terça-feira, 26 de novembro de 2024

Cantigas de meu Lugar

 

Cantigas de meu Lugar

 

"Lagoa do sol" IV

 

Existem quatro posições básicas (leste, oeste, norte, sul) e os intervalos entre elas (noroeste, nordeste sudoeste e sudeste), e os semi-intervalos. Mas uma só para se avistar a Lagoa dos Patos, e chama-la Lagoa do Sol, mesmo que por uma única vez na vida. Para ser Lagoa do Sol, ás águas precisa ser vista por alguém que está a oeste de tal lagoa. Pois foi a oeste, a mais ou menos 30 km de distancia, do Serro Dos Emboabas, próximo a serra do Herval que, José Waldir Garcia, um dos fundadores dos Tápes, avistou o Sol nascer espelhado nas águas, em um claro amanhecer no inverno de 1973, a leste da Lagoa Dos Patos. Então a chamou de Lagoa Do Sol. Foi dai que surgiu o tema Musical criado por ele; Dança da Lagoa do Sol, primeira faixa do Álbum: Canto Da Gente, de 1975. Waldir Garcia imaginou uma dança primitiva ao nascer do sol e, como este, a leste da lagoa, como se os dançarinos estivessem dentro da coroa do sol nascente, avistados por quem estivesse ao oeste. Claro, é um imaginário poético, pois só em poesia pode se ver isto, dada as dimensões da lagoa. Mas ele estava em um local privilegiado a trinta quilômetros das águas e a cerca de 200 metros de altitude, a visão da paisagem lhe acusou a imaginação... A música é de inspiração indígena, e o instrumental usado para executa-la, é todo de inspiração nativa, criado pelos componentes do grupo os Tápes, principalmente por ele e Rafael Koller. São flautas compostas de bocal doce, distribuídas em notas como flautas de pã. Uma delas em notas simples fazendo as tonalidades básicas da harmonia, a segunda em notas compostas em segundas e terceiras, (sopradas de uma só vez), complementando a harmonia. A terceira flauta, também confeccionada em taquara como as demais, é uma transversal primitiva de bocal xucro, esta era usada para executar a melodia. Os demais instrumentos eram de percussão: Bombos regueiros, caxixis, chocalhos, reco-recos, tumba quaras, e taquareiras. Agora, trabalhando em resgates de músicas antigas, jogadas a os baús e gavetas, estamos resgatando o tema que, já tinha sido inaugurado pelos Tápes. Primeiramente por Cláudio Garcia, em 1971, com a canção Barqueiro, que também integra o Álbum Canto Da Gente, e logo depois Entre o Mar e o Pampa há uma Lagoa, dele e do Waldir, que faz faixa no Estações Das Águas, e então; Dança da lagoa do Sol. Cantigas Das Águas De Meu Lugar se refere a o universo geográfico histórico e cultural costumeiro, dos povos que circundam a Lagoa do Sol (Lagoa dos Patos), e lugares vizinhos: é o prosseguimento do Estações Das Águas.  Tema muito rico que, Os Tápes teve a Sorte de encontrar pela frente. Mas, enquanto Cláudio Garcia se dedicava a pesquisas de campo, coletas de dados e domínio da linguagem lago eira, e eu me dedicava a compor e transformar em versos e músicas o manancial coletado - foram cerca de 40 canções - neste meio tempo, o grupo musical a os poucos se dissolvia, em dissidências e desencontros. Ficaram como registro O Estações das Águas, que reúne 14 destas canções, e agora este resgate, que estamos chamando de Cantigas Das Águas De Meu Lugar, ou, Lagoa Do Sol.

 

 

 

 

 

 

Lagoa do Sol

 

Estações Das Águas II 

     

                                 Por Otacilio Óta Alves

 

Estações das Águas II, é um trabalho musical literário que reúne trabalhos do Cláudio Garcia, Silvio Rebello, Airton Madeira e eu (Óta). Nada mais é, do que o resgate de músicas e letras, que estavam prontas a anos, e que embora algumas sejam conhecidas pelos amigos que se acercaram e colaboraram com o Estações I,  não fizeram parte do disco. Outras por um motivo, ou outro, não foram levadas a o público: todas parte de uma grande leva sobre o universo geográfico e humano da lagoa dos patos. Agora resolvemos tirá-las da gaveta, selecioná-las, repará-las e aprontá-las:  O destino que vamos dar a elas, quanto ao meio de publicação, não sabemos ao certo ainda... mas uma coisa é certa; de uma forma, ou de outra; vamos tentar levá-las ao conhecimento dos amigos.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Coriolano e os Proeiros      25

 

 

A leste do Mar de Dentro

Um Mormaço a sufocar

Um dia fora do tempo

Homens precisam Zarpar

 

É O fruto acumulado

De um trabalho penado

Pagar credor ao dobrado

E a honra a lhes cobrar

 

A Oeste nuvens estranhas

Na linha do horizonte

Uma ameaça no fronte

Homens precisam zarpar

 

Entre preservar a vida

E por em risco o trabalho

Entre escolher o trabalho

E por em risco a vida

 

Foi então que decidiram

O trabalho vale mais

E o barco então Zarpou

De volta pro velho cais

 

Deixa a linha do horizonte

Nas águas abertas sai  

E o Barco então Zarpou

A praia sumindo à  "trás"

  

 Aproando a  partida

 As Mãos repuxando (estais)

E o barco então Zarpou

Os Avisos , Os  Sinais

 

Fere a linha do horizonte

Nas águas abertas sai  

E o Barco então Zarpou

A Oeste As Nuvens Saem

 

Ao Longe Trovões, relâmpagos

Mar revolto e o barco vai /

E o barco então Zarpou

Quem em terra não vê mais

 

Todo o Céu escureceu

Vento e águas torrenciais

E o barco então zarpou

Entra No Horizonte e Cai

 

Mergulhou na Imensidão

Entre Ondas Colossais

E o barco então Zarpou

Ninguém os verá, jamais...!!!

