ESTAÇÃO
DAS ÁGUAS CONTEXTO E PROJEÇÃO
DOCUMENTO OFICIAL DE APRESENTAÇÃO
E RESGATE MUSICAL-LITERÁRIO
I. CONTEXTUALIZAÇÃO E GÊNESE DO
PROJETO
O projeto "Estações das
Águas" configura-se como uma iniciativa musical-literária inicialmente
concebida pelo grupo Os Tápes. Anos mais tarde músicos componentes do
grupo o retomam e dão seguimento ao projeto. Este empreendimento reúne
composições de Cláudio Garcia, Silvio Rebello, Airton Madeira, Waldir
Garcia, Ronaldo Link, Pedro Ivo Dapper e Otacílio Meirelles, com uma
parcela significativa das obras datando da década de 1970.
A inviabilidade inicial para sua
concretização resultou na incorporação, ao longo do tempo, de novas canções ao repertório, sobre o tema, estas,
escritas nas décadas de 80, 90 e no início do século XXI. Este material
literário musical foi apresentado em várias cidades gaúchas ao longo das
décadas de 1980 e 1990.
A riqueza literária oferecida
pelo tema – a região costeira sul e suas expressões verbais próprias,
envolvendo a identidade cultural da geografia regional e humana desse povo
costeiro dentro do território gaúcho – motivou a continuidade da criação. Hoje
músicos oriundo d”Os Tpes e (Grupo Estação Das Águas), envolvidos diretamente
com a criação do projeto – "Estações Das Águas" - o retomam em sua integridade,
com o motivo de resgatar, salvaguardar, apresentar e publicar todo o acervo.
1.1. A Identidade da Linguagem
Costeira
A gênese de "Estações das
Águas" reside em uma preocupação preexistente d'Os Tápes, reconhecido como
um grupo nativista de projeção latino-americana. A obra nasceu principalmente
do convívio cotidiano com os pescadores da Lagoa dos Patos, dada a localização
costeira da cidade de Tapes e o fato de o galpão de ensaio do grupo se situar
junto à vila dos pescadores.
Essa interação diária levou os
integrantes a perceber uma outra linguagem gaúcha, distinta da campeira.
Uma linguagem própria, com gírias, distorções e vocábulos específicos que
versam sobre as águas, a lagoa, o mar, os barcos, os manejos de remos e velas,
a pesca e as redes, tão rica quanto aquela que descreve o homem do pampa, dos
campos de cima da serra, das missões e da campanha.
II. PROJEÇÃO E RESGATE DO ACERVO
Originalmente concebido para
descrever o universo humano costeiro gaúcho, o projeto literário musical, anos
depois, assumiu a função de resgate de um vasto acervo de músicas e letras
previamente não publicadas sobre o tema.
A totalidade dessas criações
integra um corpo expressivo que versa sobre a paisagem geográfica e humana da
Lagoa dos Patos. A principal abordagem temática reside na musicalidade
costeira com matizes afro-portugueses das danças de salões e
terreiros de Umbanda, e na linguagem (característica do povo costeiro,
que converge para uma identidade singular e diverge do linguajar campeiro), nos
costumes, na cultura local de cotidiano, deslocamento, convívio e trabalho.
2.1. Situação Atual do Material
Ao longo de seu desenvolvimento,
embora as canções fossem progressivamente apresentadas em palcos, um volume
considerável de material permaneceu inédito ao público em geral por limitação
de tempo e espaço, sendo integralmente arquivado.
Atualmente, décadas após sua
concepção inicial, empreende-se a organização, seleção, revisão e preparação
desse acervo. Embora o formato de sua futura publicação ainda não esteja
definido, o objetivo primordial é disseminar essa obra literária musical
para o conhecimento público.
REPERTÓRIO
MUSICAL-LITERÁRIO
A seguir, apresentam-se as
composições que integram o projeto "Estação das Águas", com suas
respectivas autorias e, quando aplicável, notas do autor.
COMPOSIÇÕES LITERÁRIO-MUSICAIS
1. DE AMORES
Autor: Otacílio Meirelles (Letra da Canção)
A
onda rolou dançou
Com meu amor eu rodei
A maré subiu baixou
Nos teus braços naveguei
O sol nasceu clareou
Nos teus olhos eu me vi
A bruma abriu fechou
Na tua mão me perdi
Vento veio assobiou
De alegria eu cantei
A chuva caiu molhou
No teu corpo naufraguei
A lua cresceu minguou
No teu peito eu dormi
A brisa gemeu chorou
De amores eu morri
2. TEUS OLHOS
Autores: Otacílio e Miguel Luís (Letra da
Canção)
Olhos
longe horizontes
Barcos velas seguem orças
A bombordo a boreste
Nos teus olhos meu amor
Águas doces cristalinas
As verdes águas salinas
Nos teus olhos de menina
Lua
nova lua cheia
Faz ressaca faz marés
Nos teus olhos de mulher
Olhos longe horizontes
Barcos velas sotavento
Vento largo barlavento
Nos teus olhos meu amor
Brisa
mansa vento bravo
Praia à dentro praia à fora
Nos teus olhos de senhora
Mar fechado mar aberto
Bate as ondas vão-se as vagas
Nos teus olhos rasos d’água
Olhos longe horizontes
Barcos velas cruzam nuvens
Vão zarpando aportando
Nos teus olhos meu amor
Luz de estrelas paz de auroras
Céu turquesa sol brilhante
Nos teus olhos de amante
Noites claras noites turvas
Calmarias tempestades
Nos teus olhos de saudades
3. PÉ PONTA POPA PROA
Autor: Otacílio Meirelles (Letra da
Canção)
De ponta a proa atacou / Do barco saltei
Embaixo o casco encalhou / Num banco de areia
No pé a popa dançou / Com o remo calcei
Puxei balancei afrouxei / Tirei com uma cava e meia
Soltei o cabo ancorei / A bordo esperei maré cheia
As minhas redes soltei / Entre mantas de paixão
Malhas finas feiticeiras / Transpassadas de ilusão
De saudades eu malhei / Desenganos sei que não
Tinha pontos de amor / Enredei um coração
Linha
de fundo atirei / No anzol tinha uma flor
Eu com carinho isquei / Com ternura ele
pegou
No pé com calma tenteei / Na ponta correu levou
Uma sereia fez ondas / Nas croas do desertor
Gaivota
um peixe pescou / Levou pra areia
Corvina correu entrou / Lagoa tá cheia
Biguá mergulhou voou / Tainha prateira
A bóia subiu baixou / Peixe bateu na parelha
Rebojo redemoinhou / Arrastando nuvens feias
A
proa abrindo ondas / Na popa o vento rasgado
O barco buscando o porto / Entre o tempo
carregado
Trovões rugindo ao longe / Nuvem negra céu fechado
Relâmpago no horizonte / Em frente o mar encrespado
*E assim nas
ondas vou solto / Deslizando as águas
Saudades que junto eu levo / Dos portos que passo
No peito amores perdidos / Amores roubados
Nos olhos fisgas de olhares / Malhas de abraços no braço
4. PERGUNTAS
Autores: Cláudio, Airton, Linch e
Otacílio (Letra da Canção)
Um
dia me perguntei
Porque ser eu pescador
Se sina de pai pra filho
Se de Deus nosso senhor
Procurei na estrela mais bela
Na figueira mais antiga
Nas areias brancas da praia
Nos versos de todas as cantigas
O vento mudou de rumo
O peixe voltou pro mar
O barco virou carcaça
E eu sempre a me perguntar
5. DANÇA NO TERREIRO
Autores: Cláudio, Airton e Otacílio
(Letra da Canção)
As
ondas rolam mansas / Na cadência da sua dança
O gingado e o balanço dela / O vento é um apelo
Desprende os seus cabelos / Levanta a saia dela
Sanfona
viola pandeiro / E dueto de voz afinada
A dança no terreiro / Os pares se roçando enlaçados
Abraços juras beijos / Meneios de coxas Gingados de ancas
A dança recua
avança balança / Em noite de lua e estrelas
Morena me puxa me cerca / Chega mexendo a barriga
No enlace me encosta o peito / Na roda sacode o
compasso
Desmancha o candombe em meus braços / Desabrochando
em anseios
Morena maneira fagueira / Remexe embala Requebra as
cadeiras /
No achego no
apego A pele o suor / O cheiro o gosto a quentura
Os
corpos perdidos / As bocas se achando
O desejo o prazer a loucura / Os pares rondando
Sonhando vagando / Em noite de lua e estrelas
Morena
vai e vem encosta / Faz voltas me pega me solta
Eu pego o seu rastro no passo / Rodeia me enleia se enrosca
Sussurra e diz que me gosta / Perdido me encontro
Em seus braços
E
a noite vai serena / A lua cai na morena
Estrelas nos olhos dela /
Na
sua ciranda tem manhas Devaneios nos seus braços / Enlaço a cintura dela
*Dança
de terreiro que existia na Vila dos Pescadores em um terreno baldio à beira da
lagoa.
