segunda-feira, 22 de setembro de 2025

Estações das Águas

 

 

 

Lagoa do Sol

 

  


Estações das Águas

Contexto e Projeção

 

O projeto "Estações das Águas" configura-se como uma iniciativa musical-literária concebida pelo grupo OsTápes. Este empreendimento reúne composições de Cláudio Garcia, Silvio Rebello, Airton Madeira, Waldir Garcia, Ronaldo Link e Otacílio Meirelles, com uma parcela significativa das obras datando da década de 1970. A inviabilidade inicial – por vários motivos – para sua concretização resultou na incorporação de novas canções ao repertório sobre o tema, que foi apresentado em várias cidades gaúchas ao longo das décadas de 1980 e 1990.

A gênese de "Estações das Águas" inicia-se com empreendimentos de viagens em pesquisa de campo em busca de entender este universo cultural e, por isso, reside em uma preocupação preexistente dos Tapes, reconhecido como um grupo nativista de projeção latino-americana (a obra nasceu principalmente do convívio cotidiano com pescadores da Lagoa dos Patos, exatamente porque o galpão de ensaio dos Tapes localizava-se na vila dos pescadores, junto à lagoa).

Originalmente concebido para descrever o universo costeiro gaúcho, o projeto assumiu, contemporaneamente, a função de resgate de um vasto acervo de músicas e letras previamente não publicadas. Apesar de algumas dessas composições serem conhecidas por colaboradores próximos, elas não foram incluídas em gravações anteriores. Outras, devido à riqueza e extensão do repertório, não foram apresentadas ao público por limitações de tempo e espaço. A totalidade dessas criações literário-musicais integra um corpo expressivo que versa sobre a paisagem geográfica e humana da Lagoa dos Patos. A principal abordagem temática reside na linguagem (caracterizada pelo linguajar costeiro gaúcho, que confere uma identidade singular ao indivíduo local e diverge do linguajar campeiro dos habitantes do interior do Rio Grande do Sul), nos costumes e na cultura local de cotidiano, deslocamento, convívio e trabalho.

Ao longo de seu desenvolvimento de criação, a maioria das canções eram progressivamente apresentadas em palcos, resultando em um volume considerável de material que, em sua maioria — por motivo de tempo e espaço —, permaneceu inédito ao público em geral.

Atualmente, décadas após sua concepção inicial, empreende-se a organização, seleção, revisão e preparação desse acervo. Embora o formato de sua futura publicação ainda não esteja definido, o objetivo primordial é disseminar essa obra literário-musical para o conhecimento público em salas e teatros.


 

 

 

 

DE AMORES

Otacílio Meirelles

A onda rolou dançou
Com meu amor eu rodei
A maré subiu baixou
Nos teus braços naveguei

O sol nasceu clareou
Nos teus olhos eu me vi
A bruma abriu fechou
Na tua mão me perdi

Vento veio assobiou
De alegria eu cantei
A chuva caiu molhou
No teu corpo naufraguei

A lua cresceu minguou
No teu peito eu dormi
A brisa gemeu chorou
De amores eu morri



 

TEUS OLHOS

 

Olhos longe horizontes
Barcos velas seguem orças
A bombordo a boreste
Nos teus olhos meu amor

Águas doces cristalinas
As verdes águas salinas
Nos teus olhos de menina

Lua nova lua cheia
Faz ressaca faz marés
Nos teus olhos de mulher

Olhos longe horizontes
Barcos velas sotavento
Vento largo barlavento
Nos teus olhos meu amor


 

 

Brisa mansa vento bravo
Praia à dentro praia à fora
Nos teus olhos de senhora

Mar fechado mar aberto
Bate as ondas vão-se as vagas
Nos teus olhos rasos d’água

Olhos longe horizontes
Barcos velas cruzam nuvens
Vão zarpando aportando
Nos teus olhos meu amor

Luz de estrelas paz de auroras
Céu turquesa sol brilhante
Nos teus olhos de amante

Noites claras noites turvas
Calmarias tempestades
Nos teus olhos de saudades

 


Pé Ponta Popa Proa

Otacílio Lopes Meirelles

De ponta a proa atacou / Do barco saltei
Embaixo o casco encalhou / Num banco de areia
No pé a popa dançou / Com o remo calcei                                   Puxei balancei afrouxei / Tirei com uma cava e meia
Soltei o cabo ancorei / A bordo esperei maré cheia

As minhas redes soltei / Entre mantas de paixão                    Malhas finas feiticeiras / Transpassadas de ilusão
De saudades eu malhei / Desenganos sei que não
Tinha pontos de amor / Enredei um coração

 

Linha de fundo atirei / No anzol tinha uma flor
Eu com carinho isquei /  Com ternura ele pegou
No pé com calma tenteei / Na ponta correu levou
Uma sereia fez ondas / Nas croas do desertor