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Costa Fora            01

Copiar

              

 

Costa Negra,  Brava Costa

Costa a fora, Sol em Chamas

A beleza Nas Paisagens /

Esquece a história Humana

 

Olhos Banzos / Rios no rosto   /

 Cruz Pesada / Pra levar

Braços Tesos / Canto rouco   /

  Correntes / Para arrastar

 

Pés leviano / Trilho Tosco     / 

 Lavrar, Plantar / E colher

Marcas no peito / E no dorso     /  

 Eirar, Debulhar / Moer

 

Mas ninguém / Faz cativo A memória   /  

  Lembranças   / Ao redor dos braseiros

Velhas Lendas desde  ancestrais / 

 Da Mãe África  viéram em Tumbeiros

 

A história desta Nação nos braços

Sustentada com sangue Guerreiro

 

Do contrário / Quem é que traria     /  

  O som Deste / Balanço costeiro

Rituais Danças e Cantorias      /   

E Alegria a girar nos terreiros

 

 

Taborin / Agogô / Bangulê / Cangerê    / 

 Bambulá / Batucar / Bendenguê / Axexê

Birimbau / Cacumbo / Candobe /Caxanbú  /

 Atabaque  / Ingomê /  Bambaquerê /  Lundu*

 

Adjá  / Alujá / Adarrum / Afoiê    /   

  Moçanbique / Ngungá / Rocumbo / Xequerê

Cucumbí / Marimbau / Maracatu / Milonga 

  Puíta /  /Xiba    /  Sansa   /  Urucungo /  / samba*

 

 

 

 

 

 

 

Parte II / 01

 

 

Costa Doce / Brava costa  /

 Costa A Fora, Chão Praieiro /

Sangue suor e trabalho  /

 E Gente no Cativeiro

 

Corpo Gasto / Fardo Grosso     /  

 Lavouras / E redondesas

Rastro fundo / Peso Morto      /   

 Desde a Terra / O pão na mesa

 

Grilhões para os  tornozelos /

 Kanga de chumbo nos ombros

Tranca ferro na Senzala  /

 Marca fujão pros Kilombos

 

 

 

 

Mas ninguém / Faz cativo A memória   /  

  Lembranças   / Ao redor dos braseiros

Velhas Lendas  desde ancestrais / 

 Da Mãe África viéram em Tumbeiros

 

A história desta Nação nos braços

Sustentada com sangue Guerreiro

 

Do contrário / Quem é que traria     /  

  O som Deste / Balanço costeiro

Rituais Danças e Cantorias      /   

E Alegria a girar nos terreiros

 

Jêguedê / Caxxixi / Jongo / Lê / Zabumba    / 

  Imgomê / Candomblé /  Tumbadora / Bamba

Rumpi / Caxinguelê / /  Xaque - xaque  / Ngungá   / 

 Batuque / RIpinique / Pandeiro /  Congada...*    (/  Rum  /)

 

Afoxé -   Quimbôto -  Baiani - Quimbête -  

/ - Gã -  Maxixe - Batá  - Canzá -  Bombo - Agê

Caribó,  Birimbáu - Bongô -   - Bambá -  Djambê / -

 Kalimba -  Kisange - Hungu -  M’bolumbumba - Aiê*  

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Canto Triste          02

 

        

Amanhã água  /  Vem mansa     

Fala o vento  /  Do outro lado

Este canto  /  Beira d’água         

No mundo   /  Ta ancorado

 

Tá ancorado  /  No mundo          

Este cantador  /  Arpoado

 

Navegando  Eu vou / 

Corpo solto  Aproado

Dunas brancas Roncador   /

 Sol nascendo  Do outro lado

 

Mãos De Algozes  /  Agridem os céus 

os campos, as águas  /  O sol das manhãs

Nos pesqueiros  /  Das encostas     

Do rio grande  /  A Itapuã

 

A Lagoa  /  Roga Bons bons tempos

Pra Protetora  /  Inhansã

 

Navegando eu vou  /

  Corpo solto aproado

Alagadas Rolador  /

 Arco-Iris do outro lado

 

 

 

 

 

 

 

Parte II / 02

 

 

Eu canto Triste  /  Pelos juncais

Nas enseadas  /  Nos areais

E voam barbas  /  Nas Figueiras

E doram cachos  /  Nos butiazais

 

E abrem flores as corticeiras

E acenam palmas os coqueirais

 

Navegando eu vou  /    

Barco solto aproado

Noites Claras Desertor /

Lua Cheia do outro lado

 

Lua cheia Desertor   /  

Chove estrelas do outro lado.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Mar De Dentro          03

 

 

A costa toda deserta  / 

O vento que nunca para

O sal salpicando as mãos  /

 O sol açoitando a cara

 

Habitantes reunidos  /

 Nas casas e nos galpões

A reparar os seus corpos  /

 A remendar arrastões

 

Tem nativa na janela  / 

Tem a bela portuguesa

Pelo duro bom de cela  / 

Mouro que conta proezas

 

Tem morena da Angola  / 

Tem retinta da Guiné

Tem criolo bom de bola  /

 Tem nego que diz no pé

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Parte II / 03

 

Os povoados esparsos  / 

Acomodados nas dunas

Casas de madeiras ralas  / 

Carcaças cascos de escunas

 

Raras árvores para sombras  / 

Cacimbas rasas pra cede

Junco batido é telha  /

 Madeira a pique é parede...

(Tábua de nó é parede)

 

 

Tem candombe no terreiro  /

 Come e bebe no quintal

Festa para o orixá guerreiro  /

Terno de reis no portal

 

Preto velho pai de santo  / 

No congá é batuqueiro

A mãe preta reza em pontos  /

 Por negro e branco costeiro

 

 

 

 

Parte III / 03

 

Sol nascente além mar  / 

Poente terras além

Doces águas em Belém  /

 Em São Jozé,  Lagamar

 

Se estende os casarios  / 

Com ruas, praças a o centro

E descem cercando a Barra  / 

Deságua o Mar De dentro

 

Tem Da lha da Madeira  / 

Tem das Ilhas de açores

Benzedeiras e Parteiras  / 

Artesões Navegadores

 

Carpinteiros e ferreiros  /

 Portos cidades praianas

Armazéns e estaleiros  / 

Embarcações Lusitanas

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Vento Popa / Proa Mar 04

Copiar

 

Quando saio mar a fora

Me dói ver ela ficando

Eu Levo a vida partindo

E ela a vida esperando

 

Quando chego dos confins

No seus Braços peço auxilio

Eu traga a vida pra ela

E ela a vida pros filhos

 

Assim a finco suando

Deste jeito vamos indo

As vezes nos confundindo

Em outras nos apartando

 

Os filhos vão nos chegando

Nosso barraco encolhendo

De vez em quando  Sofrendo

E vez por outra Cantando

 

 

 

 

 

Parte II / 04

 

 

Vamos juntos insistindo 

Velhos Crianças e moços

Num Dia as águas se abrindo

Noutro fechando o mar grosso

 

 

Pano  de Mastro ao Vento

Motor de Centro Bufando

O velho Bote Singrando

A Tralha É Só Remendos

 

 

Entre sonhos de menino

Teço redes a pensar

Embrenhado no destino

De pescar e navegar

 

Navegando amiúde

Vento popa proa mar

Eu Rezo a deus por saúde

E resto A LOGOA dá.