6. TROLHA (PIRACEMA)
Autor: Otacílio (Letra da Canção)
O
motor batendo
No bote o traquete
Vai estendendo um arco
O barco
De bom toso
Boca larga
Vem rangendo vem
Puxa a ponta
A trolha vem
Vem tremente vem
Vem cercando vem
Vem de arrasto vem
Vem chegando vem
Miragaia
Linguado badejo / Pampo caçonete tainha
Bagre guri
Camarão
siri / Sardinha savelha corvina
Vem vem vem…
Voga mandim
Traíra viola / Cascote tambica piava
Papa-terra
Grumatã pintado /Peixe-rei dourado joana
Vem vem vem…
Vem chegando vem
Piracema
Vem chegando vem
Piracema
vem chegando vem
Piracema…
*
Pesca predatória ainda na década de 80. Trolha; o arrastão na costa gaúcha
com malhas finas, que trazia nas malhas
todo tipo de peixe, mesmo os filhotes.
7. VERSOS DE ITAPUÃ A SÃO JOSÉ
Autor: Cláudio Garcia (Letra da Canção)
Na
corrida da tainha
Quando veio água do mar
Meu olho ficou pequeno
Pro peixe que eu vi matar
O siri mascou a rede
Na lagoa do barquinho
Quanto mais busco descanso
Mais trabalho em meu caminho
Por águas mandei recado
De Mostardas a Belém
Por águas me devolveram
As saudades de meu bem
Quando
o bagre tá cambando
Os filhotes da lagoa
Pode ser que para o ano
A pesca volte a ser boa
A figueira criou barba
Os netos já são avô
E a cebola não deu preço
Pra quem nela trabalhou
O birú tá aprisionado
Nas grades da rede fina
Manduca caiu faceiro
Nas malhas da Carolina
*O Peixe Que Vi
Matar: Maneira literal do pescador descrever a retirada do peixe das redes.
Matam com uma pancada na cabeça usando um pedaço de madeira. Os versos falam de
conhecimentos através de sinais e da cebola, cultivo da região que, nunca da
preço para os plantadores locais.
8. ENTRE O MAR E O PAMPA
Autores: Cláudio Garcia e Waldir Garcia
(Letra da Canção)
No ancoradouro
Nos juncais
Um olhar no amanhecer
Se estendeu brilhando
Nos verdes dos arrozais
Águas e campos
Dumas e montes
Abrindo horizontes
Desvendou as nuvens
Desbravou os ventos
Buscou os remansos / Se entregou praia à fora
Misturou-se às ondas / Se perdeu nas auroras
Divisou as águas / Navegou as correntes
Demarcou as estrelas / Ancorou nas lonjuras
Cheiro
das algas
Perfume dos pastos
Sentindo a vida
Escolheu encostas
Deitou junto a brisa
Nativo amante
Praia barco areal
Cantando na noite
Despertou a lua
Fez o sol chegar
Buscou os remansos / Se entregou praia afora
Misturou-se às ondas / Se perdeu nas auroras
Divisou as águas / Navegou as correntes
Demarcou as estrelas / Ancorou nas lonjuras
*Esta
música é a segunda mais antiga dos Tápes tendo a Lagoa como tema. É de 1973.
Descreve a descoberta da lagoa pelo homem sem especificar que homem seja esse,
se o branco europeu, se o negro africano, ou se o homem dos povos originários.
Foi alguém que chegou, descobrio, se encantou e se assentou às margens da lagoa
e a navegou descobrindo novas paragens.
9. SINAIS
Autores: Cláudio e Otacilio (Letra da
Canção)
Ir
lançar as redes
Cada vez mais lá
Sumir nas águas
Cada vez mais lá
Homens de olhos cansados
De singrar o mar
Ir a colher as redes
Cada vez mais lá
Nascer das águas
Cada vez mais lá
Homens de olhos cansados
Dos confins do mar
Todas as madrugadas
Nas noites turvas
Do ancoradouro
Estudam o tempo
O rolar das ondas
O rumo dos ventos
O
aviso das nuvens
Os sinais das estrelas
Segredos e saber
Revelados na hora
De partir pro mar
Pode uma reviravolta
Turvar as águas
Apagar a vista
Desnortear a rota
Agitar os ventos
Revoltar as ondas
Avariar
o barco
Naufragar a volta
Fé e respeito
É sagrado na hora
De partir pro mar
*Houve
um tempo em que os pescadores – e isso até bem recente – achavam vergonhoso
servirem-se de Salva-vidas nos barcos e botes pesqueiro. Era uma questão de
honra usar o conhecimento, as interpretações dos sinais da natureza e a crença
em santos protetores para navegar lagoa a fora, muitas vezes dezenas de
quilômetros em busca de melhores locais para pescar.
10. DOR NO POEMA
Autores: Otacílio e Cláudio (Letra da
Canção)
Rebelde e cansado
Verso entranhado
Nas correntezas
Escorrem as águas
A viola rola nas manhãs
Os poemas aquecidos no sol
Ferem as noites
A lua as estrelas
Distante a rima que quero
O tom que procuro
A voz pra cantar
O verso navega
Em grande e esplêndida bacia
Que engolfa e jorra venenos
Na margem no
centro da vida
Distante o perfume das terras
Dos ventos das águas
O dom de voar
Escarros no encanto
Do canto
No verso machucado
Na dor da voz desafinada
As rimas nas correntes
Navegando
Em ondas mansas revoltas
Entre manchas vão soltas
Chorando a lagoa
*Essa
Canção, um fado, descreve os tempo difíceis que, pelo qual a lagoa passa, sofrendo agressões
ambientais...!!!
11. FELICIA
Autores: Otacílio e Cláudio (Letra da
Canção)
Feliz
Felícia
Forte Felícia
Frágil Felícia
Canta Felícia
Chora Felícia
Sonha Felícia
Vive Felícia
Bóia fria
Pau pra toda obra
Cerca viva
Rosa na janela
Meia-água
Parede e meia
Pés na areia
Mãos tecendo redes
Mãe de todos
Ombro pra chorar
Dedo em riste
Olho de rainha
Faz a lida
O peixe charqueado
Lava a roupa
Cuida a vida
*Essa
personagem existiu de fato, e foi, tal qual a cação a descreve. Na vila dos
pescadores em Tapes, moram muitos de seus descendentes: Filhos, já envelhecidos,
netos e bisnetos...!!!
12. VERÃO
Autores: Cláudio e Otacilio (Letra da
Canção)
Sussurros
Na imensidão das águas
Desenhos de algodão
Azul
azul
A brisa a pele
Lábios cristais
Verão
Beijos
quentes sol
Suores gosto sal
Cálices de mel
Brindes com o mar
Navegar
navegar navegar
Murmúrios
Na amplidão dos olhos
Segredos da paixão
Azul
azul
A brisa a pele
Lábios cristais
Verão
Beijos
quentes sol
Suores gosto sal
Cálices de mel
Brindes com o mar
Navegar
navegar navegar
*Divagação sobre os belos verões Lagoeiros...!!!
13. LAGOA DO SOL
Autores: Cláudio e Otacilio (Letra da
Canção)
Rios Sangas
Caracóis Seixos
Nas Margens Ecoa
O Grito Do Jaçanã
O Canto Das Tarrãs
O Lamento Do Urutáu
Orquídeas Figueiras
Cachos Butiazais
Ressacas Remansos
Brisas Brumas
E Entre Espumas E Conchas
Águas Vazantes Enchentes
A Gaivota, Pousa... Voa...!
Bancos Encostas
Pântanos Pontais
Cercando As Ilhas
O Revoar Das Garças
O Pouso Dos Cisnes
O Rasante Dos Biguás
Cristalinas Vertentes
Palmas Coqueirais
Enseadas Areiais
Águas Pés Juncais
E Entre Ventos E Ondas
Praias Croas Correntes
A Gaivota, Pousa...Voa...!
O Sol Durado, Levanta, Encanta
*Descrição paisagística da Lagoa dos Patos
14. ARROIO LINDO
Autor: Otacilío (Letra da Canção)
Uma Flor Branca Na barranca
Cipó Esguio Que Subiu
Se Amarrou E Se Alastrou
Nos Galhos Dos Tarumãs
E Se Derrama As Cachos
Brincando Águas Abaixo
Com As Borboletas E As Rãs
Entre Grilos E Cigarras
Salta Brilhando À Prata
E Mergulha Grumatã
Arroio Lindo,
Vai Cantando Tuas Mágoas
Aos Murmúrios Das Cachoeiras
Passeiam Nas Tuas Águas
Remando De Ponta A Ponta
Nadando De Lado A Lado
Linha De Fundo Rodando
O Braço Solto Atirando
Pra Corrida De Um Dourado
Nas Pontas Das Timbaúvas
Um Surucuá Colorado
Num Lamento Redobrado
Te Avistou E Te Cantou
Do Alto De Teus Salseiros
O Rosa De Um Colhereiro
Te Faz Cortejos De Amor
Tua Águas Dançando Loucas
Trocando Beijos Na Boca
Com Um Martin Pescador
Arroio Lindo
Vai Cantando Tuas Máguas
Na Estação Das Enchentes
Soluçando As Corredeiras
Vem Arrastando Madeiras
Alagando Os Teus Banhados
Gemendo Em Fúria Brava
Derruba Arranca E Arrasa
Nos Campos De Teus Costados
*Sobre O Rio Camaquã que os ribeirinhos chamam de arroio.
