeira
Tripulante Combatente
Extasiado, Louca
Intrusa
Que Truncou A Rota
E Destroçou O Sonho
Olegario 11
Vai Olegário
Arquejando pelas
sombras
Vem de rota perdidas
Sem rumo remos e
velas
Vai Olegário
Malhas de redes no
rosto
Escamas e barbatanas
nas mãos
Transas e amarras no
andar
Fisgadas de anzóis no
coração
Vai Olegário...!
Parte II / 11
Vai Olegário
Arquejando pelas
sombras
Vem de rotas perdidas
Sem rumos remos e
velas
Vai Olegário
Ondas de mortes no
corpo
Marés de angústias
abordando o leito
Junto a velha
companheira
Quem lhe esquenta e
Afomenta o peito
Vai Olegário...
Quem há de um dia
pescar
Por onde estes braços
pescaram
Quem haverá de Olhar
Paisagens que estes
olhos olharam
Barco Sem Porto 12
Se foi o barco
Com as esperanças
Foram se as redes
E o madrugador
Qual barco sem Leme
Igual pano sem tralha
Em caminhos de ondas
De ventos de solidão
Naufrago Proeiro
De um barco pequeno
Em tantas distancias
De um porto Ilusão
Adeus as Águas
Turvas lembranças
Olho mareado
Do navegador
Qual barco sem Leme
Igual pano sem tralha
Em caminhos de ondas
De ventos de solidão
Naufrago Proeiro
De um barco pequeno
Em tantas distancias
De um porto Ilusão
Velho Duca “Água doce" 13
Rabanada de dourado
Batendo no Espinhel
Bagre Cambando a os
punhados
Subindo com as marés
Bem aqui neste
costado
Aí mesmo onde dá pé
Mastros velas mestras
bujas
Bordejos panejos
ventos
Horizontes no
Traquete
Larga escolha na
mezena
Lagoa linda limpa e
livre
Águas claras brisas
puras
Meu coração de água
doce
Balança o Balanço do
mar
Ela hoje aprontou-se
Com jeito de quem vai
navegar
Na água cai me
encharquei
Na areia saí pra
enxugar
O sol fez meu frio
aquecer
Alua minha febre
baixar
Um Barco levou meu
amor
No porto fiquei a
chorar
O vento escutou minha
dor
A brisa acalmou meu
penar
Velho Duca moço /
Fala lembra
Moço Duca velho /
Lembra fala
Parte II / 13
Voga Grumatã piava
Riscando as Calmarias
Mantas de birú bem
cedo
Tainhas que reluzia
Abrindo junco logo
ali
Por esta luz que me
alumia
Pescador de pé na
popa
Lugares prontos
pesqueiros
A lua clareando as
velas
Cantigas com o
parceiro
Olhos longe riso
perto
Lago dono Lago
Inteiro
Meu coração de água
doce
Balança o Balanço do
mar
Ela hoje aprontou-se
Com jeito de quem vai
navegar
Na água cai me
encharquei
Na areia saí pra
enxugar
O sol fez meu frio
aquecer
A lua minha febre
baixar
Um Barco levou meu
amor
No porto fiquei a
chorar
O vento escutou minha
dor
A brisa acalmou meu
penar
Velho Duca moço /
Fala lembra
Moço Duca velho /
Lembra fala
Proeiro 14
Linha de fundo e
espera
Anzol empate e
chumbada
Carretilha corredeira
Caniço de estirada
Fateixa espinhel
fieira
Boia de cortiça atada
Mão pra fisgada
certeira
Braço bom pra
tarrafada
Homens de popa e
carancho
Proeiro destes
costados
Entre sol e frio
navegam
Céu aberto Céu
fechado
O suor cai entre as
águas
O peixe some nas
salgas
E assim vão pescando
a lagoa
Com suas mãos
pescadoras
Cordas parelhas de
redes
De pontos e malhas
variadas
Malhas singelas
solteiras
Feiticeiras
entrelaçadas
Cascos e bordas
inteiras
Leme bom proa elevada
Quilha e popa
despacheira
Mastro Adriças Velas
içadas
Parte II / 14
Homens de popa e
carancho