 

 

 

 

Gaivota um peixe pescou / Levou pra areia
Corvina correu entrou / Lagoa tá cheia
Biguá mergulhou voou / Tainha prateira
A bóia subiu baixou / Peixe bateu na parelha
Rebojo redemoinhou / Arrastando nuvens feias

A proa abrindo ondas / Na popa o vento rasgado
O barco buscando o porto / Entre o tempo                 carregado
Trovões rugindo ao longe / Nuvem negra céu fechado
Relâmpago no horizonte / Em frente o mar encrespado

E assim nas ondas vou solto / Deslizando as águas
Saudades que junto eu levo / Dos portos que passo
No peito amores perdidos / Amores roubados
Nos olhos fisgas de olhares / Malhas de abraços no braço


 

 

 

 



PERGUNTAS

Um dia me perguntei
Porque ser eu pescador
Se sina de pai pra filho
Se de Deus nosso senhor

Procurei na estrela mais bela
Na figueira mais antiga
Nas areias brancas da praia
Nos versos de todas as cantigas

O vento mudou de rumo
O peixe voltou pro mar
O barco virou carcaça
E eu sempre a me perguntar


 

 

 

 

 

DANÇA NO TERREIRO

As ondas rolam mansas / Na cadência da sua dança
O gingado e o balanço dela / O vento é um apelo
Desprende os seus cabelos / Levanta a saia dela

Sanfona viola pandeiro / E dueto de voz afinada
A dança no terreiro / Os pares se roçando enlaçados
Abraços juras beijos / Meneios de coxas Gingados de ancas                                                                             A dança recua avança balança / Em noite de lua e estrelas

 

Morena me puxa me cerca / Chega mexendo a barriga

No enlace me encosta o peito / Na roda sacode o compasso

Desmancha o candombe em meus braços / Desabrochando em anseios

 

 

 

 

 

Morena maneira fagueira / Remexe embala Requebra as cadeiras /

 No achego no apego A pele o suor / O cheiro o gosto a quentura

Os corpos perdidos / As bocas se achando
O desejo o prazer a loucura / Os pares rondando
Sonhando vagando / Em noite de lua e estrelas

 

Morena vai e vem encosta / Faz voltas me pega me solta
Eu pego o seu rastro no passo / Rodeia me enleia se enrosca
Sussurra e diz que me gosta / Perdido me encontro
Em seus braços
E a noite vai serena / A lua cai na morena
Estrelas nos olhos dela /

Na sua ciranda tem manhas Devaneios nos seus braços / Enlaço a cintura dela


 

 

 

 

TROLHA (PIRACEMA)


O motor batendo
No bote o traquete
Vai estendendo um arco
O barco
De bom toso
Boca larga
Vem rangendo vem

Puxa a ponta
A trolha vem
Vem tremente vem
Vem cercando vem
Vem de arrasto vem
Vem chegando vem

Miragaia
Linguado badejo

 

Pampo caçonete tainha
Bagre guri
Camarão siri
Sardinha savelha corvina
Vem vem vem…

Voga mandim
Traíra viola
Cascote tambica piava
Papa-terra
Grumatã pintado
Peixe-rei dourado joana
Vem vem vem…

Vem chegando vem
Piracema
Vem chegando vem
Piracema
vem chegando vem
Piracema…

 

 

 


VERSOS DE ITAPUÃ A SÃO JOSÉ


Na corrida da tainha
Quando veio água do mar
Meu olho ficou pequeno
Pro peixe que eu vi matar

O siri mascou a rede
Na lagoa do barquinho
Quanto mais busco descanso
Mais trabalho em meu caminho

Por águas mandei recado
De Mostardas a Belém
Por águas me devolveram
As saudades de meu bem


 

 

Quando o bagre tá cambando
Os filhotes da lagoa
Pode ser que para o ano
A pesca volte a ser boa

A figueira criou barba
Os netos já são avô
E a cebola não deu preço
Pra quem nela trabalhou

O birú tá aprisionado
Nas grades da rede fina
Manduca caiu faceiro
Nas malhas da Carolina

 

 

 

 

 

 

 


ENTRE O MAR E O PAMPA

No ancoradouro                                                        Entre os juncais
Um olhar no amanhecer
Se estendeu brilhando
Nos verdes dos arrozais

Águas e campos                                                     Dumas e montes
Abrindo horizontes
Desvendou as nuvens
Desbravou os ventos

Buscou os remansos
Se entregou praia à fora
Misturou-se às ondas
Se perdeu nas auroras

Divisou as águas
Navegou as correntes
Demarcou as estrelas
Ancorou nas lonjuras


Cheiro das algas
Perfume dos pastos
Sentindo a vida
Escolheu encostas
Deitou junto a brisa