15. BARQUINHO DE LATA
Autores: Pedrinho e Otacílio (Letra da
Canção)
O cordão rebentou, ai...!
Estou aqui sozinho
Meu Deus Não sei nadar
Desprendeu meu barquinho
Meu barquinho de lata
Que eu ganhei pra brincar
Um Repuxo Bateu
Meu barquinho Colheu
E Eu Não Pude Alcançar
Vai Subindo As Ondas
Vai Descendo As Vagas
Já Não Pode Voltar
Meu Barquinho A Deriva
Vai Nas Correntes Vivas
E Eu Soluço A Chorar
Alguém pra me ajudar aí...!
Estou aqui sozinho
De A mão pra Buscar
Desprendeu meu barquinho
Meu barquinho de lata
Que eu ganhei pra brincar
Vento terra Soprou
Meu Barquinho Levou
Eu não pude alcançar
Vai Subindo As Ondas
Vai Descendo As Vagas
Já Não Pode Voltar
Meu Barquinho À Deriva
Vai Nas Correntes Vivas
E Eu Soluço A Chorar
*Pedro Ivo Dapper, percursionista dos Tápes,
Já tinha escrito um texto sobre este brinquedo infantil que (centrado no
feitio), os pais na época faziam de latas de azeite para os meninos brincarem à
beira da lagoa, puxando com um cordão...!!! Escrito, em 1991, para compor à
parte infantil do Estações Das Águas, como cantiga de ninar.
Aqui,
inspirado no texto do Pedrinho resolvi
dar uma conotação um pouco infantil dramática, para enfatizar os
elementos como Vento-Terra, o Repuxo, as vagas, as Ondas, as correntes e, as relações
(qual uma pintura em um quadro), do menininho que se encontra só a beira da
lagoa, lutando com estes elementos que, indiferentes ao seu sofrimento, lhe
roubam o barquinho.....!!
16. PROEIRO
Autor: Otacílio (Letra da Canção)
Linha de fundo e espera
Anzol empate e chumbada
Carretilha corredeira
Caniço de estirada
Fateixa espinhel fieira
Boia de cortiça atada
Mão pra fisgada certeira
Braço bom pra tarrafada
Homens de popa e carancho
Proeiro destes costados
Entre sol e frio navegam
Céu aberto Céu fechado
O suor cai entre as águas
O peixe some nas salgas
E assim vão pescando a lagoa
Com suas mãos pescadoras
Cordas parelhas de redes
De pontos e malhas variadas
Malhas singelas solteiras
Feiticeiras entrelaçadas
Cascos e bordas inteiras
Leme bom proa elevada
Quilha e popa despacheira
Mastro Adriças Velas içadas
Parte II
Homens de popa e carancho
Proeiro destes costados
Entre sol e frio navegam
Céu aberto Céu fechado
O suor cai entre as águas
O peixe some nas salgas
E assim vão pescando a lagoa
Com suas mãos pescadoras
Na entre safra do peixes
Pescam de estivadores
Atracam nas construções
Remam o chão, são lavradores
Nas marés nas invernadas
Nos remansos dos potreiros
Navegam nas gineteadas
São pescadores campeiros
Homens de popa e carancho
Proeiros destes costados
Entre sol e frio navegam
Céu aberto Céu fechado
O suor cai entre as águas
O peixe some nas salgas
E assim vão pescando a lagoa
Com suas mãos pescadoras
*Proeiro é o empregado do barco de pesca.
Carancho, o comissionado. Homem de popa:
O dono da embarcação .Descrições sobre ferramental e barcos de pesca e, as
relações do pescador com o seu trabalho
e a dureza do dia a dia embarcado... As relações econômicas com o comprador do pescado, dono das modernas
câmaras De Gelos para armazenar o pescado (antigas salgas), em muitos lugares
ainda hoje chamadas assim...!!!
17. VELHO DUCA “ÁGUA DOCE”
Autor: Otacílio (Letra da Canção)
Rabanada de dourado
Batendo no Espinhel
Bagre Cambando a os punhados
Subindo com as marés
Bem aqui neste costado
Aí mesmo onde dá pé
Mastros velas mestras bujas
Bordejos panejos ventos
Horizontes no Traquete
Larga escolha na mezena
Lagoa linda limpa e livre
Águas claras brisas puras
Meu coração de água doce
Balança o Balanço do mar
Ela hoje se aprontou
Com jeito de quem vai navegar
Na água cai me encharquei
Na areia saí pra enxugar
O sol fez meu frio aquecer
Alua minha febre baixar
Um Barco levou meu amor
No porto fiquei a chorar
O vento escutou minha dor
A brisa acalmou meu penar
Velho Duca moço / Fala lembra
Moço Duca velho / Lembra fala
Parte II / 13
Voga Grumatã piava
Riscando as Calmarias
Mantas de birú bem cedo
Tainhas que reluzia
Abrindo junco logo ali
Por esta luz que me alumia
Pescador de pé na popa
Lugares prontos pesqueiros
A lua clareando as velas
Cantigas com o parceiro
Olhos longe riso perto
Lago dono Lago Inteiro
Meu coração de água doce
Balança o Balanço do mar
Ela hoje se aprontou
Com jeito de quem vai navegar
Na água cai me encharquei
Na areia saí pra enxugar
O sol fez meu frio aquecer
A lua minha febre baixar
Um Barco levou meu amor
No porto fiquei a chorar
O vento escutou minha dor
A brisa acalmou meu penar
Velho Duca moço / Fala lembra
Moço Duca velho / Lembra fala
* Canção inspirada em depoimentos de um velho
pescador, nosso conhecido, o Duca... Que, discorria sobre os antigos tempos de
pesca: lagoa (linda, limpa, e livre), tempo em que não se precisava de barco
para armar redes, entrava-se com a rede até onde dava pé e pronto...!!! O Barco
só era usado para levar o pescado para a cidade de Rio Grande para ser
exportado, ou levado para cidades para o interior, onde não havia
pescado......!!!
18. RIO DA VIDA
Autor: Otacílio (Letra da Canção)
Quem caminho sobre as águas /
É
chamado pescador
Pesca a dor e toda a mágoa /
Só não pesca a própria dor
Cada mágoa que levanto /
São
penas que faz doer
Ilusões sonhos encantos /
É o
que resta pra viver
Olhei com os olhos rasos /
No
fundo das águas claras
No espelho fez redondilhas /
Mergulhou uma Iara
Joguei um ramo de Ipê /
Roxo
de amor e carinho
Matreira me desdenhou /
Fiquei
na margem sozinho
Parte II
Tenho o céu enluarado /
Sobre a ponta da Genoa
Peixes de Pratas, Dourados /
Sob o
casco da canoa
Vai canoa contra as águas /
Vem as
águas contra o vento
Sopra o Vento a meu favor /
Acalma meu Sofrimento
Distante do bem querer /
Da
sopros no coração
Corre nas veias saudade /
Arde
nos olhos paixão
Partidas que não tem hora /
Caminhos a se estender
Regressos que faz demoras /
Distâncias
para vencer
Tema Desenvolvido apenas como propósito musical literário tendo como musa,
Yara, a mãe das águas...!!!
19. NAS CURVAS DAS ENSEADAS
Autores: Airton e Otacílio (Letra da
Canção)
Descendo
O Arroio Lindo
À
Sombra Dos Ingasais
Passa
Correntes Remansos
Entre
Os Raios matinais
As
Garças Brancas Esbeltas
Rubras
Esguias Jaçanãs
Faz
Barra O Camaquã
A
Canoa Cruza O Delta
Refrão
Nas Curvas Das Enseadas
Vou E Volto Na Genoa
Vida DE Pescador Pobre
Pobre Mas De Vida Boa
Na
Lagoa Eu Ganho As Vagas
Abre
Uma Clareira O Mundo
Azul
No Espelho Profundo
Unindo
Os Céus E As Aguas
La
Fora Eu Solto O Grito
Me
Encontro Me Alço Voando
Navegando
O Infinito
Eu
Ganho Tempo Sonhando
Refrão:
Nas Curvas Das Enseadas
Vou E Volto Na Genoa
Vida De Pescador Pobre
Pobre Mas De Vida Boa
Em
Busca De Uma Revessa
Vou Deitar Acampamento
Fogo
De Chão Ao Relento
A
Lua Surgindo Inteira
As
Três Marias Na Alçada
Chuvas
De Estrelas Cadentes
A
Boieira No Levante
O
Sol Fazendo Alvoradas
Rede
De Mão Repassada
Volto
Pra casa Contente
*Descrição sobre a vida de um pescador que vive
próximo à foz do rio Camaquã e desce velejando até a lagoa para pescar. Um
personagem que, existe de fato, vive longe das apelações das grandes cidades,
mesmo das cidades pequenas... Em sua comunidade local nasce. Cresce, vive e
trabalha. É pobre, mas é feliz pescando e observando a natureza e levando para
caso o sustento de sua família.