Proeiro destes
costados
Entre sol e frio
navegam
Céu aberto Céu
fechado
O suor cai entre as
águas
O peixe some nas
salgas
E assim vão pescando
a lagoa
Com suas mãos
pescadoras
Na entre safra do
peixes
Pescam de estivadores
Atracam nas
construções
Remam o chão, são
lavradores
Nas marés nas
invernadas
Nos remansos dos
potreiros
Navegam nas
gineteadas
São pescadores
campeiros
Homens de popa e
carancho
Proeiros destes
costados
Entre sol e frio
navegam
Céu aberto Céu
fechado
O suor cai entre as
águas
O peixe some nas
salgas
E assim vão pescando
a lagoa
Com suas mãos
pescadoras
Bailarinos de Águas
e
Ventos 15
Ventania
Gira Sol
Mato Preto
Graxaim
Barba Negra Curral
Velho
Vitoriano Zé Martim
Marinheiros Ilha
Grande
Ponta Escura Pedras
Brancas
Arroio Petin
Bailarino
Conquistador
Rumo a Tuneiras e
Desertor
Milionário
Prosperador Serenata Pé De Valça
Na Barra Falsa e no
Barquinho
Sonho de Ouro e
Pereré
Na Flor da Praia
Arambaré
Parte II /15
Capivaras
Bujurú
Gavião Negro
Tatuí
Calafate Camaquã
Canal Novo e Lami
Torotama Caramuru
Sarangonha Cocurutos
Capivari
Dançarino imperador
Rumo a Quilombo e
Varalzinho
Milionário
Prosperador (Serenata -
"Cisne Negro" - Pé de valça)
Na Barra falça e no
Barquinho
Sonho de Ouro e
Pereré
Na Flor da Praia
Arambaré
Barquinho De
Lata 16
O cordão rebentou
aí...!
Estou aqui sozinho
Meu Deus Não sei
nadar
Desprendeu meu
barquinho
Meu barquinho de lata
Que eu ganhei pra
brincar
Vento terra bateu
Meu Barquinho colheu
Eu não pude alcançar
Alguém pra me ajudar
aí...!
Estou aqui sozinho
Uma mão pra me dar
Desprendeu meu
barquinho
Meu barquinho de lata
Que eu ganhei pra
brincar
Uma onda pegou
Meu barquinho levou
Eu fiquei a chora
Minuano 17
Vento Minuano / Um
guerreiro
Não teve pai / E nem
mãe
Chega vagueando / Nos
pagos
Acalentando as manhãs
Nas previsões / Das
chegadas
Vem e surpreende / O
teatino
Montado ao próprio
Destino
Sem Partidor ou
parada
Vento rude / Vento
bravo
Que não tem hora / E
nem dia
Chega tropeando / A
invernia
Atravessando os
rincões
Chega assoviando de
longe
O arvoredo todo acena
Vem tilintando as chilenas
Brincando com os
corações
Na noite a seresta
encantada
Invade as frestas dos
galpões
Parte II / 17
Vento Minuano qual
Fantasma
A noite ronda os
braseiros
Soprando treme o pago
inteiro
Rugindo assombra as
madrugadas
Gemendo qual alma
penada
Entre paredes e
telhados
Arpejando os
alambrados
Canta e desnuda as
ramadas
Vento rude / Vento
bravo
Que não tem hora / E
nem dia
Chega tropeando / A
invernia
Atravessando os
rincões
Chega assoviando de
longe
O arvoredo todo acena
Vem tilintando as
chilenas
Brincando com os
corações
Na noite a seresta
encantada
Invade as frestas dos
galpão
Lambari 18
Canoa do cacho de
coqueiro
Caico da espata de
BUTIÁ
Porongo de cuia em
canteiro
Bucha quingombô na
ramada
Calça curta rosto
trigueiro
Isca boa no samburá
Caniço e anzol
lagoeiro
Guri por aí vai
pescar
A linha correu
lambari bicou
A boia afundou caniço
a vergar
O anzol fisgou guri a
puxar
Lambari ficou na água
A linha correu
lambari bicou
A boia afundou caniço
a vergar
O anzol fisgou guri a
puxar
Lambari saltou prá
terra
Parte II / 18
Copiar
Saíra no Abacateiro