Nativo amante
Praia barco areal
Cantando na noite
Despertou a lua
Fez o sol chegar

Buscou os remansos
Se entregou praia afora
Misturou-se às ondas
Se perdeu nas auroras
Divisou as águas
Navegou as correntes
Demarcou as estrelas
Ancorou nas lonjuras


 


SINAIS

Ir lançar as redes
Cada vez mais lá
Sumir nas águas
Cada vez mais lá
Homens de olhos cansados
De singrar o mar

Ir a colher as redes
Cada vez mais lá
Nascer das águas
Cada vez mais lá
Homens de olhos cansados
Dos confins do mar

Todas as madrugadas
Nas noites turvas
Do ancoradouro
Estudam o tempo
O rolar das ondas
O rumo dos ventos


 

O aviso das nuvens
Os sinais das estrelas
Segredos e saber
Revelados na hora
De partir pro mar

Pode uma reviravolta
Turvar as águas
Apagar a vista
Desnortear a rota                                                             Agitar os ventos
Revoltar as ondas

Avariar o barco
Naufragar a volta
Fé e respeito
É sagrado na hora
De partir pro mar


 

 

 

 

 

 

DOR NO POEMA

Rebelde e cansado
Verso entranhado
Nas correntezas

Escorrem as águas
A viola rola nas manhãs
Os poemas aquecidos no sol
Ferem as noites
A lua as estrelas

Distante a rima que quero
O tom que procuro
A voz pra cantar

O verso navega
Em grande e esplêndida bacia

 

 

Que engolfa e jorra venenos                              Na margem no centro da vida

Distante o perfume das terras
Dos ventos das águas
O dom de voar

Escarros no encanto
Do canto
No verso machucado
Na dor da voz desafinada
As rimas nas correntes
Navegando

Em ondas mansas revoltas
Entre manchas vão soltas
Chorando a lagoa

 

 


FELICIA


Feliz Felícia
Forte Felícia
Frágil Felícia
Canta Felícia
Chora Felícia
Sonha Felícia
Vive Felícia

Bóia fria
Pau pra toda obra
Cerca viva
Rosa na janela

Meia-água
Parede e meia
Pés na areia
Mãos tecendo redes

 


Mãe de todos
Ombro pra chorar
Dedo em riste
Olho de rainha

Faz a lida
O peixe charqueado
Lava a roupa
Cuida a vida

 

 

 

 

 

 

 

 


VERÃO


Sussurros
Na imensidão das águas
Desenhos de algodão

Azul azul
A brisa a pele
Lábios cristais
Verão

Beijos quentes sol
Suores gosto sal
Cálices de mel
Brindes com o mar

Navegar navegar navegar


 

 

Murmúrios
Na amplidão dos olhos
Segredos da paixão

Azul azul
A brisa a pele
Lábios cristais
Verão

Beijos quentes sol
Suores gosto sal
Cálices de mel
Brindes com o mar

Navegar navegar navegar

 

 

  

 

 

 

Lagoa Do Sol 28

 

 

 

Rios Sangas

Caracóis Seixos

 

Nas Margens Ecoa

O Grito Do Jaçanã

O Canto Das Tarrãs

O Lamento Do Urutáu


Orquídias Figueiras

Cachos Butiazais

Recessacas Remenssos

Brisas Brumas


E Entre Espumas E Conchas

Águas Vazantes Enchentes

A Gaivota, Pousa... Voa...!

 

 

 

 

 

 

 

          Bancos Encostas

Pântanos Pontais


          Cercando As Ilhas

O Revoar Das Carças

O Pouso Dos Cisnes

O Rasante Dos Biguás

 

Cristalinas Vertentes

Palmas Coqueirais

Enseadas Areiais

Águas Pés Juncais


E Entre Ventos E Ondas

Praias Croas Correntes

A Gaivota, Pousa...Voa...!

 O Sol Durado, Levanta, Encanta

 

 

 

 

 

 

 

 Guayba

 

Navegando o Rio Guaíba,  

Ilhas, Morros, Casarios

Armazéns E Cais do Porto 

Na Paisagem, Grandes Navios

 

 Agressões Instituídas

 Sob Os Faróis Da Costeira

Impérios Ferem Tua Águas

Mancham Tua Brisa Praieira

 

Nas Veredas Pra Itapuã

A Luz Da Aurora Fascina

Desponta O Sol Na Manhã

E O Dia Azul Te Alucina

 

 

Canta E Decantam  As Tuas Margens,

Encantando As Almas Despreparadas,

Vão Apagando Do Espirito Crítico,

Tuas Águas Interditadas.

 

Usam Milhões Decorando Tua Orla

Com Monumentos  Pra Distrair  Tolos

Enquanto Lucram Bilhões Em Divisas

Vão Te Atolando No Lodo

 

Constroem Praças, Teatros, Mirantes

Passeios E Quadras De Esportes Ao Gosto...