 

 

 

 

 

 

Sobra:

 

"Os filhos vão nos surgindo

Nosso cantinho apertando

De vez em quando  (Sofrendo) Sorrindo

E vez por outra Cantando"

 

Sobras:

 

Pano  de Mastro Batendo

Motor de Centro Roncando

O velho Bote Singrando

A velha Tralha a contento

 

 

 

 

 

 

 

 O "Soleiro"  05

 

Madrugada o Soleiro

Pega a encilha no paiol

Poe o baio Na estrada

E parte em busca do sol

 

Não tem chuva nem geada

Nem assombro que apareça

Depende desta jornada

Para que o dia amanheça (aconteça)

 

O baio atravessa a noite

Nas veredas campo fora

No infindável trabalho

De buscar o sol na aurora

 

Na garupeira a bagagem

Laço certeiro nos tentos

Pala abanando na aragem

Rabo da Vincha ao vento

 

Logo Atrás do horizonte

Se esconde o sol na  alvorada

Sentindo  apontar os raios

As mãos prontas na armada 

 

Rodeia o quatorze braça

Lance de saber profundo.

Levanta o sol  da alvorada.

E o dia Clareia mundo.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Defeso                06

 

 

Leste sopra de tufão / 

Vai fechar a temporada

É o fim da estação /

Enrola a tralha moçada

 

Que o mar não está pra

peixe / Me contou uma Sereia

Quatro luas fora d`agua /

 De sol a sol na areia

 

Barco rolado pra terra /

Pra obras no "Despraiado"

Ipê Roxo Nas Cavernas /

Cedro Rosa nos costados

 

Pau ferro tranca travessa /

Com guajuvira encaixado

Suporte e Banca bem forte /

Motor de centro aprumado

 

Defeso,  reprodução /

 Vidas, ciclos renovados

Chegada  da Piracema /

 Entram Cardumes pesados

 

Expostos a predadores /

 Precisam ser preservados

Verão queimando na areia   /

 O trabalho vem dobrado

 

Redes tecidas à mãos /

 Feita em  pontos )Variados(* -  )transpassados(

Malhas finas , malhas groças

 Nó de laços transpaçados

* - Parentes invertidos: liberdade literária com ambas as palavras.

 

 

 

 

 

Parte II / 06

 

 

Vento Batendo na cara /

 Chuva Tocada guasqueando

Ultima Pesca da safra /

Sobe o peixe transbordando

 

Dou a largada para casa /

Minha gente está esperando

Se o barco tivesse asas /

Voltava agora voando

 

Barco rolado pra terra /

Pra obras no Despraiado

Ipê Roxo Nas Cavernas /

Cedro Rosa nos costados                          

               

Pau ferro Grápia taúba /

Com guajuvira encaixado

Suporte e Banca bem forte /

Motor de centro aprumado

 

 

Madeira de lei Moldada /

 Metal em Bronze Forjado

Jamar Novinho em folha /

A muito tempo sonhado

 

Salvas vidas na espera /

 O convés bem preparado

Com tabuas de polegadas /

E corrimão no tosado

 

Parelha Nova Zarpando /

Proeiro bom no costado

Sinal de nova estação /

Com cheiro bom de pescado 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Dilema de Lúcio

O Lenhador        07

 

 

 A balsa desse pesada /

Leva Madeira de lei

 Das matas do Camaquã /

Pra alguém ter vida de rei  (Que com pesar foi cortada)

 

Cada tora que tombou /

 Doeu em Lúcio o lenhador

No rancho lhe esperando /

Três filhos (Desculpas) e o seu amor

 

Em sua razão inocente /

 Não há Perguntas,  nem respostas

Só sabe que sente, o que sente /

 Ao obrigar-se ao que não gosta

 

Ganhando a vida no braço /

Na roça não Teve enxada

No campo não sobrou laço /

Na cidade / não viu nada

 

AS mãos fortes calejadas /

 É pro o peso do trabalho

Afiou o seu machado /

 E na miséria deu um talho

 

A balsa segue serena /

Nas curvas  do Camaquã

Perfumando suas penas /

Cedro, Angico e Tarumã

 

 

Saudade lhe fez doente /

O peito Arde em brasa

Cuidados com sua gente /

Precisa rever sua casa

 

Parte II / 07

 

 

Não compreende o que se passa /

Vai sofrendo o tempo todo

Não confessa suas máguas /

Para não se passar por Tolo

 

Longe de tudo e de todos /

A noite dorme ao relento

Cozinha em fogo de chão /

Café de chaleira a o vento

 

Lúcio não tem horizontes /

Só vê o mato fechado

Abre caminho pras fontes /

Clareiras com seu machado

 

 

O Capataz quer resultado /

O patrão pagando pouco

Mas pra quem arca os pecados /

Muito vale alguns trocos

 

De sol a sol eito a eito /

Não tem dia não tem hora

Nem descanso nem direitos   /

Quem adoece, mandam embora

 

Então não pensa o que  se passa  /

 Nem no corte, nem no tombo

Faz Olhos brancos  devassa /

Ouvidos  moucos  pro Estrondo|

 

Não Vê como ser diferente /

Só lhe sobrou esta lavra

Mas ainda muda de oriente /

Vai jurando, em suas palavras

 

Moço bravo e de respeito /

Olhos Bravos, Geito brando

A Barba descendo ao peito /

Cabelos  abaixo dos ombros

 

 

Rio Da Vida       08

Copiar

 

Quem caminho sobre as águas /

 É chamado pescador

Pesca a dor e toda a mágoa    / 

Só não pesca a sua dor

 

Cada mágoa que levanto      /   

 São penas que faz doer

Ilusões sonhos encantos      /    

 É o que resta pra viver

 

Olhei com os olhos rasos      /  

   No fundo das águas claras

No espelho fez redondilhas    /   

 Se mostrou uma Iara

 

Joguei um ramo de Ipê       /     

  Roxo de amor e carinho

Matreira me desdenhou  /          

 Fiquei na margem sozinho

 

 

 

Parte II

 

Tenho o céu enluarado       /      

Sobre a ponta da Genoa

Peixes de Pratas, Dourados   / 

 Sob o casco da canoa

 