Sabia na
Laranjeira
Xuxú subiu no
sabugueiro
Maracujá na
Pitangueira (Goiabeira )
Boné virad`olho
matreiro
Pés descalço na areia
Caniço e anzol
lagoeiro
Guri por aí vai
pescar
A linha correu
lambari bicou
A boia afundou caniço
a vergar
O anzol fisgou guri a
puxar
Lambari ficou na água
A linha correu
lambari bicou
A boia afundou caniço
a vergar
O anzol fisgou guri a
puxar
Lambari saltou prá
terra
BRINCADEIRAS 25
Copiar
Balanço de cordas
ondula no ar
Balança a menina pra
la e pra cá
Biscoito na mão
Boneca de ninar
A trança girando
voando no ar
Pula corda
Amarelinha
Esconde esconde De
pagar
De Ciranda
de casinha
Tope lindo de fita na
trança
O Pião GIRANDO caiu no terreiro
Bulita de gude
ROLAndo na raia
No jogo do taco quem chega primeiro
No bate e rebate que
a garrafa caia
Pé Ligeiro pula a corda
Guri solto Faz Mundéu
Vento sopra
Vai Pandorga
De rabo ondulando no
céu
Entre as Águas 19
Na enseada do rincão
Quando maio aparecia
Pelas frestas do
Galpão
Junho já se
pressentia
Gente colorindo os
campos
Colheitas nos
cebolais
Brisa assoviando nas
dunas
Ondulando os arrozais
Branca areia terra
boa
Preto Barro pantanal
Claros olhos corpos
pardos
Águas doces / Ondas e
Sal
Corações temperados
Cheiro de mar gosto
de sal
Verões de amores
n’areia
Flertes banhos no
pontal
Ao Partir dão-se as
mãos
Enlaçam-se aos abraços
E o beijo cai no
compasso
Balanço do coração
Parte II / 19
Restias trançadas nas
mãos
Peixes frutos
maresias
Barco redes cais e
porto
Mar revolto Calmarias
Lindas Nativas,
Trigueiras
Casadoras suspirando
Os seus bravos
marinheiros
Pro alto mar embarcando
De mãos dadas a té o
porto
Confundidos pela dor
Eles voam olhar longe
Preso solto sonhador
Elas ardentes risos
sábios
Peito perto puro amor
E vão murando a os
lábios
Versos d´agua mares
em flor
Ao partir dão-se as
mãos
Enlaçam-se aos
abraços
E o beijo cai no
compasso
Balanço do coração
Gurizito 20
Gurizito te garanto
Homem grande parece
As calças remangadas
Nos joelhos remendos
Pra canga
A boiada trazendo
Com passos firmes
Conduz a quartiada
O Arroz pra trilha
Cachos Em Feichos nas carreteadas (Leva) (No Feicho)
Teu grito é decidido
Teu olhar é muito
duro
Gurizito te asseguro
Não vives qual um
Menino
O teu andar tem
destino
Mas teu pensamento é
puro
Gurizito te asseguro
Não vives qual um
menino
Nunca soube o que é
brincar
Tua vida é trabalhar
Trabalhar é tua vida
Nunca soube o que é
brincar
Parte II /20
Gurizito te garanto
Homem grande parece
Os pés descalço
Quebrando a geada
Queixo tremendo
A mão preparada
As mangas regaçadas
O corpo sofrendo
No duro corte
Do Arrozal que vai
colhendo
Teu grito é decidido
Teu olhar é muito
duro
Gurizito te asseguro
Não vives qual um
Menino
O teu andar tem
destino
Mas teu pensamento é
puro
Gurizito te asseguro
Não vives qual um
menino
Nunca soube o que é
brincar
Tua vida é trabalhar
Trabalhar é tua vida
Nunca soube o que é
brincar
Olho Gateado 21
O sol
Lambe
Manso
O silencio
A manhã
O olho
Gateado
Grelado
A espreita
Do peso
Subindo
O olho
Grudado
A mão
Extraindo
Parte II / 21
O sol
Lambe
Manso
A água
O bote
O olho
Calado
Cansado
O Lombo
Da onda
Dançando
O Brilho
Dourado
Do Dia
Clareando.