Tem Passarelas Pra Andar Sobre Às Águas

Enquanto O Rio É Um Esgoto.

Anoiteço..., Velejando..., Amanheço...!

Parte II

Lembro  As Praias Do Guaíba

Os Teus Verões Coloridos

Multidões Povoando Areias

Visitantes Comovidos.

 

Hoje Tuas Praias Livres,

São Raras Águas Sazonais

E Escondem Tuas Praias Mortas

Qual As Quais Não Houvessem Jamais

 

Nas Veredas  Pra  Eldorado

O Por Do Sol Te Imanta

O Céu Todo Matizado

Em Multicores Te Encanta

 

 

Contrapartidas, Custos-Benefícios

Lucros-Malefícios,  Tratados Discretos...!!!

Enquanto  Agridem O Teu Corpo  Líquido

Vão Te Burlando Em Concreto...!!!

 

Doutos E Políticos Te Decretam (Um Lago),

Driblando Leis Em Lobbies E  Assédios,

Vão Fomentando O Monstro Imobiliário,

Pra Te Enterrar  Entre Os  Prédios...

 

Mordaças, Olhos Brancos, Ouvidos Moucos,

Caras De Paisagens E Vendilhões

Capachos Servis E Vis Mercenários

Te Inventariando Em Leilões...!!!

Anoiteço..., Velejando..., Amanheço...!!!

 

 

Nas Curvas Das Enseadas

(Camaquã Tomos V)

 

Descendo O Arroio Lindo

À Sombra Dos Ingasais

Passa Correntes Remansos

Entre Os Raios matinais

 

As Garças Brancas Esbeltas

Rubras Esguias Jaçanãs

Faz Barra O Camaquã

A Canoa Cruza O Delta

 

Refrão

Nas Curvas Das Enseadas

Vou E Volto Na Genoa

Vida DE Pescador Pobre

Pobre Mas De Vida Boa

 

Na Lagoa Eu Ganho As Vagas

Abre Uma Clareira O Mundo

Azul No Espelho Profundo

Unindo Os Céus E As Aguas

 

La Fora Eu Solto O Grito

Me Encontro Me Alço Voando

Navegando O Infinito

Eu Ganho Tempo Sonhando

 

 

 

 

 

Refrão:

Nas Curvas Das Enseadas

Vou E Volto Na Genoa

Vida De Pescador Pobre

Pobre Mas De Vida Boa

 

 

Em Busca De Uma Revessa

 Vou Deitar Acampamento

Fogo De Chão Ao Relento

A Lua Surgindo Inteira

 

As Três Marias Na Alçada

Chuvas De Estrelas Cadentes

A Boieira No Levante

O Sol Fazendo Alvoradas

 

Rede De Mão Repassada

Volto Pra casa Contente

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Mar De Dentro          03

 

                     

 

A costa toda deserta  /  O vento que nunca para

O sal salpicando as mãos  / O sol açoitando a cara

 

Habitantes reunidos  /  Nas casas e nos galpões

A reparar os seus corpos  / A remendar arrastões

 

 

Tem nativa na janela  /  Formosura  portuguesa

Índio guapo bom de cela  /  Mouro que conta proezas

 

Tem morena da Angola  /  Tem retinta da Guiné

Tem criolo bom de bola  /  Tem nego que diz no pé

 

 

 

Parte II / 03

 

Os povoados esparsos  /  Acomodados nas dunas

Casas de madeiras ralas  /  Carcaças cascos de escunas

 

Raras árvores para sombras  /  Cacimbas rasas pra cede

Junco batido é telha  /  Tábua De Nó é parede...

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Tem candombe no terreiro  /  Come e bebe no quintal

Festa para o orixá guerreiro  / Terno de reis no portal

 

Preto Velho pai de santo  /  No congá é batuqueiro

A Mãe Preta Canta  Pontos  /  Por negro e branco costeiro

 

 

 

Parte III / 03

 

Sol nascente, além mar  /  Poente, terras além

Doces águas em Belém  /  Em São José,  Lagamar

 

Se estende Os Casarios  /  Capelas, praças a o centro

As Ruas cercando a Barra  /  Deságua o Mar De dentro

 

 

Tem Da ilha da Madeira  /  Tem das Ilhas de açores

Benzedeiras e Parteiras  /  Artesões Navegadores

 

Carpinteiros e ferreiros  /  Portos cidades praianas

Armazéns e estaleiros  /  Embarcações Lusitanas

 

 

 

 

 

Defeso                06

(Minha)

 

 

Leste sopra de tufão /  Vai fechar a temporada

É o fim da estação / Enrola a tralha moçada

 

