Chica Papagaia
DEPARTAMENTO DE TAQUIGRAFIA Painel sobre a Revolução Farroupilha Assunto: Historiografia da guerra farrapa Porto Alegre - 15-09-2008 32 Duarte.
O que sabemos sobre a Chica Papagaia? Falou-se muito no
Combate dos Porongos, mas gosto de falar sobre a Maria Francisca. Ela existiu, não é uma ficção. O que sabemos dela?
Passou para
a história como uma personagem ridícula num mundo de homens. O que
sabemos do seu sofrimento, das suas angústias?
O que representou Davi
Canabarro para a Maria Francisca Duarte, apelidada de Chica Papagaio
porque seu marido era o boticário da tropa e carregava uma gaiola com
um papagaio. A tropa gozava do fato, até porque ele era um homem
traído.
Maria Francisca nasceu em Santo Antônio da Patrulha e havia
conhecido David Canabarro na juventude, durante uma licença militar
em que ele foi para Taquari.
Ela é descrita como uma pessoa muito
interessante, uma morena que era muito bonita e sensual. Muitos anos
depois – em 1844 –, o general reencontrou-a acompanhando as tropas
com seu marido, que era um boticário transformado em cirurgião.
Esse homem também existiu. Sei que se chamava Duarte, porque
tenho a certidão de quando os dois morreram em Taquari. Ele era
carioca; veio para cá e casou-se com Maria Francisca.
Considero Maria Francisca a personagem mais polêmica e mais
desafortunada de toda a história da nossa guerra. Consta dos livros que
Canabarro, quando suas tropas foram atacadas, estava na barraca com a
papagaia, que estava entretendo o general – essa é a expressão que
utilizam. Conforme o que está escrito, quando foram atacados o general
fugiu de ceroulas, batendo com a bainha nas suas indecentes roupas.
Depois, então, ficam esses 300 prisioneiros, sendo que Duarte e
Maria Francisca, sua mulher, são encontrados e também feitos
prisioneiros. Quando Moringue toma conhecimento de que se trata do
cirurgião de Canabarro, decide soltá-la, para que vá cuidar dos seus
feridos.
Duarte retorna e, ao levar as canastras com correspondências
para David Canabarro, o general lhe diz, como teriam de fazer muitas
manobras difíceis, não queria mais mulheres acompanhando sua tropa.
Dê lembranças à dona, diz, mandando entregar Maria Francisca Duarte
na primeira povoação.
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Sempre gostei dessa história, mas não dispunha de nenhum
documento sobre ela. Um dia recebi, de um professor, uma carta que
falava do obituário de Maria Francisca. O casal não teve filhos, e as
pessoas ignoram que, junto com o marido, ela cuidou muito dos feridos.
Para a tropa, no entanto, passou como uma pessoa que teria prejudicado
o Cerro dos Porongos, pois foi a culpada pelo fato de o general David
Canabarro ter-se descuidado – ficou com ela – e eles terem sido
atacados.
É uma história, mas, de qualquer maneira, interessa-me a pessoa
de Maria Francisca Duarte, seus sentimentos.
Quando ela morreu, teve
esse obtuário enviado para o escritor (ininteligível). José Maciel Júnior,
na página 2 de uma das edições do jornal O Taquariense, fala dessa
carta.
O falecimento de Maria Francisca foi registrado no jornal de
Taquari – com suavíssima agonia, que só os limpos de coração na hora
extrema do passamento, adormeceu no seio do Senhor em 4 de outubro
–, tendo em vista que se tratava de uma pessoa extremamente importante
para a comunidade.
Ela foi caridosa e cuidou de velhos e crianças;
passou uma vida cuidando dessas pessoas na comunidade e por isso era
bastante estimada. Quando morreu, colocaram, em seu túmulo, a
inscrição: Passou fazendo o bem.
Maria Francisca Duarte faleceu em 4 de outubro de 1894, aos 81
anos; sofria de gastrite crônica. Existe esse documento enviado por um
professor de bastante renome.
Questiono muito a história de Maria Francisca Duarte em relação
a Canabarro, que não nutriu por ela o mesmo sentimento que Garibaldi
nutriu em relação a Anita – o que é uma outra história. Um outro dado
que devemos analisar diz respeito às demais mulheres.
Meu Amor e Eu II
Em passeio pelo jardim
Chegamos ao fundo do quintal
Te vejo na penumbra
Provocada por uma luz distante
Que nos chega do quiosque
Com tuas mãozinhas delicadas
Sobes o teu vestido até a cintura
Então junta a barra
Sobe-a mais ainda
E prende-a entre o sutiãs
E desces tuas calcinhas até os joelhos
E se põe de cócoras
Agarrada em minhas pernas
Minhas mãos com leveza
Faz carinhos em teus cabelos
Então ouço o suave murmurio
De uma linda melodia
É meu amor urinando na grama do quintal
Depois com calma te ergues
Com elegância puxa tuas calcinhas
Ondulando
Um lado após o outro
Até te sentires confortável dentro dela
Então com sabedoria solta teu vestido
Dos sutiãs para cintura
Da cintura para os peitos de teus pezinhos
Protegidos por um lindo par de sandálias romanas
Eu ganho um beijo de agradecimento
A luz distante deixa todos a mostra sob ela
Enquanto a penumbra nos protege
Nos perdemos um pouco mais pelo quintal
Depois de um bom tempo
Voltamos abraçados para festa
Abraçados permanecemos até o final
Então voltamos para casa abraçados
Mas não sem a vontade de ter ficado por lá