20. CANTO TRISTE
Autores: Cláudio e Otacílio (Letra da
Canção)
Amanhã água
/ Vem mansa
Fala o vento
/ Do outro lado
Este canto
/ Beira d’água
No mundo
/ Tá ancorado
Tá ancorado
/ No mundo
Este cantador
/ Arpoado
Navegando
Eu vou /
Corpo solto
Aproado
Dunas brancas, Roncador /
Sol
nascendo Do outro lado
Parte II
Bichos e Peixes / Ao
sol das manhãs
Somem dos céus
Dos campos,
Das águas
Dos
Abrigos Das encostas
De Rio Grande
/ A Itapuã
Pescador Roga Bom Tempo
Pra
Protetora / Inhansã
Navegando eu vou /
Corpo
solto aproado
Alagadas, Rolador /
Arco-íris do outro lado
Parte III
Eu canto Triste /
Pelos juncais
Nas enseadas
/ Nos areais
E voam barbas
/ Nas Figueiras
E douram cachos / Nos
butiazais
E abrem flores as corticeiras
E acenam
os coqueirais
Navegando eu vou /
Corpo solto aproado
Noites Claras Desertor /
Lua Cheia do outro lado
Lua cheia Desertor /
Chove estrelas do outro lado.
*As relações do
homem crítico com a natureza costeira da Lagoa dos Patos, com a ameaça às
águas, à fauna local, à paisagem , e ênfase
á descrições de lugares da região costeira de Tapes...!”!””!
21. MAR DE DENTRO
Autor: Otacílio (Letra da Canção)
A costa toda deserta / O
vento que nunca para
O sal salpicando as mãos / O sol açoitando a cara
Habitantes reunidos / Nas
casas e nos galpões
A reparar os seus corpos / A remendar arrastões
Tem nativa na janela / Tem
Herdeira portuguesa
Pelo duro bom de cela /
Mouro que conta proezas
Tem morena da Angola / Tem
retinta da Guiné
Tem criolo bom de bola / Tem
nego que diz no pé
Parte II / 03
Os povoados esparsos /
Acomodados nas dunas
Casas de madeiras ralas /
Carcaças cascos de escunas
Raras árvores para sombras /
Cacimbas rasas pra cede
Junco batido é telha /
Tábua De Nó é parede...
Tem candombe no terreiro / Come
e bebe no quintal
Festa para o orixá guerreiro / Terno de reis no portal
Preto Velho pai de santo / No
congá é batuqueiro
A Mãe Preta Canta Pontos
/ Por negro e branco costeiro
Parte III / 03
Sol nascente, além mar /
Poente, terras além
Doces águas em Belém / Em
São José, Lagamar
Se estende Os Casarios /
Capelas, praças a o centro
As Ruas cercando a Barra /
Deságua o Mar De dentro
Tem Da ilha da Madeira / Tem
das Ilhas de açores
Benzedeiras e Parteiras /
Artesões Navegadores
Carpinteiros e ferreiros /
Portos cidades praianas
Armazéns e estaleiros /
Embarcações Lusitanas
*Tema descritivo
das regiões costeira da Lagoa dos Patos, que canta a região entre a Lagoa dos
Patos e o Atlântico Sul (longa península que se estende por 265 quilômetro e se
chama – não de maneira oficial - Restinga da Lagoa), com forte influência , da
canção Afro-Portuguesa...””!!! Tocado e
Cantado com ritmo que serve-se das cantorias de (ponto), ritmadas dos terreiros
de Umbanda, que existem nessa região. Uma tentativa de descrever os Legados
culturais dessas Influências.
22. DEFESO
Autor: Otacílio (Letra da Canção)
Leste sopra de tufão / Vai fechar a temporada
É o fim da estação / Enrola a tralha moçada
Que o mar não está pra peixe / Me contou uma
Sereia
Quatro luas fora d água / De sol a sol na
areia
Barco rolado pra terra / Pra obras no
"Espraiado"
Ipê Roxo Nas Cavernas / Cedro Rosa nos
costados
Pau ferro, Grápia, Taúba / Com Garapeira
encaixados
Suporte e Banca bem forte / Motor de centro aprumado
Reservas De Um Santuário / Ambientes
Confrontados
Mar De Dentro, Mar De Fora / Cambando De Lado
A Lado
Verão queimando na areia / O
trabalho vem dobrado
Redes tecidas às mãos / Feitas Em Panos Variados
A Deriva, Meia Água, De Fundo Em Pontos
Laçados
Malha
fina , malhas grossa / Grades De
Nós Transpassados.
Defeso Dá Tempo Ao Tempo / Vidas, ciclos renovados
Chegando A Temporada / Entram Cardumes
pesados
Parte II / 06
Vento Batendo na cara / Chuva Tocada
guasqueando
Ultima Pesca da safra / Sobe o peixe
transbordando
Dou a largada para casa / Minha gente está
esperando
Se o barco tivesse asas / Voltava agora
voando
Barco rolado pra terra / Pra obras no
Espraiado
Ipê Roxo Nas Cavernas / Cedro Rosa nos
costados
Pau ferro Grápia, taúba / Com Garapeira
encaixados
Suporte e Banca bem forte / Motor de centro
aprumado
Madeira de lei Moldada / Metal em Bronze
Forjado
Jamar Novinho em folha / Há muito tempo
sonhado
Mastro Bom Feito Em Freijó / No Estanhamento
Amarrado
Pano Estendido, Retranca / Pro Vento Em Popa
Tocado
Salvas vidas na espera / O convés bem
preparado
Com tabuas de polegadas / E corrimão no
tosado
Parelha Nova Zarpando / Proeiro bom no
costado
Sinal de nova estação / Com cheiro bom de
pescado
*Período em que os
pescadores cessam a pesca obedecendo leis que regem em respeito aos ciclos
reprodutivos que ocorrem na lagoa. Então aproveitam para rolar o barco pra
terra (encima de toras de madeira), para repará-los para a safra seguinte...!!!
Aqui há uma descrição de um barco pesqueiro, e pescadores da pesca
artesanal...!!!
23. MINUANO
Autor: Otacílio (Letra da Canção)
Vento Minuano / Um guerreiro
Não teve pai / E nem mãe
Chega vagueando / Nos pagos
Encorujando as manhãs
Nas previsões / Das chegadas
Vem e surpreende / O teatino
Montado ao próprio Destino
Sem Partidor ou parada
Voa Livre
/ Vento bravo
Não Marca Noite / Nem dia
Chega tropeando / A invernia
Atravessando os rincões
Chega assoviando de longe
A Paisagem
todo acena
Vem tilintando as chilenas
Brincando com os corações
E a serenata encantada
Invade as frestas dos galpões
Parte II / 17
Vento Minuano Qual Fantasma
A noite ronda os braseiros
Soprando treme o pago inteiro
Rugindo assombra as madrugadas
Gemendo Qual alma Penada
Entre paredes e telhados
Arpejando os alambrados
Canta e desnuda as ramadas
Voa Livre / Vento bravo
Não Marca Noite / E nem dia
Chega tropeando / A invernia
Atravessando os rincões
Chega assoviando de longe
O Paisagem
toda acena
Vem tilintando as chilenas
Brincando com os corações
E A
Serenata Encantada
Invade As Frestas Dos Galpões
*Cantiga inspirada
em um vento minuano que, no inverno de 96, assoviou, gemeu e rugiu em Tapes uma semana sem parar. Naquele ano
fomos morar num descampado aberto, sem abrigo nenhum. Minha Enteada ainda
menininha (A Monnique), não dormia à noite por que pensava que era um fantasma
gemendo na volta da casa. Então sentamos à beira da cama e contamos à ela, que
ali, estava assoprando o nosso amado e
frio vento minuano.
24. CAMAQUÃ (Tomos VIII)
Autores: Airton e Otacilio (Letra da
Canção)
A Tarde Aos Poucos Tombou
A Mãe D’água Apareceu
Pra Olhar O Que É Seu
E O Rio Se Iluminou
Meia Noite Então Chegou
Um Fogo Brilhante Alado
No Passo Do Assombrado
Boi Tatá Ali Cruzou
Mariposas Vaga-Lumes
Corujas E Bacuraus
Serenatas Encantadas
Suindaras, Urutaus
Encontros De Quilombolas
Damas Da Noite Se Abrindo
Cantigas, Luar Luzindo
Bombos, Pandeiros , Viola
Parte II
Madrugada Deu Partida
Estrela D’alva Alçada
Solta O Canto A Passarada
Fazendo Festa Pra
Vida
Vem O Sol Nascente Pleno
Encantando A Alvorada
Teias De Aranhas Armadas
Salpicadas de Serenos
Cabras, Ovelhas Pastando
Cuidam
Cercando Filhotes
Que Vão Brincando Aos Pinotes
Na Luz Da Manhã Brilhando
De Canoa A Pesca Vem
Peixes De Prata, Dourados.