Vai canoa contra as águas    /  

 Vem  as águas contra o vento

Sopra o Vento a meu favor    /   

Acalma meu Sofrimento

 

Distante do bem querer     /      

 Da sopros no coração

Corre nas veias saudade     /  

  Arde nos olhos paixão

 

Partidas que não tem hora     /  

Caminhos a se estender

Regressos que faz demoras  / 

 Distâncias para vencer

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Albardão         09

Copiar

 

A noite desce serena         /    

Sob o clarão do luar

Sinto cheira de açucena     /    

Meu bem está pra chegar

 

Estrela d´alva apontada      /        

Brilha qual o teu olhar

Qual mãe D’água Iluminada   /

 Pela noite a levitar

 

Sou Garimpeiro de sonhos

Sou madrugador Atento

Chuva de estrelas caiu

Na praia do Pensamento

 

Sou Contador de estrelas

Do Farol )Faroleiro( do Albardão

Há Noites que as vezes caem

Estrelas para encher as mãos

 

Longe mas ligado a tudo

Em ondas curtas no fumdão

Eu ouço as vozes dos homens

E geme meu coração

 

Ponteio a viola rasa

Com sentimento profundo

E canto a moda da casa

O Sofrimento do Mundo

 

 

 

Parte II / 09

 

Voou uma pena das pontas    /  

  Das asas do Minuano

Que pousou assobiando     /       

 Na noite que já desponta

 

Braseiro brilha ardendo      /      

 Aquecendo a solidão

La fora o vento Gemendo       /   

 Parece uma assombração

 

 

Garimpei fazendo contas    /        

 Estrelas pra este, pra aquela

As mãos cheias contra o peito  / 

 A mais linda; é só para ela.

 

Sou Contador de estrelas     /   

  )Do Farol(   )Faroleiro(* do Albardão

Há noites que as vezes caem   /

  Estrelas para encher as mãos

* - Entre parentes invertidos as possibilidades estão abertas.

 

Longe mas ligado a tudo

Em ondas curtas no fumdão

Eu ouço as vozes dos homens

E geme meu coração

 

Ponteio a viola rasa

Com sentimento profundo

E canto a moda da casa

O Sofrimento do Mundo

 

 

 

 

Sobras:

 

 

Sou Garimpeiro de sonhos

Sou madrugador Atento

Chuva de estrelas caiu

Na praia do Pensamento

 

 

 

 

 

 

Garimpei fazendo contas    /        

 Estrelas pra este, pra aquela

As mãos cheias contra o peito  / 

 A mais linda; é só para ela

 

Ponteio a viola rasa

Com sentimento profundo

E canto a moda da casa

O Sofrimento do Mundo

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Desertor 10            

 

 

 

Vento Velas Bordejar

Gaivotar Meste Mar

 

Barco Leve Sorrateiro

Proa Forte Rota Firme

Um Pontal De Areias Brancas

Fim De Tarde Desertor

 

 

Nuvem Negra Traiçoeira

Rastejante Derradeira

 

Tripulante Combatente

Extasiado, Louca Intrusa

Que Truncou A Rota

E Destroçou O Sonho

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Olegario            11

 

 

Vai Olegário

 

Arquejando pelas sombras

Vem de rota perdidas

Sem rumo remos e velas

 

Vai Olegário

 

Malhas de redes no rosto

Escamas e barbatanas nas mãos

Transas e amarras no andar

Fisgadas de anzóis no coração

 

Vai Olegário...!

 

 

 

 

Parte II / 11

 

 

Vai Olegário

 

Arquejando pelas sombras

Vem de rotas perdidas

Sem rumos remos e velas

 

Vai Olegário

 

Ondas de mortes no corpo

Marés de angústias abordando o leito

Junto a velha companheira

Quem lhe esquenta e Afomenta o peito

 

 

 

Vai Olegário...

 

 

Quem há de um dia pescar

Por onde estes braços pescaram

Quem haverá de Olhar

Paisagens que estes olhos olharam

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Barco Sem Porto       12

 

 

Se foi o barco

Com as esperanças

Foram se as redes

E o madrugador

 

Qual barco sem Leme

Igual pano sem tralha

Em caminhos de ondas

De ventos de solidão

 

Naufrago Proeiro

De um barco pequeno

Em tantas distancias

De um porto Ilusão

 

Adeus as Águas

Turvas lembranças

Olho mareado

Do navegador

 

Qual barco sem Leme

Igual pano sem tralha

Em caminhos de ondas

De ventos de solidão

 

Naufrago Proeiro

De um barco pequeno

Em tantas distancias

De um porto Ilusão

 

 

 

 

 

 

 

 

Velho Duca  “Água doce"  13

 

Rabanada de dourado

Batendo no Espinhel

Bagre Cambando a os punhados

Subindo com as marés

Bem aqui neste costado

Aí mesmo onde dá pé

 

Mastros velas mestras bujas

Bordejos panejos ventos

Horizontes no Traquete

Larga escolha na mezena

Lagoa linda limpa e livre

Águas claras brisas puras

 

Meu coração de água doce

Balança o Balanço do mar

Ela hoje aprontou-se

Com jeito de quem vai navegar

 

Na água cai me encharquei

Na areia saí pra enxugar

O sol fez meu frio aquecer

Alua minha febre baixar

 

Um Barco levou meu amor

No porto fiquei a chorar

O vento escutou minha dor

A brisa acalmou meu penar

 

Velho Duca moço / Fala lembra

Moço Duca velho / Lembra fala

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Parte II / 13

 

Voga Grumatã piava

Riscando as Calmarias

Mantas de birú bem cedo

Tainhas que reluzia

Abrindo junco logo ali

Por esta luz que me alumia

 

Pescador de pé na popa

Lugares prontos pesqueiros

A lua clareando as velas

Cantigas com o parceiro

Olhos longe riso perto

Lago dono Lago Inteiro

 

Meu coração de água doce

Balança o Balanço do mar

Ela hoje aprontou-se

Com jeito de quem vai navegar

 

Na água cai me encharquei

Na areia saí pra enxugar

O sol fez meu frio aquecer

A lua minha febre baixar

 

Um Barco levou meu amor

No porto fiquei a chorar

O vento escutou minha dor

A brisa acalmou meu penar

 

Velho Duca moço / Fala lembra

Moço Duca velho / Lembra fala

 

 

 

Proeiro                    14 

 

 

Linha de fundo e espera

Anzol empate e chumbada

Carretilha corredeira

Caniço de estirada

 