Que o mar não está pra peixe / Me contou uma Sereia

Quatro luas fora d água / De sol a sol na areia

 

Barco rolado pra terra / Pra obras no "Espraiado"

Ipê Roxo Nas Cavernas / Cedro Rosa nos costados

 

Pau ferro, Grápia, Taúba / Com Garapeira encaixados

Suporte e Banca bem forte / Motor de centro aprumado

 

 

Reservas De Um Santuário / Ambientes Confrontados

Mar De Dentro, Mar De Fora / Cambando De Lado A Lado

 

Verão queimando na areia   /  O trabalho vem dobrado

Redes tecidas às mãos /  Feitas Em Tipos Variados

 

A Deriva, Meia Água, De Fundo Em Pontos Laçados

Malhas finas , malhas grossas / Grades, Laços transpassados.

 

Defeso,  reprodução / Vidas, ciclos renovados

Chegando A Piracema / Entram Cardumes pesados

 

 

 

 

Parte II / 06

 

 

Vento Batendo na cara / Chuva Tocada guasqueando

Ultima viagem da safra / Sobe o peixe transbordando

 

Dou a largada para casa / Minha gente está esperando

Se o barco tivesse asas / Voltava agora voando

 

Barco rolado pra terra / Pra obras no Espraiado

Ipê Roxo Nas Cavernas / Cedro Rosa nos costados                          

               

Pau ferro Grápia, taúba / Com Garapeira encaixados

Suporte e Banca bem forte / Motor de centro aprumado

 

 

Madeira de lei Moldada / Metal em Bronze Forjado

Jamar Novinho em folha / Há muito tempo sonhado

 

Mastro Bom Feito Em Freijó  / No Istanhamento Amarrado

Pano Estendido, Retranca / Pro Vento Em Popa Tocado

 

Salvas vidas na espera / O convés bem preparado

Com tabuas de polegadas / E corrimão no tosado

 

Parelha Nova Zarpando / Proeiro bom no costado

Sinal de nova estação / Com cheiro bom de pescado

 

 

 

 

Minuano                 17

(Minha)

 

 

Vento Minuano / Um guerreiro

Não teve pai / E nem mãe

Chega vagueando / Nos pagos

Encorujando as manhãs

 

Nas previsões / Das chegadas

Vem e surpreende / O teatino

Montado ao próprio Destino

Sem Partidor ou parada

 

Voa Livre  / Vento bravo

Não Marca Noite /  Nem dia

Chega tropeando / A invernia

Atravessando os rincões

 

Chega assoviando de longe

A Paisagem  todo acena

Vem tilintando as chilenas

Brincando com os corações

 

E a serenata encantada

Invade as frestas dos galpões

 

 

 

 

 

 

 

 

Parte II / 17

 

Vento Minuano Qual Fantasma

A noite ronda os braseiros

Soprando treme o pago inteiro

Rugindo assombra as madrugadas

 

Gemendo Qual alma Penada

Entre paredes e telhados

Arpejando os alambrados

Canta e desnuda as ramadas

 

Voa Livre / Vento bravo

Não Marca Noite / E nem dia

Chega tropeando / A invernia

Atravessando os rincões

 

Chega assoviando de longe

O Paisagem  toda acena

Vem tilintando as chilenas

Brincando com os corações

 

 E A Serenata Encantada

Invade As Frestas Dos Galpões

 

 

 

 

Costa Brava            01

(Do Silvio Rebello E Minha)           

 

 

Doce Costa /  Brava Costa  / Costa Afora  , Sol Em Chamas

A Beleza Nas Paisagens /  Apaga a Trajetória Humana 

 

Monta E Laço  Pro  Campeiro / E O Gado No Matadouro

Tarefas De Saladeiro  /  Varais Frente O Ancoradouro

 

Olhos Banzos / Rios no rosto   /  Cruz Pesada / Pra levar

Braços Tesos / Canto rouco   /  Correntes / Para arrastar

 

Pés Leviano / Trilho Tosco   /   Lavrar, Plantar / E colher

Marcas No Peito / E No Dorso   /    Eirar, Debulhar / Moer

 

Mas Ninguém / Faz Cativo A  Memória  /  Têm  Histórias

Rodando os braseiros /

 

EO Feitio Dessa Nação nos braços /

Luz Do Conhecimento  Guerreiro?

E A Cultura  Em Alegoria /

Adentrou No Tambor Batuqueiro...!!!

 

Tamborim / Agogô / Xequerê / Cangerê /   Bambulá / 

Atabaque  / Birimbau / Bambaquerê /  Batucar /

Aiê... Aiê...AIê... Orum

 

 Ingomê /  Candonbe / Rocumbo / Catimbau / Caxanbú  /

Adjá  / Xiba  / Alujá / Axexê  /  Ginga / Lundu*/   

Aiê... Aiê...AIê... Orum...