Que O Rio Dá De Bom Grado
Sem Querer Cobrar Ninguém
*Cantoria que se envolve com a
temática do Rio Camaquã, paisagens, fauna e lendas...!!! O Gado caprino, ovino
no alto Camaquã, os pescador, os quilombolas das ribeiras (encostas). Versos
que procuram pintar quadros da região...
25. LANCEIROS NEGROS
Autor: Otacílio (Letra da Canção)
Na Linha Do Horizonte
Pontas De Lanças Dançando
Lanceiros Abrindo O Fronte
Com A Liberdade Sonhando
Um Imenso Sol Nascente
Inverno Nas Verdes Pastagens
Na Brancura Das geadas
Negros Livres Na Paisagem
Da Memória Não Se Apaga
Coragem Que, A Alma Arrepia.
Sangue E Vidas Em Farrapos
E Os Torturantes Dias
Misérias Dores Os Mortos
Por Um Sonho Farroupilha
Trocado Em Negociatas
Por Traição E Covardia
Parte II
Até Posso Ver A Cena
O Deprimente Passado
A Tropa Toda Reunida
Lanceiros Negros Lá Apartados
A Derradeira batalha
A Lavrada Decisão
De Um Tratado Inominável
Em Nome Da Escravidão
Luta Em Marcha De Peito Aberto Vão
A Lança Extensão Do Braço
Vontade De Liberdade
Mais Forte Que O Próprio Aço
Escudo; Poncho De Lã
Na Vanguarda Ombro A Ombro
Por Redenção:
A Mortalha
Na batalha De Porongos
*Aqui o autor descreve a Batalha dos lanceiros
Negros em Porongos (Guerreiros que em sua grande maioria foram oriundo da
região costeira gaúcha.
Há vária versões deste acontecimento histórico. Uma
delas, a mais forte e convincente pelas evidencias históricas deixadas, é a de
traição pelo comando Farroupilha, este liderado pelo comandante em chefe
Canabarro. Naquele derradeiro período da guerra, a República Rio Grandense
se encontrava em profunda crise econômica e o exército farroupilha, claro, também. Os lanceiros lutavam usando botas de
garrão de potro, ou couro amarrados aos pés e, mesmo de pés descalços. A Arma
principal era a lança, e o escudo o bichará, poncho de lã batida enrolado ao
braço.
26. COSTA BRAVA 01
Autores: Silvio Rebello e Otacílio
Costa Brava / Doce Costa / Costa Afora
, Sol Em Chamas
A Beleza Nas Paisagens / Apaga a Trajetória Humana
Monta E Laço
Pro Campeiro / E O Gado No
Matadouro
Escravo De Saladeiro /
Varais Frente O Ancoradouro
Olhos Banzos / Rios no rosto /
Cruz Pesada / Pra levar
Braços Tesos / Canto rouco /
Correntes / Para arrastar
Pés Leviano / Trilho Tosco /
Lavrar, Plantar / E colher
Marcas No Peito / E No Dorso /
Eirar, Debulhar / Moer
Mas Ninguém / Faz cativo A memória /
Têm Histórias
Rodando os braseiros /
EO Feitio Dessa Nação nos braços /
Luz Do Conhecimento Guerreiro?
E A Cultura
Em Alegoria /
Adentrou No Tambor Batuqueiro...!!!
Tamborim / Agogô / Xequerê / Cangerê
/ Bambulá /
Atabaque / Birimbau / Bambaquerê / Batucar /
Aiê... Aiê...AIê... Orum
Ingomê
/ Candonbe / Rocumbo / Catimbau /
Caxanbú /
Adjá
/ Xiba / Alujá / Axexê /
Ginga / Lundu*/
Aiê... Aiê...AIê... Orum...
Maçanbique / /Muquá / Quicumbi / Kamba /
Bangulê
Urucungo / Marimbau / Maracatu / Bendenguê /
Aiê... Aiê...AIê... Orum
Parte II
Costa Brava,
Doce Costa / Costa A Fora,
Geadeiro/
Sangue, Suor E Trabalho / Pés Descalços Chão
Praieiro
Mantas De Charques No Lombo / Fardos Pro Navio Cargueiro
Charqueada Pesa Nos Ombros / Dia A Dia /
Tempo Inteiro
Corpo Gasto / Fardo Grosso / Lavouras / E Redondesas
Rastro fundo / Peso Morto /
Desde a Terra / O pão na mesa
Grilhões para os tornozelos /
Kanga De Chumbo Nos Ombros
Tranca De Ferro, Senzalas, / Pra Não
Fugir pros Quilombos
Mas
Ninguém Silencia Ancestrais
Vieram
Em Lendas em Porões Tumbeiros...
Do Contrário Quem É Que Traria / O Som Desse
Balanço Costeiro
Rituais Danças E Cantorias / E Alegria A Girar Nos Terreiros 10:1
- Jêguedê / Caxxixi / Jongo / Lê /
Zabumba / Ngungá /
Imgomê / Candomblé / /Batuca / Tumbadora / Bamba /
Aiê... Aiê...AIê... Orum...
- Xaque - xaque / Ijexá/ RIpinique Caxinguelê (/
)
Afoxé - Quimbôto - / Xambá / Batá /
Maculelê
- Aiê* ...!!! Aiê... Aiê...Aiê... Orum
-
Caribó, Agê / Bambá -
Birimbáu - Bongô - - Djambê
Canzá - Bombo -
Kisange - Hungu - M’bolumbumba
- Aiê* ...!!! Aiê... Aiê...Aiê... Orum...
*Descrição
irônica sobre a história da trajetória
humana na bela região costeira que hoje
denominamos Costa Doce, cuja além de lugar para morarmos, usamos para recreações, veraneios e festas, e que, no
passado foi o principal palco para o escravagismo nas Charqueadas do Rio Grande
Do Sul... Canção Em Ritmo Áfro... Com nomenclaturas em afro descendente que
apontam a musicalidade, ritmos, cantorias,
festas, os encontros religiosos e
o instrumental Áfro, que herdamos...
27. CAMAQUÃ TOMOS III
Autores: Airton e Otacílio
Cantando A Vida Voa
Junto Ao Sol Abre As Manhãs
Serestas De Araquãs
Cravinas cantando à toa
Cascatas Caindo Em Chuvas
Ribeiras, Ramos Pendentes
Cachos De Amoras, E Uvas
Algazarra Nas Vertentes
Parte
II
Perdizes Vão Mariscando
A Granada Das Milhãs
Perfume Dos Guatemãs
Rio De Correnteza Boa
Quanto Canta Seriemas
Dourados Sobem Correntes
Vão Em Busca Das Nascentes
No Ciclo Da Piracema
Parte
III
Compassos, Rodas, Balanços
E O Terreiros Pra Dançar,
Lavrar, Semear E O Descanso
Colher, Viver E Cantar....
Vozes tristes / De quilombos
Cantigas De Antigas Heras
Sanfonas, Violas / E Bombos
Nas Margens Longas Esperas
*As relações do
homem ribeiro com o alto Camaquã, lavouras, plantio, colheitas, a natureza, a
pesca o folclore, as cantigas, trabalhos e folguedos...!!!
28. VENTO POPA / PROA MAR 04
Autor: Otacílio
Quando saio mar a fora
Me dói ver ela ficando
Eu Levo a vida partindo
E ela a vida esperando
Quando chego dos confins
No seus Braços peço auxilio
Eu traga a vida pra ela
E ela a vida pros filhos
Assim a finco suando
Deste jeito vamos indo
As vezes nos confundindo
Em outras nos apartando
Os filhos vão nos surgindo
Nosso barraco apertando
De vez em quando Nós rindo
E Vez Por Outra Penando
Parte II / 04
Vamos juntos insistindo
Velhos Crianças e moços
Num Dia as águas se abrindo
Noutro fechando o mar grosso
Pano De Proa Rasgando
Motor de Centro Batendo
A Velha Tralha Em Remendos
O Velho Bote Encalhando
Entre sonhos de menino
Teço redes a pensar
Embrenhado no destino
De pescar e navegar
Navegando amiúde
Vento popa proa mar
Eu peço a deus por saúde
E O Resto A Lagoa dá.
*Drama Social de uma família pesqueira pobre que vivia em um barraco na
vila dos pescadores em Tápes. Tinha seu próprio barco e equipamento de pasca,
mas tudo era precário.
29. OLEGÁRIO 11
Autor: Otacílio
Vai Olegário
Arquejando pelas sombras
Vem de rota perdidas
Sem rumo remos e velas
Vai Olegário
Malhas de redes no rosto
Escamas e barbatanas nas mãos
Transas e amarras no andar
Fisgadas de anzóis no coração
Vai Olegário...!