Fateixa espinhel fieira

Boia de cortiça atada

Mão pra fisgada certeira

Braço bom pra tarrafada

 

Homens de popa e carancho

Proeiro destes costados

Entre sol e frio navegam

Céu aberto Céu fechado

 

O suor cai entre as águas

O peixe some nas salgas

E assim vão pescando a lagoa

Com suas mãos pescadoras

 

 

Cordas parelhas de redes

De pontos e malhas variadas

Malhas singelas solteiras

Feiticeiras entrelaçadas

 

Cascos e bordas inteiras

Leme bom proa elevada

Quilha e popa despacheira

Mastro Adriças Velas içadas

 

 

 

 

 

 

 

 

Parte II / 14

 

 

Homens de popa e carancho

Proeiro destes costados

Entre sol e frio navegam

Céu aberto Céu fechado

 

O suor cai entre as águas

O peixe some nas salgas

E assim vão pescando a lagoa

Com suas mãos pescadoras

 

Na entre safra do peixes

Pescam de estivadores

Atracam nas construções

Remam o chão, são lavradores

 

Nas marés nas invernadas

Nos remansos dos potreiros

Navegam nas gineteadas

São pescadores campeiros

 

Homens de popa e carancho

Proeiros destes costados

Entre sol e frio navegam

Céu aberto Céu fechado

 

O suor cai entre as águas

O peixe some nas salgas

E assim vão pescando a lagoa

Com suas mãos pescadoras

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Bailarinos de Águas

 e

 Ventos                        15 

 

 

Ventania

Gira Sol

Mato Preto

Graxaim

 

 

Barba Negra Curral Velho

Vitoriano Zé Martim

 

Marinheiros Ilha Grande

Ponta Escura Pedras Brancas

Arroio Petin

 

 

Bailarino Conquistador

Rumo a Tuneiras e Desertor

Milionário Prosperador             Serenata       Pé De Valça  

 

 

Na Barra Falsa e no Barquinho

Sonho de Ouro e Pereré

Na Flor da Praia Arambaré

 

 

 

 

 

 

 

Parte II /15

 

Capivaras

Bujurú

Gavião Negro

Tatuí

 

 

Calafate Camaquã

Canal Novo e Lami

 

Torotama Caramuru

Sarangonha Cocurutos

Capivari

 

Dançarino imperador

Rumo a Quilombo e Varalzinho

Milionário Prosperador             (Serenata - "Cisne Negro" - Pé de valça)                       

 

Na Barra falça e no Barquinho

Sonho de Ouro e Pereré

Na Flor da Praia Arambaré 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Barquinho De Lata       16

 

 

O cordão rebentou aí...!

Estou aqui sozinho

Meu Deus Não sei nadar

Desprendeu meu barquinho

 

Meu barquinho de lata

Que eu ganhei pra brincar

Vento terra bateu

Meu Barquinho colheu

Eu não pude alcançar

 

Alguém pra me ajudar aí...!

Estou aqui sozinho

Uma mão pra me dar

Desprendeu meu barquinho

 

Meu barquinho de lata

Que eu ganhei pra brincar

Uma onda pegou

Meu barquinho levou

Eu fiquei a chora

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Minuano                 17

 

 

Vento Minuano / Um guerreiro

Não teve pai / E nem mãe

Chega vagueando / Nos pagos

Acalentando as manhãs

 

Nas previsões / Das chegadas

Vem e surpreende / O teatino

Montado ao próprio Destino

Sem Partidor ou parada

 

Vento rude / Vento bravo

Que não tem hora / E nem dia

Chega tropeando / A invernia

Atravessando os rincões

 

Chega assoviando de longe

O arvoredo todo acena

Vem tilintando as chilenas

Brincando com os corações

Na noite a seresta encantada

Invade as frestas dos galpões

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Parte II / 17

 

Vento Minuano qual Fantasma

A noite ronda os braseiros

Soprando treme o pago inteiro

Rugindo assombra as madrugadas

 

Gemendo qual alma penada

Entre paredes e telhados

Arpejando os alambrados

Canta e desnuda as ramadas

 

Vento rude / Vento bravo

Que não tem hora / E nem dia

Chega tropeando / A invernia

Atravessando os rincões

 

Chega assoviando de longe

O arvoredo todo acena

Vem tilintando as chilenas

Brincando com os corações

 

Na noite a seresta encantada

Invade as frestas dos galpão

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Lambari                 18

 

 

Canoa do cacho de coqueiro

Caico da espata de BUTIÁ

Porongo de cuia em canteiro

Bucha quingombô na ramada

 

Calça curta rosto trigueiro

Isca boa no samburá

Caniço e anzol lagoeiro

Guri por aí vai pescar

 

A linha correu lambari bicou

A boia afundou caniço a vergar

O anzol fisgou guri a puxar

Lambari ficou na água

 

A linha correu lambari bicou

A boia afundou caniço a vergar

O anzol fisgou guri a puxar

Lambari saltou prá terra

 

 

 

 

 

Parte II / 18

Copiar

 

Saíra no Abacateiro

 Sabia na  Laranjeira

Xuxú subiu no sabugueiro

Maracujá na Pitangueira   (Goiabeira )

 

 

Boné virad`olho matreiro

Pés descalço na areia

Caniço e anzol lagoeiro

Guri por aí vai pescar

 

 

A linha correu lambari bicou

A boia afundou caniço a vergar

O anzol fisgou guri a puxar

Lambari ficou na água

 

A linha correu lambari bicou

A boia afundou caniço a vergar

O anzol fisgou guri a puxar

Lambari saltou prá terra

 

 

 

 

BRINCADEIRAS   25

 

Copiar

 

Balanço de cordas ondula no ar

Balança a menina pra la e pra cá

Biscoito na mão Boneca de ninar

A trança girando voando no ar

 

 Pula corda  Amarelinha

Esconde esconde De pagar

 De Ciranda  de casinha

Tope lindo de fita na trança

 

 

 O Pião GIRANDO caiu no terreiro

Bulita de gude ROLAndo na raia

 No jogo do taco quem chega primeiro

No bate e rebate que a garrafa caia

 

 Pé Ligeiro pula a corda

Guri solto Faz Mundéu

 Vento sopra  Vai Pandorga

De rabo ondulando no céu

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Entre as Águas         19

 

 

Na enseada do rincão

Quando maio aparecia

Pelas frestas do Galpão

Junho já se pressentia

 

Gente colorindo os campos

Colheitas nos cebolais

Brisa assoviando nas dunas

Ondulando os arrozais

 