Mard'estrelo
Guaíba
“Calmarina” 22
Copiar
Velejando o Rio
Guaíba,
Ilhas, Morros,
Casarios
Armazéns e Cais do
Porto
Na Paisagem, Grandes
Navios
Agressões Instituidas
Faz decontas na
Costeira
Impérios ferem tua
Alma
Mancham tuas Águas
Praieiras
Nas veredas pra
Itapuã
Sobe A lua cheia e
fascina
Cantando para Iansã
A noite se ilumina
Anoiteço
Velejando
Ao luar eu vou
Rio Iluminado
A noite saio em tuas
ondas
La fora o tempo para
Astros por todos os
lugares
No fundo dos Céus /
No Espelhos das Águas
/
Brilhando em
Teus olhos Meu
Amor....
Me sinto um Argonauta
Navegando o Universo
Viajante das Estrelas
Me encontro Em Tuas
curvas
Perdido No verso /
Do teu Multi-Verso.
Meu amor....
Sobra (Ribeira)
Parte II / 22
Lágrimas, turvas
correntes
Gemidos de
existências
Vozes Guerreiras,
Quilombos
Tambores de
resistências
(Chaminés) Despejos e
esgotos livres
(Lindas) Belas praias
condenadas
(Driblando) Enfeitam
e prometem tuas margens
E inféctam tuas Águas
Douradas
Apontando pra
Eldorado
As nuvens são formosuras
O céu todo matizado
O por do Sol uma
Pintura
Anoiteço
Velejando
Ao luar eu vou
Rio Iluminado
A noite saio em tuas
ondas
La fora o tempo para
Astros por todos os
lugares
No Céu no Horizonte /
No espelho das Águas
/
Brilhando em
Teus olhos
Meu Amor....
Me sinto um Argonauta
Velejando o Universo
Viajante das Estrelas
Me encontro Em Tuas curvas
Perdido num verso /
Do teu Multi-Verso.
Meu amor....
* Fenômeno que
acontece com a céu todo estrelado: se enluarado, mais belo será. Se o
velejador, em vez de se ansiar a espera por ventos, para e se acalma para
entender o que está se passando; perceberá a diferença da calmaria para o
Mard'estrelo: não há horizontes: o navegante se encontra cercado de astros por
todos os lados: no alto do céu, no fundo das águas. Duas luas, uma no alto,
outra no fundo: é como que o velejador estivesse navegando o universo cercado
de estrelas por todos os lados. Mas para isto, é preciso um céu estrelado - se
com luar, melhor - em uma noite de calmaria, e o mais importante: o velejador
precisa estar a uma grande distância da costa, onde não haja horizontes de
terra.
* Fenômeno que acontece
a noite com o céu todo estrelado: se
enluarado, mais belo será. Se o velejador, em vez de se ansiar a espera de
ventos, parar para entender o que está se passando; perceberá a diferença da
calmaria para o Mard'estrelo: não há horizontes: o navegante se encontra
cercado de astros por todos os lados: no alto do céu, no fundo das águas. Duas
luas, uma no alto, outra no fundo: é como que o velejador estivesse navegando o
universo cercado de estrelas por todos os lados. Mas para isto, é preciso um
céu estrelado - se com luar, melhor - em uma noite de calmaria, e o mais
importante: o velejador precisa estar a uma grande distância da costa, onde não
haja horizontes de terra.
Delta 23
Cantando o tempo voa
Junto ao Sol abro as
manhãs
Serestas de araquãs
Cravinas cantando à
toa
Perdizes Pousam Catando
A granada das Milhãs
Perfume dos Guatemãs
Rio de correnteza boa
Águas Cristalinas, Sangas
Pendentes Ramos,
Criúvas
Nas matas, silvestres
úvas
Algazarras nas
vertentes
Ao Cantar Das Seriemas
Dourados contra as
correntes
Sobem Em Busca Das
Vertentes
No Cíclo Da Piracema
Terreiros Rodas,
Batuques
E O Muque Para Semear
E A Alegria Pra Colher
Pra Viver E Pra
Cantar....