Vai Olegário
Arquejando pelas sombras
Vem de rotas perdidas
Sem rumos remos e velas
Vai Olegário
Ondas de mortes no corpo
Marés de angústias abordando o leito
Junto a velha companheira
Quem lhe esquenta e Afomenta o peito
Vai Olegário...
Quem há de um dia pescar
Por onde estes braços pescaram
Quem haverá de Olhar
Paisagens que estes olhos olharam
*Velho pescador (O Gringo), que viveu por longos anos morando longe de
tudo e de todos, e seus últimos anos morou com uma artista de circo aposentada.
Segundo o Filósofo Pedro Ivo Dapper, que viveu por mais de 2 anos na Vila dos
pescadores em Tapes, Olegário foi mestre na pescara do linguado: sabia como
ninguém segundo a disposição dos ventos, do tempo, como onde e quando aramar
uma rede para pescar principalmente o linguado. Há uma outra música que
fala de sua reconhecida perícia...!!!
Gringo E Levina
Autores: Pedro Ivo e Otacilio
Mestre Em Lançar As Redes
Sob A Armado Do Tempo
Sabia Escolher O Vento
Pra Cada Espécie De Peixe
Canoa Pequena Nas Ondas
Vai Abrindo Os Mananciais
Rema Em Pé Quase Corcunda
Em Capa Preta Entre Os Juncais
Oitenta Anos Não Faz Mais
É A Sombra De Si Mesmo
Seu Passado É Um Abismo
Seu Presente É O Velho Caís
Sua Morada É Um Jardim
Que Ele Ergueu Sobre Um Deserto
Cuidando Tudo De Perto
Regando, Adubando Em Fim
Entre O Bosque Um Barracão...
E Ramadas A Mão Cheia
Ondas Batendo Na Areia
Vento Assoviando No Oitão
Chuva Cantando Nas Telhas
Uma Cantiga De Ninar
Cada Nota Uma Centelha
Pra Gringo E Levina Sonhar
E Levina, Bem “Sedim”
Em Suas Tarefas Do Dia
Atendendo A Freguesia
Pastéis, Cocadas, Quindins
Um Guardanapo Branquinho
Sexto De Vime Nas Mãos
Nos Olhos Brilha O Coração
E Nas Palavras O Carinho
30. BARCO SEM PORTO 12
Autor: Cláudio Garcia
Se foi o barco
Com as esperanças
Foram se as redes
E o madrugador
Qual barco sem Leme
Igual pano sem tralha
Em caminhos de ondas
De ventos de solidão
Naufrago Proeiro
De um barco pequeno
Em tantas distancias
De um porto Ilusão
Adeus as Águas
Turvas lembranças
Olho mareado
Do navegador
Qual barco sem Leme
Igual pano sem tralha
Em caminhos de ondas
De ventos de solidão
Naufrago Proeiro
De um barco pequeno
Em tantas distancias
De um porto Ilusão
31. O "SOLEIRO" 05
Autor: Otacílio
Madrugada o Soleiro
Pega a encilha no paiol
Poe o baio Na estrada
E parte em busca do sol
Não tem chuva nem geada
Nem assombro que apareça
Depende desta jornada
Para que o dia amanheça
O baio atravessa a noite
Nas veredas campo fora
No infindável trabalho
De buscar o sol na aurora
Na garupeira a bagagem
Laço certeiro nos tentos
Pala abanando na aragem
Rabo da Vincha ao vento
Logo Atrás do horizonte
Se esconde o sol na alvorada
Sentindo apontar os raios
As mãos prontas na armada
Rodeia o quatorze braça
Lance de saber profundo.
Levanta o sol da alvorada.
E o dia Clareia mundo.
Retornando para a aldeia
Trazendo o sol no laço
Entrega pra Sua Bela
E Dela Ganha Um Abraço
O Sol É Uma Pandorga
Nas Mãos O Laço Uma Linha
Com Presilha Bem Seguras
Pra Poder Manter O Dia
Quando Chega A Tardinha
Todos querem descansar
A Noitinha Vai Descendo
E O Sol É Solto para entrar
*Crendice Popular Dos Belendregues: um povo que vivia nas matarias do
Alto-Camaquã. Acreditavam que se alguém da Aldeia não partice de madrugada para
buscar o sol, a alvorada não aconteceria e o dia não iria amanhecer.
32. ALBARDÃO 09
Autor: Otacílio
A noite desce serena /
Sob o clarão do luar
Sinto cheira de açucena /
Meu bem está pra chegar
Estrela d´alva apontada /
Brilha qual o teu olhar
Qual mãe D’água Iluminada /
Pela noite a levitar
Sou Garimpeiro de sonhos
Sou madrugador Atento
Chuva de estrelas caiu
Na praia do Pensamento
Sou Contador de estrelas
Do Farol do Albardão
Há Noites que as vezes caem
Estrelas para encher as mãos
Garimpei fazendo contas /
Estrelas pra este, pra aquela
As mãos cheias contra o peito /
A mais linda; é só para ela
Ponteio a viola rasa
Com sentimento profundo
E canto a moda da casa
O Sofrimento do Mundo
Parte II / 09
Voou uma pena das pontas /
Das asas do Minuano
Que pousou assobiando /
Na noite que já desponta
Braseiro brilha ardendo /
Aquecendo a solidão
La fora o vento Gemendo /
Parece uma assombração
Sou Garimpeiro de sonhos
Sou madrugador Atento
Chuva de estrelas caiu
Na praia do Pensamento
Sou Contador de estrelas /
Do Farol do Albardão
Há noites que as vezes caem /
Estrelas para encher as mãos
Garimpei fazendo contas /
Estrelas pra este, pra aquela
As mãos cheias contra o peito /
A mais linda; é só para ela
Ponteio a viola rasa
Com sentimento profundo
E canto a moda da casa
O Sofrimento do Mundo
*Albardão: Faixa de terra entre a lagoa
Da Mangueira e o Oceano Atlântico que se estende em direção ao Chuí ...Farol
Localizado Nessa faixa de terra. Faroleiro do Albardão.
33. BAILARINOS DE ÁGUAS E VENTOS
15
Autores: Cláudio, Linch e Otacílio
Ventania
Gira Sol
Mato Preto
Graxaim
Barba Negra Curral Velho
Vitoriano Zé Martim
Bailarino Conquistador
Rumo a Tuneiras e Desertor
Milionário Prosperador
Na Barra Falsa e no Barquinho
Sonho de Ouro e Pereré
Na Flor da Praia Arambaré
Capivaras
Bujurú
Gavião Negro
Tatuí
Calafate Camaquã
Canal Novo e Lami
Dançarino imperador
Rumo a Quilombo e Varalzinho
Milionário Prosperador
Na Barra falça e no Barquinho
Sonho de Ouro e Pereré
Na Flor da Praia Arambaré
34. OLHO GATEADO 21
Autores: Cláudio, Linch e Otacílio
O sol
Lambe
Manso
O silencio
A manhã
O olho
Gateado
Grelado
A espreita
Do peso
Subindo
O olho
Grudado
A mão
Extraindo
Parte II / 21
O sol
Lambe
Manso
A água
O bote
O olho
Calado
Cansado
O Lombo
Da onda
Dançando
O Brilho
Dourado
Do Dia
Clareando.
35. RIO CAMAQUÃ 24
Autor: Otacílio
Rio Camaquã
Rio dos quatro costados
Me perco nas tuas curvas
Girando em redemoinhos
Me solto nos teus remansos
Dou costa do outro lado
Teus nativos navegando
Vam remando tuas canoas
Vai Cristalino em tuas águas
Levando o céu no te um leito
Vai refletindo tuas matas
Campos plantações e gados
Vai Encaixado em tuas barrancas
Vai brilhando os teus dourados
Uh Uh Uh ....
Rio Camaquã
Rio dos Quatro costados
Pousa um sábia te canta
Voa um Bem te vi te avista
A garça branca te encanta
A ciriema te grita
Carrega espumas nas águas
Com flores de corticeira
Parte II / 24
Vai desenhando em tuas areias
Juntando os teus caramujos
Vai esculpindo tuas ilhas
Vai a lapidar os teus seixos
Vai entalhando os teus caminhos (tuas veredas)
Vai corredeiras a baixo
Rio Camaquã
Rio dos quatro costados
Um quero quero te alerta
Do alto uma tarrã te guarda
Águas vazantes te acalma
Águas de enchentes te excita
Em mim derrama tuas queixas
Minha melodia te escuta...
36. A FOTÓGRAFA
Autor: Otacílio
O Meu Amor
Foi Buscar O Sol
As Cores Das manhãs
Os Seu Pezinhos Na Areia
As Ondas Beijam Seus Rastros
O Vento Canta Pra Ela
Sussurros, Segredos, Murmúrios, Desejos.
A Brisa Nos Teus Cabelos
O Teu Sorriso Em Apelos
O Teu Olhar Em Desvelos
A Tua Trilha Em
Novelos...!!! Amor....!!! Amor...!!! ...!!!!