Branca areia terra boa

Preto Barro pantanal

Claros olhos corpos pardos

Águas doces / Ondas e Sal

 

Corações temperados

Cheiro de mar gosto de sal

Verões de amores n’areia

Flertes banhos no pontal

 

Ao Partir dão-se as mãos

Enlaçam-se aos abraços

E o beijo cai no compasso

Balanço do coração

 

 

 

Parte II / 19

 

Restias trançadas nas mãos

Peixes frutos maresias

Barco redes cais e porto

Mar revolto Calmarias

 

Lindas Nativas, Trigueiras

Casadoras suspirando

Os seus bravos marinheiros

Pro alto mar embarcando

 

De mãos dadas a té o porto

Confundidos pela dor

Eles voam olhar longe

Preso solto sonhador

 

Elas ardentes risos sábios

Peito perto puro amor

E vão murando a os lábios

Versos d´agua mares em flor

 

Ao partir dão-se as mãos

Enlaçam-se aos abraços

E o beijo cai no compasso

Balanço do coração

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Gurizito   20

                

 

Gurizito te garanto

Homem grande parece

 

As calças remangadas

Nos joelhos remendos

Pra canga

A boiada trazendo

 

Com passos firmes

Conduz a quartiada

O Arroz pra trilha

Cachos Em Feichos  nas carreteadas   (Leva) (No Feicho)

 

 

Teu grito é decidido

Teu olhar é muito duro

Gurizito te asseguro

Não vives qual um Menino

 

O teu andar tem destino

Mas teu pensamento é puro

Gurizito te asseguro

Não vives qual um menino

 

Nunca soube o que é brincar

Tua vida é trabalhar

Trabalhar é tua vida

Nunca soube o que é brincar

 

 

 

 

 

Parte II /20

 

Gurizito te garanto

Homem grande parece

 

Os pés descalço

Quebrando a geada

Queixo tremendo

A mão preparada

 

As mangas regaçadas

O corpo sofrendo

No duro corte

Do Arrozal que vai colhendo

 

Teu grito é decidido

Teu olhar é muito duro

Gurizito te asseguro

Não vives qual um Menino

 

O teu andar tem destino

Mas teu pensamento é puro

Gurizito te asseguro

Não vives qual um menino

 

Nunca soube o que é brincar

Tua vida é trabalhar

Trabalhar é tua vida

Nunca soube o que é brincar

 

 

 

 

 

 

Olho Gateado            21

 

 

 

O sol

Lambe

Manso

O silencio

A manhã

O olho

Gateado

Grelado

A espreita

Do peso

Subindo

O olho

Grudado

A mão

Extraindo

 

 

 

 

Parte II / 21

 

O sol

Lambe

Manso

A água

O bote

O olho

Calado

Cansado

O Lombo

Da onda

Dançando

O Brilho

Dourado

Do Dia

Clareando.

 

 

 

 

 

Mard'estrelo

Guaíba

“Calmarina”    22

Copiar

 

Velejando o Rio Guaíba, 

Ilhas, Morros, Casarios

Armazéns e Cais do Porto

Na Paisagem, Grandes Navios

 

Agressões Instituidas

Faz decontas na Costeira

Impérios ferem tua Alma

Mancham tuas Águas Praieiras

 

Nas veredas pra Itapuã

Sobe A lua cheia e fascina

Cantando  para Iansã

A noite se ilumina

 

Anoiteço

Velejando

Ao luar eu vou

Rio Iluminado

 

A noite saio em tuas ondas

La fora o tempo para

Astros por todos os lugares

No fundo dos Céus /

No Espelhos das Águas /

 Brilhando em

Teus olhos Meu Amor....

 

Me sinto um Argonauta

Navegando o Universo

Viajante das Estrelas

Me encontro Em Tuas curvas

 Perdido No verso /

Do teu Multi-Verso.

 

Meu amor....

 

 

Sobra (Ribeira)

 

Parte II / 22

 

Lágrimas, turvas correntes

Gemidos de existências

Vozes Guerreiras, Quilombos

Tambores de resistências

 

(Chaminés) Despejos e esgotos livres

(Lindas) Belas praias condenadas

(Driblando) Enfeitam e prometem tuas margens

E inféctam tuas Águas Douradas

 

Apontando pra Eldorado

As nuvens   são formosuras

O céu todo matizado

O por do Sol uma Pintura

 

Anoiteço

Velejando

Ao luar eu vou

Rio Iluminado

 

A noite saio em tuas ondas

La fora o tempo para

Astros por todos os lugares

No Céu no Horizonte /

No espelho das Águas /

 Brilhando em

Teus olhos

 

Meu Amor....

 

 

 

Me sinto um Argonauta

Velejando o Universo

Viajante das Estrelas

Me encontro  Em Tuas curvas

 Perdido num verso /

Do teu Multi-Verso.

 

 

Meu amor....

 

 

* Fenômeno que acontece com a céu todo estrelado: se enluarado, mais belo será. Se o velejador, em vez de se ansiar a espera por ventos, para e se acalma para entender o que está se passando; perceberá a diferença da calmaria para o Mard'estrelo: não há horizontes: o navegante se encontra cercado de astros por todos os lados: no alto do céu, no fundo das águas. Duas luas, uma no alto, outra no fundo: é como que o velejador estivesse navegando o universo cercado de estrelas por todos os lados. Mas para isto, é preciso um céu estrelado - se com luar, melhor - em uma noite de calmaria, e o mais importante: o velejador precisa estar a uma grande distância da costa, onde não haja horizontes de terra.

 

 

 

* Fenômeno que acontece a noite  com o céu todo estrelado: se enluarado, mais belo será. Se o velejador, em vez de se ansiar a espera de ventos, parar para entender o que está se passando; perceberá a diferença da calmaria para o Mard'estrelo: não há horizontes: o navegante se encontra cercado de astros por todos os lados: no alto do céu, no fundo das águas. Duas luas, uma no alto, outra no fundo: é como que o velejador estivesse navegando o universo cercado de estrelas por todos os lados. Mas para isto, é preciso um céu estrelado - se com luar, melhor - em uma noite de calmaria, e o mais importante: o velejador precisa estar a uma grande distância da costa, onde não haja horizontes de terra.