 

Maçanbique /  /Muquá / Quicumbi / Kamba / Bangulê

Urucungo /    Marimbau / Maracatu / Bendenguê / 

Aiê... Aiê...AIê... Orum

 

Parte superior do formulárioParte II

Doce Costa  / Brava Costa,  /  Costa A Fora, Geadeiro/

Sangue, Suor E Trabalho / Pés Descalços Chão Praieiro

 

Mantas De Charques No Lombo  / Fardos Pro Navio Cargueiro

Charqueada Pesa Nos Ombros / Dia A Dia / Tempo Inteiro

 

Corpo Gasto / Fardo Grosso   / Lavouras / E Redondesas

Rastro fundo / Peso Morto  /  Desde a Terra / O pão na mesa

 

Grilhões para os  tornozelos /  Kanga De Ferro Nos Ombros

,Ferrolho,Tranca De, Senzalas, / Pra Não Fugir  pros  Quilombos

 

 Vieram Lendas Desde Ancestrais

 Da Mãe África Em Porões Tumbeiros...

 

Do Contrário Quem É Que Traria / O Som Desse Balanço Costeiro

Rituais Danças E Cantorias  / E Alegria A Girar Nos Terreiros 10:1

Jêguedê / Caxxixi / Jongo / Lê / Zabumba    / Ngungá   /  

  Imgomê / Candomblé / /Batuca / Tumbadora / Bamba /

Aiê... Aiê...AIê... Orum...

 

/Xaque - xaque  / Ijexá/ RIpinique  Caxinguelê (/  )

Afoxé - Quimbôto - / Xambá / Batá / Maculelê

- Aiê* ...!!!  Aiê... Aiê...Aiê... Orum

 

 Caribó,  Agê  / Bambá -   Birimbáu - Bongô -   - Djambê /-

Canzá -  Bombo -  Kisange - Hungu -  M’bolumbumba

- Aiê* ...!!!  Aiê... Aiê...Aiê... Orum...

 

 

 

Camaquã Tomos III

 

 

 

 

Cantando A Vida  Voa

Junto Ao Sol Abre As Manhãs

Serestas De Araquãs

Cravinas cantando à toa

 

Cascatas Caindo Em Chuvas

Ribeiras, Ramos Pendentes

Cachos De Amoras, E Uvas

Algazarra Nas Vertentes

 

 

Parte II

 

Perdizes Vão Mariscando

A Granada Das Milhãs

Perfume Dos Guatemãs

Rio De Correnteza Boa

 

Quanto Canta Seriemas

Dourados Sobem Correntes

Vão Em Busca Das Nascentes

No Ciclo Da Piracema

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Parte III

 

Compassos, Rodas, Balanços

E O Terreiros Pra Dançar,

Lavrar, Semear E O Descanso

Colher, Viver E Cantar....

 

Vozes tristes / De quilombos

Cantigas De Antigas Heras

Sanfonas, Violas / E Bombos

Nas Margens Longas Esperas

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Vento Popa / Proa Mar 04

 

 

 

Quando saio mar a fora

Me dói ver ela ficando

Eu Levo a vida partindo

E ela a vida esperando

 

Quando chego dos confins

No seus Braços peço auxilio

Eu traga a vida pra ela

E ela a vida pros filhos

 

Assim a finco suando

Deste jeito vamos indo

As vezes nos confundindo

Em outras nos apartando


Os filhos vão nos surgindo

Nosso barraco apertando

De vez em quando  Nós rindo

E Vez Por Outra Penando

 

 

 

 

 
Parte II / 04



Vamos juntos insistindo  

Velhos Crianças e moços

Num Dia as águas se abrindo

Noutro fechando o mar grosso

 

Pano  De Proa Rasgando

Motor de Centro Batendo

A Velha Tralha Em Remendos

O Velho Bote Encalhando


Entre sonhos de menino

Teço redes a pensar

Embrenhado no destino

De pescar e navegar

 

Navegando amiúde

Vento popa proa mar

Eu peço a deus por saúde

E O Resto A Lagoa dá.