Vozes tristes / De quilombos
Cantigas de antigas
heras
Sanfonas violas
/ E Bombos
Nas Margens longas
esperas
DE Outra Música:
Paredões barrancas
matas
Cascatas e Afluentes
Entalhes de
vento e
águas
Doces e Bravas
correntes
Esculturas nos lajeados
Águas se abrindo na
proa
Corre o rio
emparedado
Rio ligeiro vai canoa
Alto Camaquã
Paredões
barrancas matas
Cascatas e
Afluentes
Entalhes de
vento e
águas
Doces e
Bravas correntes
Esculturas
nos lajeados
Águas se
abrindo na proa
Corre o
rio emparedado
Rio
ligeiro vai canoa
As mesmas
águas das fontes
Correm
puras cristalinas
Em azul de
turmalina
Chegam de
tuas vertentes
Hortas de
subisistências
Homem de
saber Ribeiro
De caniço e
Sanburá
Um casebre
Ospitaleiro
Mulheres
lavando roupas
A Criançada
Brincando
Cavalos
bebendo água
Um
caiqueiro remando
Uva do
mato Goiaba
Ingás,
araçá, pitanga
Maracujá e
Cerejas
Bacuparí,
Orikanga.
Ariticum,
Guabiroba
Quaresma e
Gramuxama
Tarumãns e
Arumbebas /
Guabijú ,
Olho de ponbas
Parte II / 22
A Tarde volto pro
povo
Esperando um novo dia
Cansado da Alegoria
Louco pra cansar de
novo
As mesmas águas das
fontes
Correm puras
cristalinas
Em azul de turmalina
Chegam de tuas
vertentes
De Outra Música:
As Garças Brancas e
esbeltas
Na Pesca do grumatã
Na barra / Os Jaçanãs
.
A canoa cruza o delta
Na Lagoa eu ganho as
vagas
Abre uma clareira o
mundo
Azul no espelho
profundo
Unindo os céus e as
águas
Nas curvas das
enseada
Vou e Volto na
Genôa
Vida de pescador
pobre
Pobre, mas de vida
boa
La fora eu solto o
grito
Me encontro me alço
voando
Navegando o infinito
Eu ganho o tempo
sonhando
Rio Camaquã 24
Rio Camaquã
Rio dos quatro
costados
Me perco nas tuas
curvas
Girando em
redemoinhos
Me solto nos teus
remansos
Dou costa do outro
lado
Teus nativos
navegando
Vam remando tuas
canoas
Vai Cristalino em
tuas águas
Levando o céu no te
um leito
Vai refletindo tuas
matas
Campos plantações e
gados
Vai abraçado em tuas
barrancas
Vai brilhando os teus
dourados
Uh Uh Uh Uh UH Uh Uh
Uh Uh ...
Rio Camaquã
Rio dos Quatro
costados
Pousa um sábia te
canta
Voa um Bem te vi te
avista
A garça branca te
encanta
A ciriema te grita
Carrega espumas nas
águas
Com flores de
corticeira
Parte II / 24
Vai desenhando em
tuas areias
Juntando os teus
caramujos
Vai esculpindo tuas
ilhas
Vai lapidando os teus
seixos
Vai entalhando os
teus caminhos (tuas veredas)
Vai corredeiras a
baixo
Uh Uh Uh Uh Uh Uh Uh
Uh Uh ...
Rio Camaquã
Rio dos quatro
costados
Um quero quero te
alerta
Do alto uma tarrã te
guarda
Águas vazantes te acalma
Águas de enchentes te
excita
Em mim derrama tuas
queixas
Minha melodia te
escuta...