 

 

 

 

 

 

 

Delta        23

                                                                          

 

Cantando o tempo  voa

Junto ao Sol abro as manhãs

Serestas de araquãs

Cravinas cantando à toa

 

Perdizes Pousam Catando

A granada das Milhãs

Perfume dos  Guatemãs

Rio de correnteza boa

 

Águas Cristalinas, Sangas

Pendentes Ramos, Criúvas

Nas matas, silvestres úvas

Algazarras nas vertentes

 

Ao Cantar Das Seriemas

Dourados contra as correntes

Sobem Em Busca Das Vertentes

No Cíclo Da Piracema

 

Terreiros Rodas, Batuques

E O Muque Para Semear

E A Alegria  Pra Colher

Pra Viver E Pra Cantar....

 

Vozes tristes /  De quilombos

Cantigas de antigas heras

Sanfonas violas /  E Bombos

Nas Margens longas esperas

 

 

 

 

 

DE Outra Música:

Paredões barrancas matas

Cascatas e Afluentes

Entalhes de vento  e   águas                         

Doces e Bravas correntes

 

Esculturas nos  lajeados

Águas se abrindo na proa

Corre o rio emparedado

Rio ligeiro vai canoa

 

Alto Camaquã

 

 

Paredões barrancas matas

Cascatas e Afluentes

Entalhes de vento  e   águas                          

Doces e Bravas correntes

 

Esculturas nos  lajeados

Águas se abrindo na proa

Corre o rio emparedado

Rio ligeiro vai canoa

 

As mesmas águas das fontes

Correm puras cristalinas

Em azul de turmalina

Chegam de tuas vertentes

 

 

 

 

 

 

 

 

Hortas de subisistências

Homem de saber Ribeiro

De caniço e Sanburá

Um casebre Ospitaleiro

 

Mulheres lavando roupas

A Criançada Brincando 

Cavalos bebendo água

Um caiqueiro remando

 

Uva do mato Goiaba

Ingás, araçá, pitanga

Maracujá e Cerejas

Bacuparí, Orikanga.

Ariticum, Guabiroba

Quaresma e Gramuxama

Tarumãns e Arumbebas    /

Guabijú , Olho de ponbas

 

 

 

 

 

 

 

 

Parte II / 22

 

 

A Tarde volto pro povo

Esperando um novo dia

Cansado da Alegoria

Louco pra cansar de novo

 

As mesmas águas das fontes

Correm puras cristalinas

Em azul de turmalina

Chegam de tuas vertentes

 

De Outra Música:

As Garças Brancas e esbeltas

Na Pesca do grumatã

Na barra / Os Jaçanãs .

A canoa cruza o delta

 

Na Lagoa eu ganho as vagas

Abre uma clareira o mundo

Azul no espelho profundo

Unindo os céus e as águas

 

 

Nas curvas das enseada

Vou e Volto na Genôa    

Vida de pescador pobre

Pobre, mas de vida boa

 

La fora eu solto o grito

Me encontro me alço voando

Navegando o infinito

Eu ganho o tempo sonhando

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Rio Camaquã                   24

 

 

Rio Camaquã

Rio dos quatro costados

 

Me perco nas tuas curvas

Girando em redemoinhos

Me solto nos teus remansos

Dou costa do outro lado

Teus nativos navegando

Vam remando tuas canoas

 

Vai Cristalino em tuas águas

Levando o céu no te um leito

Vai refletindo tuas matas

Campos plantações e gados

Vai abraçado em tuas barrancas

Vai brilhando os teus dourados

 

Uh Uh Uh Uh UH Uh Uh Uh Uh ...

 

Rio Camaquã

Rio dos Quatro costados

 

Pousa um sábia te canta

Voa um Bem te vi te avista

A garça branca te encanta

A ciriema te grita

Carrega espumas nas águas

Com flores de corticeira

 

 

 

 

 

 

Parte II / 24

 

Vai desenhando em tuas areias

Juntando os teus caramujos

Vai esculpindo tuas ilhas

Vai lapidando os teus seixos

Vai entalhando os teus caminhos (tuas veredas)

Vai corredeiras a baixo

 

Uh Uh Uh Uh Uh Uh Uh Uh Uh ...

 

Rio Camaquã

Rio dos quatro costados

 

Um quero quero te alerta

Do alto uma tarrã te guarda

Águas  vazantes te acalma

Águas de enchentes te excita

Em mim derrama tuas queixas

Minha melodia te escuta...

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Coriolano e os Três

 Proeiros      25

 

 

A leste do Mar de Dentro

Um Mormaço a sufocar

Um dia fora do tempo

Homens precisam Zarpar

 

É O fruto acumulado

De um trabalho penado

Pagar credor ao dobrado

E o patrão a esperar

 

A Oeste nuvens estranhas

Na linha do horizonte

Uma ameaça no fronte

Homens precisam zarpar

 

Entre preservar a vida

E por em risco o trabalho

Entre preservar o trabalho

E por em risco a vida

 

Foi então que decidiram

O trabalho  vale mais

E o barco então Zarpou

Deixando a terra pra "trás"

 

Deixa a linha do horizonte

Nas águas abertas sai  

E o Barco então Zarpou

Em busca do velho cais

 

Surgem Nuvens  e relâmpagos

Mar revolto e o barco vai /

E o barco então Zarpou

Quem em terra não avista mais

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

* Fenômeno que acontece com a céu todo estrelado: se enluarado, mais belo derá. Se o velejador, em vez de se ansiar a espera de ventos, parar para entender o que está se passando; perceberá a diferença da calmaria para a Calmarina: não há horizontes: o navegante se encontra cercado de astros por todos os lados: no alto do céu, no fundo das águas. Duas luas, uma no alto, outra no fundo: é como que o velejador estivesse navegando o universo cercado de estrelas por todos os lados. Mas para isto, é preciso um céu estrelado - se com luar, melhor - em uma noite de calmaria, e o mais importante: o velejador precisa estar a uma grande distância da costa, onde não haja horizontes de terra.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Aquela da água, eu vi num vilme. o capitão de uma fracata mercante, que bebia Hun por água.  e quando via um cara beber água fazia puáh, como que tem gente que pode! Disia ele com cara de nojo!!! hahahahahahah

15/4/2016 21:17

https://www.youtube.com/watch?v=unMp1EjXoGs

Marcelo Dellamea - (Kilometro 11) Fiesta Nacional del Chamamé 2012

Lunes 16 de Enero de 2012, Anfiteatro Cocomarola - Corrientes. Hugo Dellamea (guitarra ritmica) Luis Piedrabuena (bajo) Pablo Bentos (acordeon)

youtube.com

15/4/2016 22:24

Ouça este violão aí,  Guápo

27/3/2017 09:03

O Domador E O Queixo Roxo

( A lição Do Bagual – Bagual Ventana))

 

 

O Patrão mandou montar

Num queixo roxo especial

Pra domar o animal

Segundo a sua vontade

Era pra suar de maldade

Pra quedar bem o bagual

 

Selvagem que é selvagem

Não se entrega assim as regras

Segura o calor da refrega

Rodeia pula bandeia

Se atira e negaceia

Não se aparta da paisagem

 

Existe maior beleza

Que aprender com a própria lida

Que compreender  que a vida

Doma os mansos e os tirano

Diante o xucro mundano

Viu-se não ser quem pensava:

 

O domador que amansava

Na doma tradicional

No fundo um peão Bágual

Que pta lida foi  domado

Pelo patrão adestrado

Num redondel racional.