Parte II
O Meu Amor
Foi Buscar O Sol
As Luzis Das Manhãs
O Sol É Um Deus Em Diamante
Num Halo E Cores Vibrantes
Vem Pra Se Encontrar Com Ela
Faz Lume, Sublime, (Princesa), Grandeza,
No Céu Pintou Um Arco Iris
E Coloriu Tuas Iris
Por Onde Tu Queres Ir
Em Outro Mar Residir
Se Aventurar, Descobrir....!!!!
Parar, Olhar E Curtir
Sonhar, Fazer (E Sorrir), .
Brincar, Pintar Colorir...!!!
Dizer, Indagar, Ouvir
Dançar, Cantar E Existir
Eu
Vou...!!! .Eu Vou...!!! Eu Vou....!!!! Eu Vou...!!! Amor...!!! Amor...!!!
Amor...!!!
*Esta Letra Tem
Como inspiração e, como musa, uma arquiteta paisagista profissional e fotógrafa
amadora, amiga minha, que faz um trabalho fotográfico sobre a Lagoa dos Patos
há anos...!!! Pedi Permissão a ela para chama-la de meu amor, por questão
estética literária...!!!
37. ALTO CAMAQUÃ (Tomos IV)
Autores: Airton e Otacílio
Paredões barrancas matas
Cascatas e Afluentes
Entalhes de vento e águas
Doces e Bravas correntes
Esculturas nos lajeados
Águas se abrindo na proa
Corre o rio emparedado
Murmura, Borbulha E Troa
Pescador Volto Povo
Cansado Da Alegoria
Esperando Um Novo Dia
Louco Pra Cansar De Novo
As Plantações Apendoam
Crescem Em Solo Virado
Milhos Louros No Roçados
Cozinhas Cheirando Á Broas
Sangas córregos e fontes
De águas puras cristalinas
Em azul de turmalina
Formam
as tuas vertentes
Aberturas E Clareiras
Praias De Areias E Montes
Corre O Rio Pro Horizonte
Rochedos Várzeas Costeiras ( Ribeiras)
A Canoa Deslizando
A Piracema Presente
Sob As Águas Transparentes
Os Peixes Livres Nadando
O Passaredo
Cantando
Primavera Aos Rebentos
Pólen Semeados Aos Ventos
As Abelhas Trabalhando
*Esta Letra é de uma época em que, o Airton
mandava-me material literário e fotográfico sobre o Rio Camaquã, para que eu
transformasse em música e versos . Trata-se de uma descrição do alto Camaquã,
geográfica paisagística e humana...!!!
38. ENTRE AS ÁGUAS 19
Autores: Cláudio e Otacílio
Na enseada do rincão
Quando maio aparecia
Pelas frestas do Galpão
Junho já se pressentia
Gente colorindo os campos
Colheitas nos cebolais
Brisa assoviando nas dunas
Ondulando os arrozais
Branca areia terra boa
Preto Barro pantanal
Claros olhos corpos pardos
Águas doces / Ondas e sal
Corações temperados
Cheiro de mar gosto de Sol
Verões de amores n’areia
Flertes banhos no pontal
Ao Partir dão-se as mãos
Enlaçam-se aos abraços
E o beijo cai no compasso
Balanço do coração
Parte II / 19
Réstias trançadas nas mãos
Peixes frutos maresias
Barco redes cais e porto
Mar-revolto Calmarias
Lindas Nativas, Trigueiras
Casadouras suspirando
Os seus bravos marinheiros
Pro alto mar embarcando
De mãos dadas a até o porto
Confundidos pela dor
Eles voam olhar longe
Preso solto sonhador
Elas ardentes risos sábios
Peito perto puro amor
E vão murando a os lábios
Versos d´agua mares em flor
Ao partir dão-se as mãos
Enlaçam-se aos abraços
E o beijo cai no compasso
Balanço do coração
*Descrição da vida cotidiana agro pesqueira
da região de Tavares, Bujurú, Rincão e São José do Norte. Os jovens partindo
para trabalhar no mar em navios no porto de Rio Grande, despedindo-se das
meninas nas estações locais, e cais de pequenos portos costeiro...
39. GURIZITO
Autores: Cláudio e Zé Claudio (1971)
Gurizito te garanto
Homem grande parece
As calças remangadas
Nos joelhos remendos
Pra canga
A boiada trazendo
Com passos firmes
Tocando a quarteada
O Arroz No Cacho
Em Fechos nas carreteadas
Teu grito é decidido
Teu olhar é muito duro
Gurizito te asseguro
Não vives qual um Menino
O teu andar tem destino
Mas teu pensamento é puro
Gurizito te asseguro
Não vives qual um menino
Nunca soube o que é brincar
Tua vida é trabalhar
Trabalhar é tua vida
Nunca soube o que é brincar
Parte II /20
Gurizito te garanto
Homem grande parece
Os pés descalço
Quebrando a geada
Queixo tremendo
A mão preparada
As mangas regaçadas
O corpo sofrendo
No duro corte
Do Arrozal que vai colhendo
Teu grito é decidido
Teu olhar é muito duro
Gurizito te asseguro
Não vives qual um Menino
O teu andar tem destino
Mas teu pensamento é puro
Gurizito te asseguro
Não vives qual um menino
Nunca soube o que é brincar
Tua vida é trabalhar
Trabalhar é tua vida
Nunca soube o que é brincar
*O Cláudio e o Zé Claudio fazem uma incursão
literária musical ao trabalho infantil nas lavouras de arroz (cujo eles mesmo
foram vítimas) , comum nos tempos antigos, e até mesmo recentes...!!!
40. LAMBARI
Autor: (Minha)
Calça curta rosto trigueiro
Isca boa no samburá
Caniço e anzol lagoeiro
Guri por aí vai pescar
A linha correu lambari bicou
A boia afundou caniço a vergar
O anzol fisgou guri a puxar
Lambari ficou na água
A linha correu lambari bicou
A boia afundou caniço a vergar
O anzol fisgou guri a puxar
Lambari saltou pra terra
Boné virado olho matreiro
Pés descalço pisando a areia
Caniço e anzol lagoeiro
Guri por aí vai pescar
A linha correu lambari bicou
A boia afundou caniço a vergar
O anzol fisgou guri a puxar
Lambari ficou na sanga
A linha correu lambari bicou
A boia afundou caniço a vergar
O anzol fisgou guri a puxar
Lambari saltou pra terra
*O Menino costeiro peralta, que já vai pescar
sozinho nas sangas e, o primeiro peixe que ainda pequenino puxou das
águas...!!!
41. BARQUINHO DE LATA
Autor: (Minha) (Inspirado Em Tema De
Pedro Ivo Dapper)
O cordão rebentou, ai...!
Estou aqui sozinho
Meu Deus Não sei nadar
Desprendeu meu barquinho
Meu barquinho de lata
Que eu ganhei pra brincar
Um Repuxo Bateu
Meu barquinho Colheu
E Eu Não Pude Alcançar
Vai Subindo As Ondas
Vai Descendo As Vagas
Já Não Pode Voltar
Meu Barquinho A Deriva
Vai Nas Correntes Vivas
E Eu Soluço A Chorar
Alguém pra me ajudar aí...!
Estou aqui sozinho
De A mão pra Buscar
Desprendeu meu barquinho
Meu barquinho de lata
Que eu ganhei pra brincar
Vento terra Soprou
Meu Barquinho Levou
Eu não pude alcançar
Vai Subindo As Ondas
Vai Descendo As Vagas
Já Não Pode Voltar
Meu Barquinho À Deriva
Vai Nas Correntes Vivas
E Eu Soluço A Chorar
*Escrito, em 1991, para compor à parte
infantil do Estações Das Águas.
Pedro
Ivo Dapper, percursionista dos Tápes, Já tinha escrito um texto sobre este
brinquedo infantil que (centrado no feitio), os pais na época faziam de latas
de azeite para os meninos brincarem à beira da lagoa, puxando com um
cordão...!!! Aqui, resolvi , não sei por que razão, dar uma conotação um pouco
dramática, acho que, para enfatizar os elementos como Vento-Terra, o Repuxo, as
vagas, as Ondas, as correntes e, as relações (qual uma pintura poética), do
menininho que se encontra só a beira da lagoa, lutando com estes elementos que,
indiferentes ao seu sofrimento, lhe roubam o barquinho.....!!