Coriolano e os Três
Proeiros
25
A leste do Mar de
Dentro
Um Mormaço a sufocar
Um dia fora do tempo
Homens precisam
Zarpar
É O fruto acumulado
De um trabalho penado
Pagar credor ao
dobrado
E o patrão a esperar
A Oeste nuvens
estranhas
Na linha do horizonte
Uma ameaça no fronte
Homens precisam
zarpar
Entre preservar a
vida
E por em risco o
trabalho
Entre preservar o
trabalho
E por em risco a vida
Foi então que decidiram
O trabalho vale mais
E o barco então
Zarpou
Deixando a terra pra
"trás"
Deixa a linha do
horizonte
Nas águas abertas
sai
E o Barco então
Zarpou
Em busca do velho
cais
Surgem Nuvens e relâmpagos
Mar revolto e o barco
vai /
E o barco então Zarpou
Quem em terra não
avista mais
* Fenômeno que
acontece com a céu todo estrelado: se enluarado, mais belo derá. Se o
velejador, em vez de se ansiar a espera de ventos, parar para entender o que
está se passando; perceberá a diferença da calmaria para a Calmarina: não há
horizontes: o navegante se encontra cercado de astros por todos os lados: no
alto do céu, no fundo das águas. Duas luas, uma no alto, outra no fundo: é como
que o velejador estivesse navegando o universo cercado de estrelas por todos os
lados. Mas para isto, é preciso um céu estrelado - se com luar, melhor - em uma
noite de calmaria, e o mais importante: o velejador precisa estar a uma grande
distância da costa, onde não haja horizontes de terra.
Aquela da água, eu vi
num vilme. o capitão de uma fracata mercante, que bebia Hun por água. e quando via um cara beber água fazia puáh,
como que tem gente que pode! Disia ele com cara de nojo!!! hahahahahahah
15/4/2016 21:17
https://www.youtube.com/watch?v=unMp1EjXoGs
Marcelo Dellamea -
(Kilometro 11) Fiesta Nacional del Chamamé 2012
Lunes 16 de Enero de
2012, Anfiteatro Cocomarola - Corrientes. Hugo Dellamea (guitarra ritmica) Luis
Piedrabuena (bajo) Pablo Bentos (acordeon)
youtube.com
15/4/2016 22:24
Ouça este violão
aí, Guápo
27/3/2017 09:03
O Domador E O Queixo
Roxo
( A lição Do Bagual –
Bagual Ventana))
O Patrão mandou
montar
Num queixo roxo
especial
Pra domar o animal
Segundo a sua vontade
Era pra suar de
maldade
Pra quedar bem o
bagual
Selvagem que é
selvagem
Não se entrega assim
as regras
Segura o calor da
refrega
Rodeia pula bandeia
Se atira e negaceia
Não se aparta da
paisagem
Existe maior beleza
Que aprender com a
própria lida
Que compreender que a vida
Doma os mansos e os
tirano
Diante o xucro
mundano
Viu-se não ser quem
pensava:
O domador que
amansava
Na doma tradicional
No fundo um peão
Bágual
Que pta lida foi domado
Pelo patrão adestrado
Num redondel
racional.
Horas travadas em
guerra
Domador e potro xucro
Nenhum dos dois teve
lucro
Dos dois, nenhum deu
vantagem
Não se quedaram os
Selvagens
E se bolearam por
terra
Se apartaram na
poeira
E se levantaram
juntitos
Ainda empinou-se o
proscrito
Se exibiu, “e ganhou
o mundo”
Com pensar bem mais
profundo”
O domador, “ficou solito”
Existe maior beleza
Que aprender com a
própria lida
Que compreender que a vida
Doma os mansos e os
tirano
Diante o xucro
mundano
Viu-se não ser quem
pensava:
O domador que
amansava
Na doma tradicional
No fundo um peão
Bágual
Que pta lida foi domado
Pelo patrão adestrado
Num redondel
racional.
Não há potro que não
derrube
Nem domador que não
caia
Como é que há, quem
risque a raia
E faz da doma a
onipotência
Se domar é uma
ciência
Sujeita a todas as
falhas
Finalmente um bagual
puava
Que não se deixou
vencer
Preferindo até morrer
Do que perder a
Xucreza
O domador em sua
Rudeza:
Pecebeu o livre viver
Existe maior beleza
Que aprender com a
própria lida
Que compreender que a vida
Doma os mansos e os
tirano
Diante o xucro, o
mundano
Viu-se não ser quem
pensava:
O domador que
amansava
Na doma tradicional
No fundo um peão
Bágual
Que foi montado
e domado
Pelo patrão adestrado
Num redondel
racional.