 

 

Horas travadas em guerra

Domador e potro xucro

Nenhum dos dois teve lucro

Dos dois, nenhum deu vantagem

Não se quedaram os Selvagens

E se bolearam por terra

 

Se apartaram na poeira

E se levantaram juntitos

Ainda empinou-se o proscrito

Se exibiu, “e ganhou o mundo”

Com pensar bem mais profundo”

O domador,  “ficou solito”

 

Existe maior beleza

Que aprender com a própria lida

Que compreender  que a vida

Doma os mansos e os tirano

Diante o xucro mundano

Viu-se não ser quem pensava:

 

O domador que amansava

Na doma tradicional

No fundo um peão Bágual

Que pta lida foi  domado

Pelo patrão adestrado

Num redondel racional.

 

 

Não há potro que não derrube

Nem domador que não caia

Como é que há, quem risque a raia

E faz da doma a onipotência

Se domar é uma ciência

Sujeita a todas as falhas

 

Finalmente um bagual puava

Que não se deixou vencer

Preferindo até morrer

Do que perder a Xucreza

O domador em sua Rudeza:

Pecebeu o livre viver

 

Existe maior beleza

Que aprender com a própria lida

Que compreender  que a vida

Doma os mansos e os tirano

Diante o xucro, o mundano

Viu-se não ser quem pensava:

 

O domador que amansava

Na doma tradicional

No fundo um peão Bágual

Que foi montado e  domado

Pelo patrão adestrado

Num redondel racional.

 

O pição:

Que pelo patrão foi montado

Enfrenado e e adestrado

Num Redondel Racional

 

 

 

 

 

 

Jamais havia caído

Nem sequer se boleado

Buscando  outras aragens:

Largou a doma o Querana

Remoendo aquela mensagem:

Que deixou o bagual ventana

 

Pois  quem rouba liberdade

É o mesmo encarcerado

A isto, melhor é morrer

Quem doma, é mesmo domado

Só Quem liberta, é o libertado

E livre,  é muito mais lindo o viver...

Da uma lida, estou aprontando, ainda há nmuitas opções, mas já dá para ter uma ideia.

Um abraço.

25/6/2017 23:53

Reproduzir     

-3:32

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2 DE ABRIL DE 2018 01:35

Oi Maicon Vocês ja chegaram...!

30 DE OUTUBRO DE 2018 19:17

Olha a mudança 

Anexo indisponível

Este anexo pode ter sido removido, ou a pessoa que o compartilhou pode não ter permissão para compartilhá-lo com você.

Visualizado - 30 de Out

Fim da conversa no bate-papo

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 adestrada

pelo capataz cabestreado)

 

No fundo: um peão adestrado 

Qual Potro em rédeas domado

Pelo patrão cabresteado   

Num redondel racional.

 

Se enrolaram na poeira

E se levantaram juntitos (num vau)

Ainda empinou-se o proscrito (o animal)

Se exibiu, “e ganhou o mundo” (“Bravura dona” – e ganhou os campos)

O domador, “olhar profundo” (olhar de espanto)

Buçal  na mão,  “ficou solito” (sem o bagual)

 

 

 

John Lennon Sunday Bloody Sunday (with lyrics)

 

https://www.youtube.com/watch?v=m0uLfO2ksQQ

 

 

 

 

 

                Delta        23                                                                           

 

 

 

 

 

 

 

 Amoras..., ( pretas e brancas)  Fruta de Pomba

Guabiju, ananas, Butiás   /   Incaseiro na barranca

 

 

Figo,

 

Coquinho, Juá, Baieira

Gincobiloba Olho de ponba

 

  ,

coquinho, .

 

 , e

 

, tuna, e   baieira

 juás, Olho de pomba

               

 

 

Sobras :

 nas margens  "Com a criançada na sanga"

Griteiro conversa fiada

Um Canoeiro Faz passagem

 

 

 Taboa armada no arroio

no ensaboadouro

Varal Acena na lonba                       

No gramado o coradouro

Ribeiro puxando enchada

Arado de bois de Kangas

 

 

 

Médio Camaquã

 

 

 

Cantando o tempo voa

Junto ao Sol abro as manhãs

Serestas de araquãs

Cravinas cantando à toa

 

Perdizes cantarolando

Na granada das Milhãs

Perfume de Guatemãs

Rio de correnteza boa

 

Dourados contra as correntes

Pendentes ramos, Criúvas

Nas matas, silvestres úvas

Algazarras nas vertentes

 

A Tarde volto pro povo

Esperando um novo dia

Cansado da Alegoria

Louco pra cansar de novo

 

 

 

 

Parte II / 22

 

 

Baixo Camaquã

 

As Garças Brancas e esbeltas

Na Pesca do grumatã

Faz barra / Os Jaçanãs .

A canoa cruza o delta

 

Na Lagoa eu ganho as vagas

Abre uma clareira o mundo

Azul no espelho profundo

Unindo os céus e as águas

 

 

Nas curvas das enseada

Vou e Volto na Genôa    

Vida de pescador pobre

Pobre, mas de vida boa

 

La fora eu solto o grito

Me encontro me alço voando

Navegando o infinito

Eu ganho o tempo sonhando

 

 

 

 

 

Passo do Mendonça

 

O rio corre e cai furioso

Nas pedras rugi extridente

Pelo Passo do Mendonça

Se amança Num repente

 

Do elevado do Cristal

Pra quem avista da ponte

Pro estaleiro do Seival

Vê se um mar pro Sol Nascente

 

Campos a perder de vista

O Rio avança espraiado

É a estação das enchentes

É o Horizonte Inundado

 

Fluindo, um mar Sazonal

Sem divisas nem amarras

Se espraia O Manancial

Desde o passo, até a barra.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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