 

 

 

 

Rio Da Vida       08

 

 

 

Quem caminho sobre as águas /

 É chamado pescador

Pesca a dor e toda a mágoa    /  

Só não pesca a própria dor

 

Cada mágoa que levanto      /    

 São penas que faz doer

Ilusões sonhos encantos      /     

 É o que resta pra viver

 

Olhei com os olhos rasos      /   

   No fundo das águas claras

No espelho fez redondilhas    /    

 Revelou-se uma Iara

 

Joguei um ramo de Ipê       /      

  Roxo de amor e carinho

Matreira me desdenhou  /           

 Fiquei na margem sozinho 

 

 

 

 

Tenho o céu enluarado       /       

Sobre a ponta da Genoa

Brilhos  de Peixes Dourados   /  

 Sob o casco da canoa

 

Vai canoa contra as águas    /   

 Vem  as águas contra o vento

Sopra o Vento a meu favor    /    

Acalma meu Sofrimento

 

Distante do bem querer     /       

 Da sopros no coração

Corre nas veias saudade     /   

  Arde nos olhos paixão

 

Partidas que não tem hora     /   

Caminhos a se estender

Regressos que faz demoras  /  

 Distâncias para vencer

 

 

 

 

 

 

 

 

Olegário            11

 

 

 

 

Vai Olegário

 

Arquejando pelas sombras

Vem de rota perdidas

Sem rumo remos e velas

 

Vai Olegário

 

Malhas de redes no rosto

Escamas e barbatanas nas mãos

Transas e amarras no andar

Fisgadas de anzóis no coração

 

Vai Olegário...!

 

Vai Olegário

 

Arquejando pelas sombras

Vem de rotas perdidas

Sem rumos remos e velas

 

 

 

 

Vai Olegário

 

Ondas de mortes no corpo

Marés de angústias abordando o leito

Junto a velha companheira

Quem lhe esquenta e Afomenta o peito

 

Vai Olegário...

 

Quem há de um dia pescar

Por onde estes braços pescaram

Quem haverá de Olhar

Paisagens que estes olhos olharam

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Barco Sem Porto       12

 

 

 

Se foi o barco 

Com as esperanças

Foram se as redes

E o madrugador

 

Qual barco sem Leme

Igual pano sem tralha

Em caminhos de ondas

De ventos de solidão

 

Naufrago Proeiro

De um barco pequeno

Em tantas distancias 

De um porto Ilusão

 

Adeus as Águas 

Turvas lembranças

Olho mareado 

Do navegador 

 

 

 

 

 

Qual barco sem Leme

Igual pano sem tralha

Em caminhos de ondas

De ventos de solidão

 

Naufrago Proeiro

De um barco pequeno

Em tantas distancias 

De um porto Ilusão

 



 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 O "Soleiro"  05

 

 

 

Madrugada o Soleiro

Pega a encilha no paiol

Poe o baio Na estrada

E parte em busca do sol

 

Não tem chuva nem geada

Nem assombro que apareça

Depende desta jornada

Para que o dia amanheça

 

O baio atravessa a noite

Nas veredas campo fora

No infindável trabalho

De buscar o sol na aurora

 

Na garupeira a bagagem

Laço certeiro nos tentos

Pala abanando na aragem

Rabo da Vincha ao vento

 

 

 

 

 

Logo Atrás do horizonte

Se esconde o sol na  alvorada

Sentindo  apontar os raios

As mãos prontas na armada  

 

Rodeia o quatorze braça 

Lance de saber profundo.

Levanta o sol  da alvorada.

E o dia Clareia mundo. 


Retornando para a aldeia 

Trazendo o sol no laço

Entrega pra Sua Bela

E Dela Ganha Um Abraço


O Sol É Uma Pandorga

Nas Mãos O Laço Uma Linha

Com Presilha Bem Seguras

Pra Poder Manter O Dia


Quando Chega A Tardinha

Todos querem descansar

A Noitinha Vai Descendo

E O Sol É Solto para entrar

 

 

Albardão         09

 

 

A noite desce serena  /    

Sob o clarão do luar

Sinto cheira de açucena     /     

Meu bem está pra chegar

 

Estrela d´alva apontada      /         

Brilha qual o teu olhar

Qual mãe D’água Iluminada   / 

 Pela noite a levitar 

 

Sou Garimpeiro de sonhos

Sou madrugador Atento

Chuva de estrelas caiu

Na praia do Pensamento


Sou Contador de estrelas

Do Farol do Albardão

Há Noites que as vezes caem

Estrelas para encher as mãos

 

Garimpei fazendo contas    /         

 Estrelas pra este, pra aquela

As mãos cheias contra o peito  /  

 A mais linda; é só para ela

 

Ponteio a viola rasa 

Com sentimento profundo

E canto a moda da casa

O Sofrimento do Mundo 



Parte II / 09

  

Voou uma pena das pontas    /   

  Das asas do Minuano

Que pousou assobiando     /        

 Na noite que já desponta

 

Braseiro brilha ardendo      /       

 Aquecendo a solidão

La fora o vento Gemendo       /    

 Parece uma assombração

 

Sou Garimpeiro de sonhos

Sou madrugador Atento

Chuva de estrelas caiu 

Na praia do Pensamento

 

Sou Contador de estrelas     /    

  Do Farol do Albardão

Há noites que as vezes caem   /

  Estrelas para encher as mãos

 