O pição:
Que pelo patrão foi
montado
Enfrenado e e
adestrado
Num Redondel Racional
Jamais havia caído
Nem sequer se boleado
Buscando outras aragens:
Largou a doma o
Querana
Remoendo aquela
mensagem:
Que deixou o bagual
ventana
Pois quem rouba liberdade
É o mesmo encarcerado
A isto, melhor é
morrer
Quem doma, é mesmo
domado
Só Quem liberta, é o
libertado
E livre, é muito mais lindo o viver...
Da uma lida, estou
aprontando, ainda há nmuitas opções, mas já dá para ter uma ideia.
Um abraço.
25/6/2017 23:53
Reproduzir
-3:32
Reativar
2 DE ABRIL DE 2018
01:35
Oi Maicon Vocês ja chegaram...!
30 DE OUTUBRO DE 2018
19:17
Olha a mudança aí
Anexo indisponível
Este anexo pode ter
sido removido, ou a pessoa que o compartilhou pode não ter permissão para
compartilhá-lo com você.
Visualizado - 30 de
Out
Fim da conversa no
bate-papo
Digite uma
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adestrada
pelo capataz
cabestreado)
No fundo: um peão
adestrado
Qual Potro em rédeas
domado
Pelo patrão
cabresteado
Num redondel
racional.
Se enrolaram na
poeira
E se levantaram
juntitos (num vau)
Ainda empinou-se o
proscrito (o animal)
Se exibiu, “e ganhou
o mundo” (“Bravura dona” – e ganhou os campos)
O domador, “olhar
profundo” (olhar de espanto)
Buçal na mão,
“ficou solito” (sem o bagual)
John Lennon Sunday Bloody Sunday (with lyrics)
https://www.youtube.com/watch?v=m0uLfO2ksQQ
Delta 23
Amoras..., ( pretas e brancas) Fruta de Pomba
Guabiju,
ananas, Butiás / Incaseiro na barranca
Figo,
Coquinho, Juá,
Baieira
Gincobiloba Olho de
ponba
,
coquinho, .
, e
, tuna, e baieira
juás, Olho de pomba
Sobras :
nas margens
"Com a criançada na sanga"
Griteiro conversa
fiada
Um Canoeiro Faz
passagem
Taboa armada no arroio
no ensaboadouro
Varal Acena na
lonba
No gramado o
coradouro
Ribeiro puxando
enchada
Arado de bois de
Kangas
Médio
Camaquã
Cantando o
tempo voa
Junto ao
Sol abro as manhãs
Serestas
de araquãs
Cravinas
cantando à toa
Perdizes
cantarolando
Na granada
das Milhãs
Perfume de
Guatemãs
Rio de
correnteza boa
Dourados
contra as correntes
Pendentes
ramos, Criúvas
Nas matas,
silvestres úvas
Algazarras
nas vertentes
A Tarde
volto pro povo
Esperando
um novo dia
Cansado da
Alegoria
Louco pra
cansar de novo
Parte II /
22
Baixo
Camaquã
As Garças
Brancas e esbeltas
Na Pesca
do grumatã
Faz barra
/ Os Jaçanãs .
A canoa
cruza o delta
Na Lagoa
eu ganho as vagas
Abre uma
clareira o mundo
Azul no
espelho profundo
Unindo os
céus e as águas
Nas curvas
das enseada
Vou e
Volto na Genôa
Vida de
pescador pobre
Pobre, mas
de vida boa
La fora eu
solto o grito
Me
encontro me alço voando
Navegando
o infinito
Eu ganho o
tempo sonhando
Passo do
Mendonça
O rio
corre e cai furioso
Nas pedras
rugi extridente
Pelo Passo
do Mendonça
Se amança
Num repente
Do elevado
do Cristal
Pra quem
avista da ponte
Pro
estaleiro do Seival
Vê se um
mar pro Sol Nascente
Campos a
perder de vista
O Rio
avança espraiado
É a
estação das enchentes
É o
Horizonte Inundado
Fluindo,
um mar Sazonal
Sem
divisas nem amarras
Se espraia
O Manancial
Desde o
passo, até a barra.
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