42. O LENHADOR
Autor: Otacilio
A balsa desse pesada / Leva Madeira de lei
Das
matas do Camaquã / Pra alguém ter vida de rei
Cada tora que Derrubada / Doe em Lúcio o lenhador
No rancho lhe esperando / Três filhos e o seu
amor
Sua razão inocente / Não Tem Perguntas, nem respostas
Só sabe que sente, o que sente / Na Imposição que não gosta
Ganhando a vida no braço / Na roça não Teve
enxada
No campo não sobrou laço / Na Povo/ não Achou
nada
AS mãos fortes calejadas / Feita Ao peso do
trabalho
Afiou o seu machado / E na miséria deu um talho
A balsa segue serena / Nas curvas do Camaquã
Perfumando suas penas / Cedro, Angico e
Tarumã
Saudade lhe fez doente / O peito Arde em
brasa
Cuidados com sua gente / Precisa rever sua
casa
Parte II / 07
Não compreende o que se passa / Vai sofrendo
o tempo todo
Não confessa suas mágoas / Para não se passar
por Tolo
Longe de tudo e de todos / A noite dorme ao
relento
Cozinha em fogo de chão / Café de chaleira a
o vento
Não Lhe Sobrou horizontes / Só vê o mato
fechado
Abre caminho pras fontes / Clareiras com seu
machado
O Chefe quer resultado / O patrão pagando
pouco
Mas pra quem arca os pecados / Muito vale
alguns trocos
De sol a sol eito a eito / Não tem dia não
tem hora
Nem descanso nem direitos / Se adoece, mandam embora
Então pensa o que se passa
/ Vê o corte, Ouve o tombo
Os Olhos Choram A devassa / Ouvidos Tremem Com Estrondos|
Não Se Põe
Indiferente / Mas Só lhe sobrou esta lavra
Precisa mudar
de oriente / A Visão Lhe Queima Em Brasas...
Moço bravo e de respeito / Olhos Brando,
Jeito Franco
A Barba descendo ao peito / Cabelos abaixo dos ombros
*Depoimento de um
velho pescador que foi lenhador, e trabalhou na década de 60 nas matarias do
Camaquã...!!!
43. DESERTOR 10
Autores: Silvio Rebello e Otacílio
Vento Velas Bordejar
Gaivotar Neste Mar
Barco Leve Sorrateiro
Proa Forte Rota Firme
Um Pontal De Areias Brancas
Fim De Tarde Desertor
Sombra e Nuvem Traiçoeira
Rastejante Derradeira
Tripulante Combatente
Extasiado, Louca Intrusa
Que Truncou A Rota
E Destroçou O Sonho
Rumando Pro Outro Lado
Vento Em Popa, Vento Ao Largo
Bate As Ondas Encrespadas
Orçando A Rota Aproada
O Barco Buscando Abrigo
Ponta Do Birú) Na Alçada
*Aconteceu de uma navegada com destino ao rio
Camaquã; um temporal nos pegou, acampados no pontal do Desertor, para
passar o dia e no dia seguinte seguir adiante. Decidimos mudar a rota para o
outro lado; o pontal de Tápes.
44. COREOLANO E
OS TRÊS
PROEIROS
A leste do Mar de Dentro
Um Mormaço a sufocar
Um dia fora do tempo
Homens precisam Zarpar
É O fruto acumulado
De um trabalho penado
Pagar credor ao dobrado
E o patrão a esperar
A Oeste nuvens estranhas
Na linha do horizonte
Uma ameaça no fronte
Homens precisam zarpar
Entre preservar a vida
E por em risco o trabalho
Entre preservar o trabalho
E por em risco a vida
Foi então que decidiram
O trabalho vale mais
E o barco então Zarpou
Deixa o chão firme prá "trás"
Vence a linha do horizonte
Quem ficou já não vê mais
E o Barco então Zarpou
Em busca do velho cais
Surgem Nuvens e relâmpagos
Mar revolto, e o barco vai /
E o barco então Zarpou
Pra nunca mais.
*Naufragio que vitimou 4 pescadores que, para não perder o produto da
pesca, arriscaram – com tempo rim; mormaço em pleno inverno; prenuncio de
tempestade - a travessia de 70 quilômetros de água entre a costa leste e a
costa oeste da Lagoa dos Patos..
45.
GRINGO E LEVINA
Autores:
Pedro Dapper e Otacilio
Mestre Em Lançar As Redes
Sob As Armadas Do Tempo
Sabia Escolher O Vento
Pra Cada Espécie De Peixe
Canoa Curvando Às Ondas
Inverno Nos Mananciais
Rema Em Pé Quase Corcunda
Capa Preta Entre Os Juncais
Oitent'Anos Não Faz Mais
É Uma Sombra Em Si Mesmo
Seu Passado É Um Abismo
Seu Presente Ronda O Caís
Sua Morada É Um Oasis
Que Ele Ergueu Sobre Um Deserto
Cuidando Tudo De Perto
Regando Plantas, Folhagens
Entre O Bosque O Barracão...
E Ramadas A Mão Cheia
Murmurio De Ondas Na Areia
Vento Assoviando No Oitão
Chuva Cantando Nas
Telhas
Uma Canção De Ninar
Cada Nota Uma Centelha:
Gringo E Levina A Sonhar
E Levina, Por Sua Vez
Vai A Circos No Passado
Rememora Seu Legado
Palcos E Cenas Que Fez
Se Levanta Bem “Sedim”
Em Suas Tarefas Do Dia
Percorrendo A Freguesia
Pastéis, Cocadas, Quindins...!!!
Um Guardanapo Branquinho
Sexto De Vime Nas Mãos
No Olhar O Coração
Nas Palavras O Carinho
E A Alegria De Viver
De Contar, Rememorar
Atriz Mambembe A Sonhar
E O Presente Pra Fazer.
*Casal Da Vila
Dos Pescadores, formado por um Pescador e uma artista de Circo, que já velhos se conheceram, se acertaram e moraram juntos, em um oásis que criaram
sobre as areias, até o fim de suas
vidas.
PASSO DO MENDONÇA
(Baixo Camaquã) Anos 60
Da Altura do Cristal
Da boa vista da ponte
Pro estaleiro do Seival
Cresce um mar pro Sol Nascente
No inverno é um rio furioso
Dos montes desse Violento
Desde o Passo Do Mendonça
Se expande com forme o tempo
Campos a perder de vista
Que o Rio encobre espraiado
É a estação das enchentes
É o Horizonte Inundado
Flui, em um mar Sazonal
Sem divisas, nem amarras
Se estendendo em Manancial
Do Mendonça até a Barra
Verões e media estações
Homem de saber ribeiro
Roças de subsistências
Um casebre hospitaleiro
Mulheres Cultivam Hortas
Crianças Correm Brincando
Cavalos Bebendo às Margens
Um Canoeiro Remando
Parte II
Heranças e oligarquias
Campos Senhores Feudais
Peonadas e arrendatários
Gados Sojas e Arrozais
Pobreza que se espalha:
Ribeiras e Afluentes
O Rio correndo na calha
Dá sustento a esta gente
Quantas travessias n'águas
Vidas humanas vencidas
Embates de lança e balas
Fronteiras ganhas, perdidas
Foi Divisa Cisplatina
Duas linguagens madrastas
Que vieram fazer pilhagens
E Arrasar terras e raças
Carvoeiros e Olarias
Celeiros ...e Oficinas
Bolichos e Ferrarias
Cancha Retas E Cantinas
Barracos nos corredores
Vilarejos e agregados
Rodeios De Laçadores
Capatazes, Peões Montados
Bois De Kamgas Lavradores
Semeadores Chão Plantado
Fazendeiros E Senhores
Confundindo Gente E Gado
(
JUNQUEIRO)
PESCADOR PRAIEIRO
O Remo Longo Taquaruçú
Cutuca O Leito Toca A Canoa
Abrindo Junco Beirando As Croas
Buscando O Rumo De Turuçú
Chuva Guasqueada Capa Voando
Chapéu De Palha Quebrando A Vista
Descendo Cavas Subindo As Cristas
Conhece As Curvas Segue Remando
Rema Assobiando, Voa Em Laurel
Buscando Encostas Aponta A Canoa
E Rema Então De Costas Pra Proa
E Com Sapiência Estende O Espinhel
Então Rodando A Linha De Fundo
Sabendo Onde Quer Alcançar
E Qual O Peixe Que Quer Pegar
Fisga E Mostra Ele Pro Mundo
Remada Longa Requer Remaanso
Uma Revessa Pra Acampar
Uma Fogueira Num Bom Lugar
E Boia Boa Para O Descanso
Peixe Na Tábua Do Escalador
Limpa Aciona A Banha Primeiro
Tainha Em Posta Sal E Tempero
Prepara o arroz De Pescador:
Banha Tirada Do Próprio Peixe
Panela Boa Pra Não Grudar
Mexe Dourando Pra Lá E Pra Cá
Arroz E Água E Põe Pra Ferver.
Vento Tocado Do
Turucú
Onda Batendo Empurra
A Proa
O Tempo Armado Um
Trovão Troa
Busca Os Abrigo Em Bujurú
Lembra Mistérios E Asombração
O Boi Tátá e A mâe Do Ouro
As Velhas Lendas Bola De Fogo
E Outras Histórias La Do Fundão
Levanta Sedo Rechega A Lenha
Sopra O braseiro Volta A Fogueira
E Faz Um Bom
Café De Chaleira
Arruma As Tralhas Pra Regressar.
Nenhum comentário:
Postar um comentário