Garimpei fazendo contas    /         

 Estrelas pra este, pra aquela

As mãos cheias contra o peito  /  

 A mais linda; é só para ela

 

Ponteio a viola rasa 

Com sentimento profundo

E canto a moda da casa

O Sofrimento do Mundo 

 

 

Bailarinos de

Águas  e  Ventos  15  

 

 

 

Ventania 

Gira Sol

Mato Preto

Graxaim

 

 

Barba Negra Curral Velho

Vitoriano Zé Martim

 

 

Bailarino Conquistador

Rumo a Tuneiras e Desertor

Milionário Prosperador

 

Na Barra Falsa e no Barquinho

Sonho de Ouro e Pereré

Na Flor da Praia Arambaré

 

 

 

 

 

 

 

Capivaras

Bujurú

Gavião Negro

Tatuí

 

Calafate Camaquã

Canal Novo e Lami

 

Dançarino imperador

Rumo a Quilombo e Varalzinho

Milionário Prosperador

 

Na Barra falça e no Barquinho

Sonho de Ouro e Pereré

Na Flor da Praia Arambaré  




 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Olho Gateado            21

 

 

 

O sol

Lambe

Manso

O silencio

A manhã

O olho 

Gateado

Grelado

A espreita 

Do peso

Subindo

O olho 

Grudado

A mão 

Extraindo

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Parte II / 21

 

O sol

Lambe

Manso 

A água

O bote

O olho

Calado

Cansado

O Lombo

Da onda

Dançando

O Brilho

Dourado

Do Dia

Clareando.

 

 

 

 

 

 

 

 

Rio Camaquã                   24

 

 

Rio Camaquã

Rio dos quatro costados

 

Me perco nas tuas curvas

Girando em redemoinhos

Me solto nos teus remansos

Dou costa do outro lado

Teus nativos navegando 

Vam remando tuas canoas

 

Vai Cristalino em tuas águas

Levando o céu no te um leito

Vai refletindo tuas matas

Campos plantações e gados

Vai Encaixado em tuas barrancas

Vai brilhando os teus dourados 

Uh Uh Uh Uh UH Uh Uh Uh Uh ...

Rio Camaquã

Rio dos Quatro costados

 

Pousa um sábia te canta

Voa um Bem te vi te avista

A garça branca te encanta

A ciriema te grita

Carrega espumas nas águas

Com flores de corticeira


Parte II / 24

 

Vai desenhando em tuas areias

Juntando os teus caramujos

Vai esculpindo tuas ilhas

Vai a lapidar os teus seixos

Vai entalhando os teus caminhos (tuas veredas)

Vai corredeiras a baixo

 

Uh Uh Uh Uh Uh Uh Uh Uh Uh ...

 

Rio Camaquã

Rio dos quatro costados

 

Um quero quero te alerta

Do alto uma tarrã te guarda

Águas  vazantes te acalma

Águas de enchentes te excita

Em mim derrama tuas queixas

Minha melodia te escuta...

 

 

Passo do Mendonça

(Baixo Camaquã) Anos 60

 

 

Da Altura do Cristal

Da boa vista da ponte

Pro estaleiro do Seival

Cresce um mar pro Sol Nascente

 

No inverno é um rio furioso

Dos montes desse  Violento

Desde o Passo Do Mendonça

Se expande com forme o tempo

 

Campos a perder de vista

Que o Rio encobre espraiado

É a estação das enchentes

É o Horizonte Inundado

 

Flui, em um mar Sazonal

Sem divisas, nem amarras

Se estendendo em Manancial

Do Mendonça até a Barra

 

Verões e media estações

Homem  de saber ribeiro

Roças de subsistências

Um casebre hospitaleiro

 

Mulheres Cultivam Hortas  

Crianças Correm Brincando

 Cavalos Bebendo às Margens 

Um Canoeiro Remando 

 

 

 

 

 

Parte II

 

Heranças e oligarquias

Campos Senhores Feudais

Peonadas e arrendatários

Gados Sojas e Arrozais 

 

Pobreza que se espalha:

Ribeiras e Afluentes

O Rio correndo na calha

Dá sustento a esta gente

 

Quantas travessias n'águas

Vidas humanas vencidas 

Embates de lança e balas

Fronteiras ganhas, perdidas

 

Foi Divisa Cisplatina

Duas linguagens madrastas

Que vieram fazer pilhagens 

E Arrasar terras e raças

 

Carvoeiros e Olarias

Celeiros ...e Oficinas

 Bolichos e Ferrarias

Cancha Retas E Cantinas

 

Barracos nos corredores

Vilarejos e agregados

Rodeios De Laçadores

Capatazes, Peões Montados

 

Bois De Kamgas Lavradores

Semeadores Chão Plantado

Fazendeiros E Senhores

Confundindo Gente E Gado

 

 

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